Com chuvas irregulares e períodos de seca o temor de expansão incêndios florestais no Pantanal volta a assombrar. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o bioma em Mato Grosso já contabiliza 383 focos de incêndio em 2024, um aumento de 1.100% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 30.
O gerente da RPPN Sesc Pantanal, Alexandre Enout, avalia que devido ao clima a temporada de queimadas pode chegar mais cedo este ano, principalmente nos meses de estiagem estiagem mais prolongada.
“Viemos nesse ciclo acentuado desde 2019. O ano de 2020 foi muito seco e assistíamos a maior tragédia da história no Pantanal”
Lembra o gerente da RPPN Sesc Pantanal, Alexandre Enout“Há um monitoramento de longo prazo e percebemos que apesar de o Pantanal ter ciclos de anos mais secos e outros mais chuvosos, estamos passando por um momento que essa média da estação seca tem se acentuado bastante. São períodos de seca mais extensos, uma quantidade menor de água chegando na planície e temperaturas mais altas”, explica Alexandre.
Segundo o Inpe, houve 310 focos de incêndio no Pantanal em janeiro deste ano, número bem acima da média histórica do mês, que é de 120. O índice chegou perto, inclusive, do maior registrado nos últimos 25 anos para o mês de janeiro, que foram 380 focos. Fevereiro registrou 73 focos, índice bem maior que no ano passado, quando 9 foram registrados no mês inteiro. O número também já passou da média histórica de fevereiro, que é de 61 incêndios.
“Viemos nesse ciclo acentuado desde 2019. O ano de 2020 foi muito seco e assistíamos a maior tragédia da história no Pantanal. Em 2021 o clima continuou seco, mas como a vegetação já havia sido muito destruída, não havia muito o que queimar. O ano de 2022 teve chuvas esparsas, com poucos incêndios, já 2023 voltou um cenário de seca, com aumento no número de incêndios. Estamos agora na estação chuvosa com uma média pluviométrica muito abaixo do que era para estar.
O período de estiagem costuma acabar em outubro, todos os anos. No entanto, com a seca estendida em 2023, novembro, que costuma ser um mês chuvoso, registrou 4,1 mil focos, o maior índice para o mês desde 1998. “Estamos esperando por chuvas para ver se a planície inunda, o que é uma preocupação para a temporada de incêndios que inicia geralmente no meio do ano”, explica.
Segundo o gerente da unidade de conservação, os incêndios no Pantanal são naturais, quando acontecem de forma espontânea, por raios. No entanto, esses incêndios florestais que acontecem na seca, provocados por ações ou omissões humanas, se tornam grande preocupação.
“O Pantanal é como se fosse uma Savana que inunda e as savanas queimam, sendo, inclusive, muitas vezes dependente do fogo. O que acontece é que o fogo natural é uma coisa e o que a gente está assistindo é outra. O fogo natural é causado por raios. O raio acontece quando tem nuvem e está próximo da chuva, em estações chuvosas. Quando o fogo vem do raio, chega próximo à chegada da chuva e em um ambiente natural. Nesse caso, o fogo queima rápido e cessa em uma área úmida, queimando um espaço pequeno”, detalha,
No entanto, na seca, onde há poucas nuvens, os incêndios florestais costumam ser provocados por imprudência e descuido de fazendeiros; fagulhas de máquinas automotoras consumidoras de carvão ou lenha; perda de controle de queimadas realizadas para “limpeza” de compôs; ou por ações pessoas que, de fato, tinham como único objetivo provocar um incêndio.
“Com o aumento da ocupação humana no bioma, os focos de incêndios acontecem na época mais crítica, que está muito seco, que naturalmente não iria pegar fogo. Esses focos vêm, acabam crescendo e atingem áreas muito grandes, em uma intensidade alta. A fauna e flora não tem adaptação para esses incêndios”, relata.
Manejo e prevenção
O Pantanal Mato Grosso registrou 6,5 mil focos de incêndios no ano passado. Diante do cenário, a RPPN Sesc Pantanal afirma que o maior desafio é o manejo e prevenção desse fogo e que a melhor solução é justamente a criação de mais unidades protegidas.
“A conservação deve ser feita com as pessoas capacitando a comunidade local, levando a educação ambiental para que as pessoas entendam o papel daquele espaço. Uma das principais ações é a criação de áreas protegidas. Os governos tem a responsabilidade de criar e fazer a manutenção das áreas protegidas, o setor privado também pode fazer, assim como RPPN é do setor privado, tem ONGs que atuam e compram áreas privadas para fazer a gestão. Esse é o caminho que devemos ir”, afirma.
“As áreas úmidas têm uma grande concentração de biodiversidade, servem como berçários para váriasespécies de peixes, riqueza ambiental e riqueza cultural com população indígena, ribeirinhas, agropecuária de baixo impacto. É um caldeirão de riquezas. É um dos biomas menos conhecidos pelos brasileiros, mas é patrimônio do Brasil e temos que olhar para ele”, conclui.
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marcos 03/03/2024
agora é culpa de bolsonaro? e as mortes por dengue? e as mortes do ianomames?quem é o genocida agora?
ana 03/03/2024
com a palavra o povo do PT e a ministra marina Silva.... silencio total
2 comentários