ECONOMIA E AGRO

Segunda-Feira, 12 de Junho de 2017, 09h:07 | Atualizado: 12/06/2017, 16h:44

Agronegócio

Mesmo com PIB crescendo e Supersafra, produtores passam dificuldades no setor

Reprodução

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Lavoura de soja, principal economia do Estado

Apesar do crescimento de 13,4% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, produtores rurais de Mato Grosso têm passado por percalços. O rendimento das lavouras tem sido baixo e os pecuaristas, que se recuperavam dos reflexos da Operação Carne Fraca, ainda sofreram recentemente com outro baque após a delação dos donos da JBS, controladora da maior parte dos frigoríficos no Estado.

Nem a supersafra, que deve produzir 57 milhões de toneladas de grãos, garantiu aos agricultores ganhos na mesma proporção. A dificuldade no preço do milho, por exemplo, já havia sido levantada no final do ano passado pelo presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Endrigo Dalcin. O deputado Adilton Sachetti também alertou sobre  situação.

Na última semana o preço da saca do cereal estava cotado em R$ 14,56, quase R$ 2 abaixo do valor mínimo definido pelo governo estadual que é de R$ 16,50. Para tentar aliviar essa questão, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tem realizado, desde maio, leilões do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou sua Cooperativa (Pepro) e o Prêmio para Escoamento do Produto (PEP). De acordo com a Conab, já foram negociados 1,7 milhão de toneladas de milho do Pepro e 1,5 milhão de toneladas do PEP. 

Você é praticamente obrigado a produzir. E se resultado disso é lucro para o produtor ou não, não importa para o governo.
(produtor Carlos Yano)

Lavouras

O produtor de soja Carlos Kazuo Yano, de Tangará da Serra, afirma ao que a alta do PIB do setor é um fato positivo, mas que por enquanto não se traduziu em renda. Ele reclama da falta de políticas públicas de incentivo para a produção e afirma que isso tem “massacrado” os produtores.

“Esses índices ajudam a girar a economia de um modo geral, mas o produtor tem tido dificuldades. Não está sobrando para nós. Por não ter apoio, o agronegócio tem andado sozinho. Você é praticamente obrigado a produzir. E se resultado disso é lucro para o produtor ou não, não importa para o governo”, argumenta.

Além da falta de incentivo, Carlos ainda lembra que questões como a variação cambial e os desdobramentos da crise política acabam interferindo nos negócios. Ele também cita as questões climáticas, que devem gerar perdas na contabilização final da safra 2016/2017. 

Pecuária

No caso da pecuária, os produtores têm sofrido com investigações da polícia e questões de corrupção. No gráfico de preços do boi à vista de Mato Grosso, em um estudo do Imea, é possível perceber que os valores estão com uma tendência de queda desde o final do ano passado. Além disso, as datas da deflagração da Operação Carne Fraca (17 de março) e da delação da JBS (17 de maio) mostram um novo impacto negativo na questão. Os preços que ultrapassavam R$ 132 em outubro de 2016, alcançam atuais R$ 120. 

Os problemas afetaram a exportação de carnes bovinas, que amargou quedas de mais de 30 milhões de dólares (R$ 99 milhões). As receitas caíram de US$ 85 milhões (R$ 280,5 milhões) em março para US$ 53 milhões (R$ 174,9 milhões) em abril.

Entre 2016 e 2017, a média dos abates mensais, até abril, decresceu em 10%. Na região Médio-Norte do Estado, por exemplo, as médias de abates caíram de 22,4 mil cabeças para 12,4 mil cabeças, o que representa uma diminuição de 44,6%. 

Além de todos esses problemas políticos que afetaram imediatamente o setor, os produtores ainda estão tendo que lidar com a legalização do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), que é um dispositivo legal que tem como objetivo custear a Previdência Social. Nesse caso, a base de Mato Grosso em Brasília tenta uma anistia em relação à cobrança, para alivar um pouco a vida dos produtores.

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Comentários (1)

  • alexandre | Segunda-Feira, 12 de Junho de 2017, 09h36
    0
    4

    Só falta querer que o risco do negócio seja do governo.

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