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Eleições 2026 Sábado, 24 de Outubro de 2026, 17:13 - A | A

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ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Lula reage, Flávio mantém vantagem e eleição promete disputa voto a voto; veja o que dizem marqueteiros de MT

Analistas veem segundo turno marcado pelo avanço da mobilização petista, pela força das redes sociais e pela polarização

Gláucio Nogueira

Faixa - selo eleições 2026

A menos de 24 horas da abertura das urnas, a eleição presidencial deste domingo (25) chega à reta final sem um vencedor claramente definido nas pesquisas, mas com uma mudança de cenário em relação ao primeiro turno. Após sair na frente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) viu o presidente Lula (PT) reagir, mobilizar apoiadores e ganhar espaço na disputa. Para profissionais que atuam no marketing político, o desfecho segue imprevisível, embora haja diferenças na avaliação sobre quem reúne as melhores condições para vencer.

O jornalista Humberto Frederico aposta na vitória de Flávio, sobretudo pela vantagem superior a 2 milhões de votos construída no primeiro turno e pela tendência de eleitores de candidatos derrotados, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), migrarem para o campo bolsonarista. Essa transferência, avalia, não depende necessariamente de uma identificação com Flávio, mas do desejo de mudança.

Reprodução

Humberto Frederico

 Humberto Frederico atuou no marketing do governador reeleito, Otaviano Pivetta (Republicanos)

Apesar do prognóstico favorável ao senador, Humberto considera que Lula fez uma campanha melhor neste segundo turno. Na avaliação dele, o presidente conseguiu dominar a narrativa eleitoral, enquanto Flávio adotou uma postura mais conservadora, que teria limitado o desempenho de sua candidatura.

Lula, segundo o jornalista, ampliou a comunicação digital, investiu em selfies, lançou desafios ao adversário e apostou em medidas de apelo popular. Os chamados “pacotes de bondades” ajudaram a colocar o governo e o presidente no centro do debate. Ainda assim, Frederico considera difícil uma virada diante da vantagem conquistada por Flávio na primeira etapa da eleição.

Já o jornalista Kleber Lima evita cravar um vencedor. Para ele, as pesquisas que apontam empate indicam, sobretudo, que Lula avançou mais ao longo do segundo turno, depois de terminar a primeira votação atrás do adversário. O problema, ressalta, é transformar essa evolução em votos suficientes para vencer.

Reprodução

Jornalista Kleber Lima 2

Jornalista Kleber Lima possui no currículo dversas campanhas vitoriosas

Na leitura de Kleber, a reação de setores da classe artística e de grupos ligados à defesa da democracia foi um dos principais movimentos desta etapa da campanha. A vitória de Flávio no primeiro turno teria provocado uma mobilização de segmentos que estavam discretos ou pouco envolvidos na disputa.

O jornalista avalia que a campanha petista conseguiu pautar boa parte do debate, tanto nas redes sociais quanto nas ruas e na agenda pública. Entre os temas que ganharam espaço, cita propostas como o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e o passe livre no transporte aos fins de semana, além de episódios envolvendo o candidato do PL, como sua defesa no caso do policial que matou a menina Ana Clara, a relação com o advogado Willer Tomaz e o desafio relacionado à quebra de sigilos.

Na avaliação do profissional, essa sequência de acontecimentos pode explicar a reação de Lula nas pesquisas e o ritmo mais discreto da campanha adversária. O que ainda não está claro, porém, é o tamanho desse movimento na votação efetiva.

Redes, ruas e abstenção

O publicitário e cineasta Bruno Bini também considera a disputa aberta. Ele observa que os levantamentos divulgados na reta final mostram os candidatos em situação muito próxima, dentro das margens de erro, o que torna a eleição especialmente sensível a pequenas variações na participação do eleitorado.

Bini lembra que, logo após o primeiro turno, Flávio parecia reunir condições mais favoráveis, principalmente pela expectativa de receber votos de candidatos ligados à direita, como Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. O cenário, entretanto, mudou com a reação da esquerda, que passou a investir com mais intensidade na mobilização digital e nas ruas.

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Publicitário Bruno Bini

Publicitário e cineasta, Bruno Bini atuou em váras campanhas políticas vitoriosas

Segundo o publicitário, esse movimento ajudou a engajar eleitores que até então pareciam menos mobilizados. A participação de figuras políticas e personalidades com forte presença popular e nas redes sociais ampliou o alcance da campanha petista e tornou a disputa mais equilibrada.

Na avaliação de Bini, o segundo turno foi marcado pela tentativa das duas candidaturas de combinar o discurso do medo com a apresentação de perspectivas para o futuro. A estratégia, embora compreensível em uma eleição polarizada, pode ter limitações para conquistar o eleitor que rejeita aspectos das duas candidaturas.

É justamente esse segmento, formado por indecisos e eleitores pouco identificados com os concorrentes, que pode fazer diferença na reta final. Para Bini, uma campanha centrada excessivamente no receio da vitória do adversário corre o risco de não oferecer a esse público motivos suficientes para se engajar.

Nesse contexto, as redes sociais ganharam importância por permitir uma comunicação mais dinâmica, emocional e adaptada ao consumo de conteúdo. O publicitário avalia que a disputa digital pode influenciar não apenas a escolha do candidato, mas também a disposição do eleitor de comparecer às urnas.

A abstenção, portanto, aparece como uma variável decisiva. Em uma eleição tão equilibrada, convencer o eleitor a votar pode ser tão importante quanto conquistar sua preferência.

Disputa em aberto

As avaliações dos três profissionais convergem em um ponto: a reação de Lula alterou o ambiente político do segundo turno e impediu que a vantagem inicial de Flávio se traduzisse em uma perspectiva tranquila de vitória. A divergência está no peso desse movimento e na capacidade de cada campanha de convertê-lo em resultado.

Enquanto Humberto acredita que a vantagem acumulada pelo senador será suficiente para garantir sua eleição, Kleber e Bini destacam as incertezas de uma disputa que se estreitou na reta final.

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