ANA LACERDA

Covid-19, economia e comportamento

Por 08/04/2020, 09h:22 - Atualizado: 08/04/2020, 10h:30

Dayanne Dallicani

Colunista Ana Lacerda

Por mais que se fale sobre a pandemia que enfrentamos, por mais que se leia e por mais certezas que possamos tentar construir, o fato é que não existe discurso fácil em tempos como o que ora atravessamos. A saúde e a economia apontam perdas (e mais perdas) que já começamos a contabilizar e sentir.

Cientistas financeiros e da medicina estão, cada um à sua maneira, dentro do seu respectivo saber, tentando achar fundamentação para aquilo que dizem. É preciso tomar medidas para reduzir a taxa de contágio; é preciso salvar o país da miséria que se avizinha. O desafio ainda é encontrar uma estratégia e se reinventar para que as duas saídas sejam possíveis. Seguimos tentando.

A tarefa parece ainda mais hercúlea quando, diante do panorama já caótico, é preciso lidar com pessoas que se aproveitam do momento de crise para tirar vantagem pessoal e de mercado, ignorando totalmente a interligação dos sujeitos em uma sociedade. Passa da hora de compreender que não se vive só. E não menciono isso com ares de poesia, falo da cadeia comercial e dos reflexos econômicos graves que se tem quando um elemento de um processo mercadológico age de má-fé com outro, tornando-o impossibilitado de consumir, ou quando uma parte é obrigada a se retirar da equação: as engrenagens param. 

Muitos países tomaram medidas de contenção quanto ao comércio, limitando a quantidade de itens que se pode comprar por vez e ainda, mantendo uma fiscalização mais acirrada quanto aos possíveis abusos em relação aos preços praticados.

As opiniões são muitas, diversas e duras, mas é certo que por ora, todos temos mais inseguranças que respostas.

Além das atrocidades percebidas em relação ao sumiço de produtos essenciais de muitas prateleiras e de alguns comerciantes elevando os preços estratosfericamente, são muitos os empresários que passam por dificuldades jamais imaginadas, precisaram fechar as portas e demitir colaboradores, em decorrência das decisões dos nossos governantes.

As opiniões são muitas, diversas e duras, mas é certo que por ora, todos temos mais inseguranças que respostas.

Ana Lacerda

Do outro lado, temos uma máquina pública que custa muito caro e pouco entrega nesse momento de crise. Embora haja alguns servidores públicos que permaneçam trabalhando e outros que tiveram férias decretadas compulsoriamente; há uma infinidade de pessoas ainda sustentadas pelo dinheiro público que permanecem confortáveis e parecem não enxergar as dificuldades de quem teve realmente que parar suas atividades, sem remuneração alguma garantida. Famílias e mais famílias serão devastadas e atingidas por essas decisões governamentais.

O Brasil passar por uma crise institucional e prega a desinformação pública. Há governantes que determinam a continuidade das atividades econômicas, outros que determinam a paralisação. Nota-se que faltam estadistas no País. É um jogo de poder entre União, Estados e municípios.

Diante desses fatos pergunta-se: essa divergência entre as Unidades da Federação significa proteção ou exclusão à vida humana?

O Estado vem tentando encontrar alternativa implementando a renda emergencial, mas sabemos que isso não será suficiente. Os mesmos governantes que mandam fechar as portas das empresas e comércios, que é a fonte de sustento de milhões de famílias,( e igualmente as demais pessoas que os apoiam), provavelmente continuam no recesso de suas casas, com os salários intocados, com farta e boa comida na mesa. As condições são muito desiguais e os tempos de crise acentuam as diferenças. Já não era simples lidar com elas em tempos corriqueiros, agora elas são desumanas.

É preciso isolar o grupo de risco, tomar todos os cuidados para proteger os mais vulneráveis; e é preciso trabalhar para pagar as contas que não cessam de chegar. A famosa e conhecida criatividade brasileira nunca foi tão necessária.

A conduta agora é buscar ser solidário, agir com ponderação. Tanto aqueles que temem a morte das pessoas que amam, como aqueles que temem a fome, estão lutando pela vida. Que juntos eles lutem contra aqueles que querem se aproveitar de um cenário lamentável como esse para a autopromoção, para ganhos secundários, para espalhar inverdades e tornar ainda pior os momentos difíceis que passamos agora.

Ana Lacerda é advogada do escritório Advocacia Lacerda e escreve exclusivamente nesta coluna às quartas-feiras. E-mail: analacerda@advocacialacerda.com. Site: www.advocacialacerda.com

 

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