No último dia 5 de julho, o Brasil celebrou pela primeira vez o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica. A data foi criada para chamar a atenção para uma condição que afeta milhões de brasileiros e que, apesar de extremamente comum, ainda é cercada por desinformação, preconceitos e resignação.
Talvez o maior problema da dor crônica seja justamente sua capacidade de se tornar invisível. Quem convive com ela aprende a esconder o sofrimento. Aprende a sorrir mesmo sentindo dor. Aprende a trabalhar com limitações. Aprende a cancelar compromissos, evitar atividades e adaptar sua rotina sem que as pessoas ao redor percebam o tamanho do impacto que ela causa.
Com o passar do tempo, muitos acabam acreditando que sentir dor é algo normal. Afinal, escutam repetidamente que é “coisa da idade”, “desgaste natural” ou que precisam simplesmente aprender a conviver com isso.
Mas a verdade é outra: dor crônica não é normal.
Com o passar do tempo, muitos acabam acreditando que sentir dor é algo normal. Afinal, escutam repetidamente que é “coisa da idade”, “desgaste natural” ou que precisam simplesmente aprender a conviver com isso. Mas a verdade é outra: dor crônica não é normal
A dor foi criada para ser um sinal de alerta. Ela existe para informar que algo precisa de atenção. Quando permanece por meses ou anos, ultrapassando o tempo esperado de recuperação dos tecidos, ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser uma condição de saúde que merece investigação e tratamento adequados.
Os impactos vão muito além do desconforto físico. A dor afeta o sono, reduz a disposição, compromete a saúde emocional, dificulta a prática de atividades físicas e interfere diretamente na qualidade de vida. Muitas vezes, o paciente deixa de fazer aquilo que mais gosta não por falta de vontade, mas porque o corpo passou a impor limites que antes não existiam.
O mais preocupante é que milhões de pessoas convivem diariamente com dores nos joelhos, quadris, coluna, ombros ou mãos sem buscar ajuda especializada. Algumas acreditam que não existe tratamento. Outras já perderam a esperança após tentativas frustradas. Muitas sequer sabem que a medicina avançou significativamente nos últimos anos.
Hoje dispomos de recursos capazes de aliviar a dor, melhorar a função e devolver movimento. Mais importante do que isso, compreendemos que cada paciente é único e que o tratamento precisa considerar não apenas exames e diagnósticos, mas também sua história, seus objetivos e sua qualidade de vida.
A criação do Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica representa um passo importante para mudar essa realidade. Ao trazer o tema para discussão, a data ajuda a quebrar mitos, ampliar o acesso à informação e incentivar as pessoas a procurarem ajuda.
Neste dia 7 de julho, quando ainda repercutimos essa importante iniciativa nacional, vale uma reflexão simples: se você convive com dor há meses ou anos, não aceite isso como destino.
A dor pode ser comum. Mas ela nunca deve ser considerada normal.
Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe







