Gilberto Leite/Rdnews
Filiada hoje ao MDB, Janaina Riva exerce 1º mandato e é única mulher entre 24 ocupantes de cadeira na Assembleia
A mato-grossense Janaina Riva (MDB) tem 28 anos e é a única mulher entre os 24 deputados da Assembleia. Quando assumiu seu mandato, conquistado aos 24 anos e assumido aos 25, chegou como a segunda parlamentar mais votada, vaticinada por 48.171 pessoas. Pertence a ela também o feito de ser a mais jovem eleita naquele pleito e uma das mais jovens (senão a mais) da história. Mãe de dois filhos, nasceu no município de Juara (700 km ao Norte de Cuiabá), mas veio com a família, aos seis anos de idade, para Cuiabá. É filha de José Geraldo Riva e a mudança para a Capital veio justamente por ocasião da primeira eleição dele para deputado estadual. Na Capital, foi alfabetizada e terminou o ensino médio. Voltou, entretanto, à sua cidade natal aos 16 e lá permaneceu até a maioridade. Regressou para fazer faculdade de direito, na qual graduou-se em 2011. À parte destacar-se pela beleza, milita desde muito cedo na política. Ainda adolescente, fez parte da juventude do PSDB e passou por alguns outros partidos até chegar ao atual. Hábil, não foge de nenhuma pergunta mais dura e em momento algum da entrevista perde a compostura ou demonstra irritação, mesmo nos questionamentos mais incisivos. Reconhece os erros do pai, “são fruto de outro momento da política” e, surpreendentemente, diz que nunca foi assediada na AL, ao menos não pelos colegas deputados, e dá uma nota cinco à gestão Pedro Taques (PSDB).
Eis, abaixo, a íntegra da entrevista de Janaína Riva ao
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A senhora é uma mulher bonita e avis rara no Parlamento, entre 23 marmanjos. Enfrenta muito assédio?
Oi, o que é isso (risos)? Não, nunca. Dos colegas nunca. Acho que por serem pessoas que estão ali, extremamente politizadas, com um histórico de participação política, num meio onde tem muita vereadora, líderes de bairro, líderes comunitárias muitas mulheres, tratam com muito mais naturalidade que a população de um modo geral.
Gilberto Leite/Rdnews
Janaína Riva em participação ao vivo nas redes sociais pelo RDTV, tv web do Rdnews, apresentado por Lídice Lannes
Sua beleza atrapalha ou já atrapalhou ser reconhecida como mulher competente alguma vez?
Eu acredito que mais do que a beleza, acho que (como posso falar?)... aparência conta menos que a forma de se portar, se vestir e se comportar. Causa, talvez na população de uma forma geral, uma certa desconfiança, mas não sei se as pessoas pensam exatamente dessa forma, mas o preconceito existe, claro, e se manifesta em comentários às vezes nas redes sociais, quando, ao invés de questionar potencial, capacidadde, trabalho, analisam o perfil estético, vamos dizer, no meu caso, mas com outras mulheres também acontece, né?
De outra feita, a exploração do seu trabalho e figura nas mídias sociais será um trunfo na luta pela reeleição, não?
Acredito que traz sim uma proximidade maior com os eleitores e com população do que quem não utiliza as redes sociais. Isso é inevitável. Quando se utiliza as redes como eu uso, é uma coisa tão natural que as pessoas acabam se sentindo próximas a mim. Quando encontro com elas nas ruas, e até mesmo no trabalho, elas se sentem participando da minha vida e, de certa forma, íntimas. Isso é muito bom, facilita na hora de conquistar o voto, os eleitores, essa intimidade. Identificação, sem dúvida, é uma das vantagens de quem cria um canal direto de comunicação não só com eleitor, mas com a população de forma geral. Têm essa certeza de que me conhecem, sabem o que faço no dia a dia. E isso traz proximidade, logo, acredito que seja muito bom.
“ Quando se utiliza as redes como eu uso, é uma coisa tão natural que as pessoas acabam se sentindo próximas a mim. Quando encontro com elas nas ruas, e até mesmo no trabalho, elas se sentem participando da minha vida e, de certa forma, íntimas”
A senhora é das poucas opositoras ao governador Pedro Taques. Ser oposição é difícil?
Comecei sendo a única, ainda antes do Zeca (Viana) deixar de fazer parte da base do governo. Já foi muito mais difícil, no início era muito mais difícil, mas manter o posicionamento fez com que eu acabasse tendo a confiança das pessoas naquilo que acredito. Tratei desde o início, vamos dizer, como um condicionamento político: não mudei em nenhuma possibilidade nem negociei o que quer que fosse. Ser líder, para mim, da oposição é um certo reconhecimento do trabalho que fiz.
Pode destacar dois projetos relevantes seus que foram aprovados?
Aprovei poucos, só quatro até agora é que viraram lei, mas acredito que sejam mais relevantes as propostas que não foram aprovadas e que são mais difíceis de serem aprovadas justamente por causa da complexidade maior do que as que já foram aprovadas. Acredito que esses projetos sejam mais relevantes, mas dos aprovados destaco o que trata da dislexia e dos transtornos de aprendizagem, déficits visuais e auditivos com uma Política de Promoção da Aprendizagem (Proap) dentro das escolas estaduais. Acho que é o projeto que teve maior clamor popular porque só a população disléxica brasileira se aproxima dos 12%. Essa lei teve uma campanha muito grande, conseguimos derrubar um veto do governo a ele e por isso teve um gostinho especial. A Assembleia fez, inclusive, a maior campanha de informação sobre a dislexia já realizada no Brasil. Outro projeto foi o direito ao passe livre para o acompanhante de PNE (Portador de Necessidades Especiais), algo que considero muito importante, e também o do atendimento multidisciplinar a mulheres e crianças vítimas de abuso sexual, para que sejam atendidas numa única unidade de saúde. Isso para evitar que pessoas fiquem sendo expostas logo após acabarem de ser vítimas de violência. Essa ainda precisa do governo fazer a implantação dela, precisa de enfermeiros de unidades de saúde etc, mas são três que cito que já são leis e são bastante relevantes.
