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Domingo, 19 de Janeiro de 2020, 08h:20 | Atualizado: 20/01/2020, 10h:39

ALERTA

Cresce o número de intolerantes a lactose diagnosticados na fase adulta - saiba mais

Arquivo Pessoal

Juciara santos

Juciara Santos: desconfortos desde a infância

O mínimo traço de lactose em alimentos ou bebidas pode causar desconforto e riscos à saúde de pessoas intolerantes aos derivados do leite. Enxaquecas persistentes, crises de vômito e diárreia são alguns dos problemas, como explica a jornalista Juciara Santos, de 30 anos, que já passou muito mal por conta da sua condição de intolerante.

Em maio do ano passado, decidiu tomar um sorvete de chocolate, vendido como sem lactose em sorveteria de um shopping em Cuiabá. Porém, poucos minutos depois, passou por momentos de tensão enquanto dirigia de volta para casa. Ainda na avenida Miguel Sutil começou a passar muito mal e sentiu que estava suando frio. Já na avenida Beira Rio, precisou ficar parada no trânsito da hora do almoço e, enquanto abria a porta do carro para vomitar, foi socorrida por uma vendedora de água que estava perto do semáforo e viu a situação da jornalista. 

Essa venda (de produtos sem lactose) precisa ser mais segura, seguir normas mais duras. Estamos falando de saúde, bem estar e riscos

"Fazia muito tempo que não tomava sorvete de chocolate, quis me dar um mimo, quando vi que na sorveteria vendiam sem lactose. Cheguei em casa passei muito mal, tive enxaqueca. Mandei mensagem para eles [o estabelecimento], disseram que poderia sim ter algum traço de lactose. Não me pediram desculpas, nem nada", lamenta. 

Para a jornalista, a fiscalização em estabelecimentos que vendem produtos sem lactose deve ser mais rígida para evitar riscos de saúde como o dela. De acordo com ela, o mínimo contato da mesma colher em um alimento derivado de leite pode lhe causar problemas, por conta disso, Juciara opta por evitar fazer refeições fora de casa. 

"Essa venda precisa ser mais segura, seguir normas mais duras. Os estabelecimentos que não se atentam a isso estão lucrando em cima de um problema, dizem que é feito sem lactose, mas não existe o cuidado necessário e as consequências para uma pessoa intolerante são extremamente delicadas. Estamos falando de saúde, bem estar e riscos". 

53 milhões de intolerante à lactose 

Uma pesquisa do instituto Datafolha registrou que cerca de 53 milhões de brasileiros contaram ter alguma dificuldade digestiva após consumo de derivado de leite, o número representava 35% da população, em 2016, quando foi divulgada.  

A intolerância à lactose é a incapacidade que o corpo tem de digerir um tipo de açúcar (carboidrato) encontrado no leite e em outros produtos lácteos. Isso ocorre pela falta da enzima lactase, que é responsável por quebrar a lactose. 

Apesar do diagnóstico ter sido constatado durante a vida adulta, Juciara explica que desde criança já sentia certo desconforto ao consumir produdos derivados do leite. Todas as manhãs, o pai dela costumava preparar, como primeira refeição do dia, pão e café com leite. 

Na maioria das vezes ela lembra de se recusar a tomar o café da manhã, porém, em outras, cedia a insistência do pai. A consequência era passar o dia todo "estufada", fato que a fez passar a não gostar mais dessa refeição. 

Quando se mudou de Corumbá (MS) para Cuiabá, a primeira atitude que Juciara lembra ter tomado foi abolir o café da manhã. Hoje em dia, após o diagnóstico e mudanças na alimentação, cortou produtos derivados do leite e acrescentou outros como chás e geléias. "Agora que tenho outra relação com o leite, o café da manhã é uma das refeições que mais gosto". 

Como desde criança não tinha afinidade com a lactose, a jornalista conta que já havia "aceitado" que todas as vezes que consumisse produtos derivados do leite passaria mal, achava que estava fadada a sofrer com as enxaquecas, diarréias e náuseas. 

Porém, após ser alertada pela sócia de que o que ela vivia não era normal resolveu procurar um médico e investigar o que estava acontecendo. A iniciativa aconteceu apenas quando ela completou 28 anos. "Achava que era besteira, mas começou a chegar em um nível absurdo. Ia almoçar fora e não tinha nem tempo para chegar até um banheiro". 

