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ENTREVISTA ESPECIAL Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017, 08:59 - A | A

Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017, 08h:59 - A | A

Em Cuiabá, ex-zagueiro da Seleção acha 7 a 1 traumático, mas vê chances ao Brasil

Júlio César da Silva trabalha como um dos embaixadores do projeto Bom de Bola, Bom de Escola

Rodivaldo Ribeiro

Reprodução

Julio Cesar Jogador 2

Jogador Julio César trabalha com meninos na base, no projeto Bom de Bola, Bom de Escola, da Prefeitura de Cuiabá

Ex-zagueiro da seleção brasileira no ano de 1986, o paulista nascido em Bauru, em 1963, Júlio César da Silva, hoje vive em Cuiabá e trabalha como um dos embaixadores do projeto Bom de Bola, Bom de Escola, criado na administração do hoje secretário estadual de Cidades Wilson Santos (PSDB) e ressuscitado no mandato de Emanuel Pinheiro (PMDB). Júlio Cesar, como ficou conhecido mundialmente quando jogador (ele atuou em gigantes europeus, como Juventus, da Itália, e Borussia Dortmund, da Alemanha), considera o projeto uma boa oportunidade para encontrar novos talentos para o futebol, mas principalmente para ajudar a formar cidadãos.  Na entrevista que concedeu ao , o ex-jogador falou sobre as chances do Brasil na Copa do Mundo da Rússia no ano que vem, sobre corrupção e assédio às crianças e como isso acontecia menos antigamente, além da necessidade de os pais manterem olhos precisos sobre seus filhos para resguardá-los disso. A carreira começou aos 12 anos, nas categorias de base do Guarani de Campinas. Além dos citados, também jogou pelos franceses Brestois e Montpellier, no Panathinaikos, da Grécia. Ganhou, pelo Borussia, a Liga dos Campeões da Europa e o Mundial de Clubes. Pela Juventus, ganhou a Champions League. Lamenta, obviamente, as quedas das superseleções de 1982 e 1986, além da humilhação diante da Alemanha, em casa, em 2014, mas visa o futuro acima de tudo e lembra: "teremos que engolir e digerir essa derrota histórica e inédita no futebol mundial". Leia abaixo a íntegra da entrevista que ele concedeu ao .

Foi muito difícil chegar à Seleção Brasileira naqueles anos, quando ainda havia a mística da superseleção de 1982?

Os anos 1980 deram uma geração muito boa para o futebol brasileiro em todos os sentidos: técnico, financeiro, todos os clubes tinham categorias de base e uma formação muito boa. Uma competitividade muito grande, mas graças a Deus, no meio de todos esses talentos, consegui um resultado positivo e chegar até à Seleção Brasileira, além de disputar uma Copa do Mundo.

Reprodução

Julio Cesar jogador

Júlio César em foto com a geração 82/86, quando atuou como zagueiro. Ele só lamenta que as melhores seleções do país não tenham conseguido títulos

O que o senhor acha que faltou em 1986 (perdemos para a França, nos pênaltis)?

Era uma geração com alguns dos de 1982 e outros novos, como Muller, Sillas, Alemão, Elzio, jogadores que se juntaram a esse grupo de 82, todos muito bons, a geração Telê, né? Infelizmente tanto em 82 quanto 86, mesmo com um nível técnico muito alto, não conseguimos chegar ao título. Logo depois, em 94, a seleção brasileira conseguiu ser campeã mundial. Mas acho que todas as experiências foram importantes, só lamentamos não termos conseguido títulos, porque tínhamos capacidade para sermos campeões em ambas as Copas. Tanto 82 quanto 86.

O senhor acha que a carreira do futebol é mais dura hoje ou antigamente?

Os sistemas são diferentes. Os jogadores tinham vínculo mais direto com os clubes; hoje, há a facilidade de jogadores se locomoverem de um time pro outro; isso é muito mais fácil.

A Seleção Brasileira tem mesmo chances reais de ser campeã na Rússia?

A geração é muito boa. Depois de alguns anos, logo depois da geração Ronaldinho, Roberto Carlos e Cafu, sofremos um pouco, especialmente em 2014, mas agora, com essa reformulação, com grandes talentos e Tite no comando, acho que temos grandes chances de sermos campeões sim. Apesar do Brasil ser favorito em todas as copas, acho que este ano o Brasil promete muito e há muitas chances de sermos campeões mundiais novamente.

“Acho que o tempo, as situações, os resultados, que acredito que possam acontecer daqui para frente, acho que tudo isso pode sim apagar esse 7 a 1, mas é uma história de um passado ainda recente. ”

Algum dia será possível enterrar o fiasco e a humilhação da Copa de 2014?

Na verdade, isso já se tornou um fato histórico. Mas acho que o tempo, as situações, os resultados, que acredito que possam acontecer daqui para frente, acho que tudo isso pode sim apagar esse 7 a 1, mas é uma história de um passado ainda recente. Aconteceu e é um fato inédito na história do futebol mundial e brasileiro, então, temos que engolir, digerir e fazer voltar a ser o que era o futebol brasileiro. Nós temos capacidade para isso.

