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Domingo, 28 de Abril de 2019, 07h:20 | Atualizado: 28/04/2019, 10h:23

Fotógrafo retrata rotina de cuiabanas com filhos com microcefalia - confira a galeria

Bruno Sampaio Ricci

Microcefalia2

PM Luciana acompanha filha Valentina em consulta com pediatra e comemora  os  avanços

A vida da policial militar Luciana Marim, 33 anos, mudou completamente há um ano e meio, após o nascimento da pequena Valentina. A filha da servidora pública tem microcefalia e precisa de cuidados especiais diariamente. No início de 2018, enquanto buscava mais informações sobre a condição da então recém-nascida, Luciana conheceu o grupo “Unidas pelo Amor", que reúne mato-grossenses com filhos com as mesmas dificuldades que Valentina.

Por meio do coletivo, Luciana aprendeu a lidar melhor com a filha. Desde os primeiros meses de vida, Valentina faz acompanhamento com fisioterapeuta e fonoaudióloga. “Sempre me preocupei que ela se desenvolvesse da melhor forma”, diz a policial.

A microcefalia é uma malformação congênita em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Segundo o Ministério da Saúde, ela pode ser motivada por substâncias químicas e infecciosas, além de bactérias, vírus e radiação, durante a gestação. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, 414 casos foram notificados nos últimos anos.

Valentina tem um dos graus considerados mais leves da microcefalia. A garota, hoje com 1 ano e 5 meses, consegue andar e falar. “Isso tudo foi resultado do cuidado que sempre tive, junto com meu marido”, orgulha-se Luciana. Para se dedicar à única filha, ela teve de se adaptar à garota. “Tenho sonhos e projetos, mas deixei algumas para trás para dar qualidade de vida melhor para a minha filha”, declara.

As mães afirmam que há precariedade no serviço público oferecido a crianças com microcefalia. “A Policlínica do Planalto, que dizem que á referência em atendimentos de microcefalia no Estado, tem um bom pediatra, que realmente ajuda. Mas não há fisioterapeuta preparado para receber as crianças. Além disso, o espaço para a fisioterapia é muito pequeno e inadequado”, reclama a policial.

O Estado e a Prefeitura de Cuiabá afirmam que há acompanhamento adequado às crianças com microcefalia em unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

A rotina em exposição

Luciana, assim como outras mães que possuem melhores condições financeiras, decidiu custear os tratamentos da filha. “Foi a melhor saída, para que ela pudesse se desenvolver”.

A policial militar e outras 15 mães que integram o grupo “Unidas pelo Amor" – que conta com mais de 50 integrantes – ilustram uma exposição de fotos intitulada "A vida com microcefalia", que tem o objetivo de mostrar a rotina das famílias e conscientizar sobre o Zika vírus – considerado um dos principais fatores que levam à microcefalia.

“A grande maioria das mães teve o Zika em algum momento, antes da gestação. Eu não sei se tive. Apresentei sintomas semelhantes, antes da gravidez, mas os médicos haviam dito que não era. Mas não tenho certeza”, diz.

Para Luciana, a exposição é uma importante forma para divulgar sobre a microcefalia. “Creio que com essas fotos, as pessoas poderão enxergar como é a nossa rotina com nossos bebês, porque muitos desconhecem”, declara.

As imagens que compõem a exposição foram feitas pelo fotógrafo cuiabano Bruno Sampaio Ricci. Ele foi convidado pelas mães do grupo a fotografar voluntariamente a rotinas delas. “Eu já tinha vontade de fazer algum projeto sobre pessoas invisíveis na sociedade. Esse convite veio ao encontro de tudo o que eu planejava”, explica.

Por duas semanas, ele visitou as famílias retratadas nas fotografias que compõem a mostra. “Passei, em média, uma hora em cada família. Fui registrando a rotina das crianças, o modo como elas são cuidadas e quem são os responsáveis por ajudá-las”, pontua.

Tenho sonhos e projetos, mas deixei algumas para trás para dar qualidade de vida melhor para a minha filha

Luciana Marim, mãe da Valentina

“Apesar de todas as crianças terem microcefalia, cada uma tem um nível de desenvolvimento e interação diferente. Algumas andavam e falavam, outras não”, relata.

Bruno é fotógrafo há nove anos. Há seis meses, passou a se dedicar exclusivamente a fazer fotografias documentais de famílias. Para ele, foi uma grata surpresa participar do projeto com os pequenos com microcefalia. “O principal objetivo dessa exposição é mostrar a microcefalia pelo lado positivo, não como um fardo. São crianças que vieram para ensinar a amar”, afirma.

Serviço

A exposição "A vida com microcefalia" é composta por 36 fotografias. No sábado (27), ela foi exibida no Espaço Magnólia, na Rua 24 de Outubro, em Cuiabá. Na segunda (29) e terça (30), será apresentada no espaço cultural da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A entrada é gratuita.

Em maio, as mães planejam expor as fotos no Sesc Arsenal e também no Shopping Estação, mas as datas ainda não foram definidas.

Galeria de Fotos

Credito: Bruno Sampaio Ricci
Menino com microcefalia brinca com o pai
Credito: Bruno Sampaio Ricci
Clique mostra cuidado da mãe com filho que nasceu com microcefalia
Credito: Bruno Sampaio Ricci
Família mostram dedicação total à crianças com microcefalia
Credito: Bruno Sampaio Ricci
Rotina das crianças com microcefalia é registrada pelo projeto fotográfico
Credito: Bruno Sampaio Ricci
Crianças com microcefalia são clicadas em projeto fotografado
Credito: Bruno Sampaio Ricci
Luciana acompanha rotina da pequena Valentina
Credito: Bruno Sampaio Ricci
Junto com a mãe Luciana, Valentina brinca com outras crianças
Credito: Bruno Sampaio Ricci
Valetina recebe acompanhamento médico

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