Médica  Fernanda Pereira Barros

Médica Fernanda Barros vê aumento de pacientes confirmando diagnóstico já adultos

Níveis de intolerância 

A médica coloproctologista Fernanda Pereira Barros explica que tem observado um aumento no número de pacientes que descobriram a intolerância à lactose já na fase adulta. De acordo com ela, quando diagnostica nessa fase, a condição é denominada como "adquirida", diferente de quando é de quando a pessoa já nasce com ela. 

Fernanda também ressalta que, assim como o caso de Juciara, alguns intolerantes à lactose possuem pouca resistência ao consumo de derivados de leite, chegando a casos mais extremos de alergia. Embora algumas pessoas confudam as duas condições, a intolerância é causada por uma carência da lactase, enzima responsável por digerir a lactose, que é um açúcar. 

Portanto, trata-se de uma reação no intestino, que pode chegar a inflamar devido ao contato com derivados de leite. Já a alergia, é uma resposta do sistema imune a uma proteína do leite de vaca. A médica ressalta a importância dos estabelecimentos que se dispõe a comercializar alimentos sem lactose tenham uma fiscalização rígida quanto aos produtos. 

"Deve haver sim uma atenção maior, porque pacientes intolerantes podem ter uma diarréia grave, em casos mais intensos, o consumo pode levar a uma inflamação no intestino. Pessoas com alergia não podem entrar em contato com a proteína do leite", explica a médica. 

Como forma de cuidado, Juciara conta que passou a ler com mais atenção os rótulos de produtos que estão a venda no mercado. "As vezes na frente está escrito que é sem lactose, mas quando você vai ler, na parte de trás explicam que pode ter traços de lactose". 

Outras formas de ingerir cálcio 

Fernanda destaca que a impossibilidade de consumir leite e derivados não afeta a saúde nutricional de pessoas com intolerância à lactose, já que o cálcio pode ser encontrado em outros alimentos de origem animal, como sardinha e ostra, além de também estar presente no feijão preto, grão-de-bico, folhas escuras, gergelim, chia e outros. 

O simples costume de comer fora de casa com amigos precisou ser adaptado por Juciara, que admite que, atualmente, faz a maior parte das refeições na própria residência para evitar desconfortos. Porém, o aumento dos produtos sem lactose vendidos em mercados é um dos pontos positivos para ela. 

"Quando vejo que realmente não tem nenhum rastro de lactose, pego para experimentar. Dia desses encontrei manteiga, que é algo que sempre gostei. Algumas pessoas reclamam da diferença no sabor dos produtos sem leite, mas não é problema para mim", avalia. 

Desde que parou de consumir a lactose, Juciara percebeu um aumento na disposição, além, claro, de não sofrer mais com os intensos descofortos que passava antes da mudança na alimentação. "Lembro que quando consumia lactose minhas unhas quebravam muito, era fraca, agora elas estão fortes. Também não tenho mais enxaquecas e nem medo de sair de casa".

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Comentários (3)

  • Ducilene Santos | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 19h05
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    Muito importante essa matéria, gostaria de indicar um site que vendo um e-book Intolerância à lactose: O guia completo para uma vida saudável foi escrito pensando em ajudar pessoas que possuem ou conhece alguém com intolerância à lactose, sobretudo aqueles que descobriram recentemente, site confiavel pode conferir: http://bit.ly/vidasaudavelintoleranciaalactose

  • Amosil | Domingo, 19 de Janeiro de 2020, 22h17
    0
    0

    Creio q ela está é inflamada ...inchada...Nos humanos não fomos criados pra tomar leite d outro animal ... Apenas d nossa mãe ( HUMANOS).

  • OSMAR FRONER | Domingo, 19 de Janeiro de 2020, 20h41
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    A JUCIARA SANTOS e INTOLERANTES A LACTOSE.... Uma pesquisa científica realizada pela Lincoln University, Nova Zelândia, mostrou que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, é possível beber leite sem sentir nenhum desconforto digestivo como náuseas, dor de estômago ou inchaço abdominal. Segundo o estudo, leite e produtos lácteos derivados de vacas com gene A2A2 estão livres da beta-caseína A1, responsável por esses sintomas. A pesquisa apontou que uma mutação genética ocorreu entre cinco e dez mil anos atrás e “inseriu” o gene A1A1 nas vacas europeias responsáveis pela maior parte da produção de leite no Brasil. Leia mais em: https://www.comprerural.com/vacas-a2a2-produzem-leite-com-melhor-digestibilidade/

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