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em cuiabá

Mulheres protestam contra cultura do estupro e pedem mais respeito

Bárbara Sá e Eduarda Fernandes

Eduarda Fernandes/Rdnews

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   Presidente do Conselho da Mulher, Rosana Leite, diz que ação visa discutir mais sobre o estupro

Em protesto contra a cultura do estupro, um grupo de aproximadamente 150 mulheres realizou, nesta quarta (1º), um manifesto em Cuiabá para ressaltar a crescente violência acerca do sexo feminino. A mobilização ocorreu simultaneamente em várias cidades do país, e foi desencadeada após o estupro coletivo sofrido por uma jovem de 16 anos, no Rio de Janeiro. Em imagens divulgadas nas redes sociais, a garota  aparece nua, desacordada, e sendo manipulada por muitos homens.

Na Capital, o protesto lembrou casos de vítimas de estupro no Estado, por meio de estacas em forma de cruz cravadas no solo da praça Ulisses Guimarães, com os nomes e idades de mulheres que foram assassinadas e violentadas. Um dos casos lembrado foi o da jovem Juliene Gonçalves, de 22 anos, cujo corpo foi encontrado nu e pendurado pelo pescoço no corrimão da arquibancada de um campo de futebol no bairro CPA II, em 2012. Até hoje, ninguém foi indiciado pelo crime.

O ato político-cultural teve início às 16h e segundo a presidente do Conselho da Mulher e defensora pública do Núcleo de Direitos da Mulher, Rosana de Barros Leite, a ação visa chamar a atenção da sociedade e principalmente das mulheres, para que discutam mais sobre o estupro e ajudem a derrubar o que elas definem como a “cultura do estupro”.

A expectativa, de acordo com Rosana, é de que novos protestos sejam realizados na Capital.“O estupro não é um assunto discutido e precisamos chamar todos para o debate. Precisamos acabar com a cultura do estupro, essa prática social de violência que se caracteriza pela naturalização do ato do estupro e a culpabilização da vítima. A mulher foi violentada, mas buscam todas as formas de justificarem o ato de violência praticado contra ela”.

A manifestação conta com a participação de diversos grupos, entre eles o Fórum Articulação Mulheres de Mato Grosso e Mulheres Negras, o Frente pela Vida das Mulheres e a Frente Feminista da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o Movimento dos Sem-Terra (MST). O ato teve microfone aberto para o público, músicas compostas e tocadas por mulheres, apresentação de artistas e discussões sobre o estupro e o papel da mulher na sociedade.

Diversas faixas e cartazes foram espalhados pela praça, onde as participantes destacaram frases, como “o machismo mata e escraviza”, “a culpa não é minha, é da sua mente suja” e “meu corpo, minhas regras”. Para Glória Maria Munhoz, representante do Fórum Articulação Mulheres de MT e Mulheres Negras, um dos principais pilares do movimento é a luta das mulheres por respeito. “A nossa alma dói. Não pedimos por cantadas. Queremos que entendam que quando dizemos não, é não. Não precisamos pedir por respeito. Nós merecemos respeito. Isso é o que queremos”, frisa.

Estatísticas

Conforme a secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp), de 1º de janeiro a 30 de maio deste ano, 474 casos de estupros foram registrados em Mato Grosso, destes 78 foram na Capital. Diariamente ao menos três mulheres são violentadas em Cuiabá. No ano passado, 1047 estupros foram registrados em todo o Estado. Somente na Capital foram 219, e em Várzea Grande 90.

Segundo Rosana Leite, os números, no entanto, podem ser maiores, pois muitas mulheres deixam de relatar os abusos sofridos por vergonha, medo e até mesmo culpa. “Isso precisa mudar. As vítimas devem procurar a delegacia e relatar o abuso sofrido para que o agressor seja punido e o poder público possa entender o que ocorre com as mulheres no Estado a fim de trabalhar a prevenção. As vítimas não podem ficar quietas. Nós temos que culpar quem é de direito e deixar a vítima assumir o papel dela de vítima e ampará-la”.

A defensora destaca a importância da implantação de políticas públicas para “mudar paradigmas” e diminuir esses dados. “A cultura do estupro vai desde o assovio que as mulheres recebem nas ruas, as cantadas, partindo para os abusos sexuais e a violência propriamente dita, através do ato. Temos que mudar paradigmas, mudar a forma como criamos os nossos filhos, precisamos incluir a educação não sexista e a violência contra a mulher nos currículos escolares”, conclui.

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