Gilberto Leite/Rdnews
Deputada Janaína Riva diz não se constranger pelo histórico de processos do pai José Riva
Ser filha de um ex-deputado apontado como o mais processado do país a constrange como política?
Não. Não me ofende nem constrange como política, de forma alguma. Acho que meu pai fez parte de um período em que o Brasil tinha uma cultura muito diferente, muito controversa e diversa da que hoje acreditamos que seja o ideal para ocupar um cargo público. Também acho que, de certa forma, já venho com um aprendizado muito grande com relação a tudo o que aconteceu.
Pessoalmente, como filha, não ofende ter seu pai como uma mãe de juiz de futebol, xingado o tempo todo?
Lógico que fico triste como filha, como qualquer filho e membro da família fica triste com situações como essa, mas acho que isso, de certa forma, faz com que não só eu enquanto parlamentar e enquanto filha pense (bem quanto às atitudes), mas faz com que as demais pessoas também passem a refletir como as coisas mudaram dentro de nosso país e em como a população está muito mais vigilante quanto aos atos públicos e em como a população age com relação a essas coisas nos dias atuais. Acho que tenho uma atenção, posso dizer, redobrada com relação a isso.
Gilberto Leite/Rdnews
Deputada Janaina Riva afirma não se abater por comentários de sua vida pessoal
Sei que a senhora não é professora, é deputada, mas de 0 a 10 que nota você daria para o governo Taques?
Acho que 5.
Por que?
Poderia ser muito diferente, teve muita coisa na gestão do Pedro com relação à gestão anterior, a qual acompanhei com mais proximidade, em que se organizaram mais e houve mais zelo com o poder público. Ao mesmo tempo, quando se para para analisar, a gestão Pedro Taques teve mais dificuldades do que tiveram todas as outras anteriores, talvez no trato com a população de um modo geral, não só no serviço público, mas também entre toda a população que carece do serviço público, a gestão Pedro Taques sofre um desprezo muito grande.
Cinco é mais alto do que achei que a senhora daria...
A nota não pode ser dada com o fígado, mas a balança deve ser sobre tudo que foi e deveria ter sido feito. Então, acho que sendo 7 a média, cinco tá de bom tamanho. A gestão tem pessoas capazes, que têm capacidade para auxiliar na condução dessa gestão, mas faltou e falta autonomia. Pessoas em posições-chave, que têm capacidade para estar ali, mas não tinham nem têm poder de decisão. Isso neutraliza essas pessoas. Elas morrem politicamente.
Como faz para lidar com tanta falação em torno de sua vida pessoal (sexual, amorosa)?
Acho que já melhorou muito. No início havia muita curiosidade com aquilo que é desconhecido. Mato Grosso nunca tinha passado pela experiência de uma parlamentar tão jovem, quando assumi a primeira gestão, tinha 25 anos. Assumi meu mandato depois de ter sido eleita com 24, então, a especulação não foi por minha vida sexual e amorosa, foi muito mais por ter sido mulher e jovem do que qualquer outra coisa. Isso melhorou hoje justamente pela forma que escolhi para lidar com o assunto, com muita naturalidade, paciência e por não me deixar abater pelos comentários sexistas, machistas, que surgiram dentro da Assembleia Legislativa; ao contrário, acionei a justiça quando necessário. Isso mostrou e me deu força para fazer as pessoas respeitarem um pouquinho mais.








Tairone 20/01/2018
Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário
marcos gonçalves 20/01/2018
se ela é de maior então porque usa os bens do pai dela que vergonha para ela
Mabuia do Pantanal 19/01/2018
Povinho adora uma politicacilga.....A deputada, maior e vacinada, responde por ela. O Pai, pelos atos dele. Simples assim. Querer desmerecer a melhor deputado do estado, nunca envolvida em nenhum escândalo de falcatruas, pelos atos do pai, somente as mentes doentias e carcomidas dos preconceituosos e dos desinformados que jogam unicamente com finalidade politiqueira, no pior sentido da palavra. Avante Janaina. Teu caminho é brilhante!!!!
alexandre andrade 19/01/2018
Eita povo que gosta de julgar...o importante é ela fazer um bom trabalho, trilhar sua própia história na politica como gestora publica, sua vida particular não nos cabe, apenas torcemos para que seja honesta com o povo de matogrosso!, torço para que suas escolhas sejam boas..para o bem de todos.
jose alves silva 19/01/2018
nota zero para essa deputada riva só merece zero essa deputada do riva
Paulo 19/01/2018
Ela é muuuuuuuito gata.
Saulo 18/01/2018
Ela tem CPF próprio não pode ser acusada pelos erros do pai, quem acusa ela são covardes, deixa ela trabalhar, ela gosta do povo.
Tairone 18/01/2018
Está muito poderosa pois tem muito dinheiro na família Riva para torrar,criaram patrimônio para várias gerações de Rivas,
Manu 18/01/2018
Minha governadora. Se continuar nessa linha e não se deixar levar pelos mesmos erros do pai tem tudo pra ser a primeira governadora de MT um dia.
João da Silva 18/01/2018
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10 comentários