Casos de assédio aos meninos são cada vez mais denunciados. Por que se fez silêncio durante tanto tempo?

Eu, sinceramente, vivi os anos 80 e presenciei muito pouco disso aí, principalmente na minha formação, no Guarani. Fora disso, a gente ouve alguns comentários, muitos bem reais e tal, mas acho que em todo lugar acaba tendo disso, mas temos sim que tomar cuidado com os garotos, dar uma formação boa, com entidades sérias nas categorias de base, para evitar constrangimentos e abusos, mas isso vai sempre existir. Ainda mais agora, com essa geração em que tudo é normal. Temos que saber conviver com isso, aceitar jamais, mas saber conviver e tentar direcionar da melhor maneira possível.

Como as famílias devem fazer para proteger suas crianças e ao mesmo tempo manter vivo o sonho de uma carreira profissional?

Tem que tentar direcionar muito bem a educação familiar, que é muito importante. Conversar sobre todos os aspectos, para que possam ter uma orientação e noção do que é o mundo que vão enfrentar dali para frente e dentro de uma entidade esportiva séria. Para que possam evitar qualquer tipo de assédio, não só no nível de pedofilia, mas assédio de todos os sentidos: empresários, corruptos, todo mundo comprando todo mundo. São situações que o mercado coloca porque ele está desse jeito. Tem que se tomar cuidado, principalmente os pais, para não se deixarem levar por essas corrupções, e trabalhar com calma, porque os meninos vão atingir seus objetivos independente de qualquer situação.

Considera que os jovens jogadores de hoje conseguem absorver tudo que poderiam da vivência na Europa?

Depende única e exclusivamente de cada um, da formação de cada um. Esses intercâmbios e mudanças de países dão uma cultura muito grande, mas há também um lado perigoso nesses países, como em tudo tem um lado positivo e outro negativo, independente de ser primeiro mundo ou mais desenvolvido. Acho que o mais importante é tentar assimilar o lado bom de cada país, a cultura, a maneira, a disciplina, o profissionalismo, a seriedade desses países. Isso vale para todos os jogadores que estão lá hoje, como Neymar, Gabriel Jesus, ou mesmo no mundo asiático. Acredito que há muito a acrescentar na vida deles, mas há o lado ruim, acesso às coisas de maneira muito fácil, sem muita cobrança fora de campo. A Europa só tem a acrescentar, mas tem que ter cuidado e cautela muito grande com relação a tudo. Postura profissional é o que mais exigem lá fora.

Gustavo Duarte

Julio Cesar Jogador 4

Ex-zagueiro da geração dos anos 1980, Júlio Cesar, em um discurso em evento realizado pela Prefeitura de Cuiabá

Do que sente mais saudade quando lembra de seus tempos como jogador profissional?

Saudade eu não sinto muita não. Tenho boas lembranças, faz parte; o tempo? Cada um tem sua geração, seu tempo; então queremos deixar coisas boas. Convivo no meio do futebol, frequento futebol, assisto futebol, analiso da minha forma e não tenho muita saudade. Só o normal, só relembro um pouquinho o passado, mas não dá pra comparar o futebol de antigamente com o de hoje. Cada um com sua geração e seu momento, não dá para falar que um foi pior ou melhor, mas o sistema mudou completamente, e a única coisa que posso exaltar é que nos anos 70 e 80 as categorias de base revelavam muito mais jogadores do que hoje. Isso é fato, não é conversa. Antes, todos os times tinham quatro, cinco jogadores formados na base jogando no profissional.

Por que isso não mais acontece?

O sistema mudou, e a lei Pelé prejudicou bastante os clubes, especialmente os formadores de novos jogadores, porque hoje eles (os clubes) não têm segurança para trabalhar categoria de base. Investem e investem e, se não fizerem um contrato, perdem o jogador. Antes dava para trabalhar com um menino dos 15 aos 19 para ver se ele virava mesmo, mas hoje o garoto com 16 anos já tem contrato de profissional. Acredito que isso prejudicou bastante os clubes.

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MARDIO SILVA 02/12/2017

Parabéns Júlio Cesar! Conheço-o a pouco tempo, mas sei do seu interesse e entusiasmo com esse projeto.Uma iniciativa para manter crianças focadas no desenvolvimento do esporte, prática que afasta do envolvimento com malefícios que podem prejudicar toda vida. Sucesso nesse projeto!

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alemao 30/11/2017

Quanto custou essa vinda ...!!!!

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Emerson Antonio da silva 30/11/2017

Sem chance do Brasil ganhar a copa, pois o vidente Carlinhos o mesmo que previu o acidente com a delegação da chapecoence disse que a Alemanha vence de novo a copa de 2018 ok

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3 comentários

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