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ENTREVISTA ESPECIAL Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2018, 10:32 - A | A

Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2018, 10h:32 - A | A

Lateral do 1º título do Corinthians, Elias diz apoiar renovação e aposta no Mundial

Rodivaldo Ribeiro

Gilberto Leite

Elias Corinthians Dom Bosco

Elias Rosa, lateral esquerdo titular do 1º título do Timão, mora em Cuiabá e atua como auxiliar técnico do Dom Bosco

Antes de 1990, o hoje multicampeão Corinthians (hexa Brasileiro, Libertadores, Mundial) não tinha sequer um título nacional. A geração comandada por Neto e Tupãzinho conseguiu o feito. O personagem da entrevista especial desta semana também estava em campo na ocasião, na lateral esquerda e contava apenas 22 anos. Cuiabano, Elias Rosa, 50, foi Jogador de futebol por toda a vida.

Novamente morador da Capital já há alguns anos, trabalha como auxiliar técnico no lendário Esporte Clube Dom Bosco. Em uma conversa rápida, Elias contou ao várias coisas, como os pasteis e garapa secretos do meia Neto ("ele mandava no Corinthians, mas todo mundo gostava demais dele"), assédio sexual no meio ("sempre existiu e hoje é pior, muito mais descarado"), afirmou gostar da renovação dos técnicos no país ("são muito bons, estudam futebol"), do quanto vê muita chance para a Seleção Brasileira este ano, da evolução nos treinamentos e várias outras coisas relacionadas a sua maior paixão: o jogo inventado na Inglaterra, mas popularizado e tornado religião no Brasil.

Eis, abaixo, a íntegra da entrevista com o ex-jogador Elias Rosa.

O senhor jogou no Corinthians em 90, quando o time ganhou o primeiro Brasileiro... 

(Interrompendo) Sim, tive a felicidade de estar no grupo, que foi campeão e mais orgulho ainda por ser um cuiabano e ter essa oportunidade de ser campeão brasileiro.

Gilberto Leite/Rdnews

elias ex-jogador

Ex-atleta Elias lembra dos tempos de outrora e critica profissional que participa de futebol

Se sente um dos responsáveis pela semente dos muitos títulos atuais?

Acho que o grupo todo foi responsável, mas a gente tava no grupo. É uma coisa muito gratificante, principalmente para os corinthianos, porque todos lembram, né?

Foi da última safra de jogadores regionais do tempo em que o futebol local enchia estádios. O que houve?

Antigamente era todos os jogos, indiferente de ser Mixto, Dom Bosco, Operário, sempre com casa cheia. Hoje em dia, você monta time, monta time, mas ninguém vai aos estádios. Dispersou muito o público, tem muitos campeonatos, mais a televisão exibindo futebol de manhã, à tarde, à noite. Cabe aos dirigentes tentar arrumar uma solução, porque tá cada vez pior a situação.

Havia alguma rivalidade entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso no seu tempo?

Sim, o Operário de Campo Grande chegou ao quarto lugar do Campeonato Brasileiro da série A. As rivalidades eram o Operário daqui com o Operário de lá e o Mixto daqui e o Comercial de lá. Eram essas as maiores rivalidades.

Isso não era saudável para os dois Estados, na medida em que não temos mais time sequer na Série B?

Muito, dava uma mexida no futebol regional (neste lado do Centro-Oeste). Sem dúvida mobilizava torcida essa rivalidade. Mas não foi só isso (que derrubou Mato Grosso no cenário nacional), começou (a queda) com a divisão dos dois Estados. Tanto lá quanto no nosso Mato Grosso o futebol acabou ficando bem abaixo do nível do resto do futebol brasileiro. Tinha que tentar dar uma mexida e revolucionar isso.

“Os jogadores eram muito mais aplicados que hoje em dia. Os da antiga não jogavam, por exemplo, campeonato amador”

O nível do futebol mato-grossense caiu em comparação com os anos 80?

Muito. A qualidade dos jogadores, né? Os jogadores eram muito mais aplicados que hoje em dia. Os da antiga não jogavam, por exemplo, campeonato amador. Mas hoje acabou o profissional, começam os amadores e você vê a maioria jogando no amador.

Eles se resguardam menos então do que no seu tempo?

Não. Eles nem se resguardam: acaba o campeonato, eles ficam sem ter o que fazer e aceitam jogar pra ganhar R$ 100, R$ 150 (por partida). Aqui no Dom Bosco, temos uma cartilha: quem for pego jogando amador é mandado embora na hora. Também tem mais: as pessoas vêem os profissionais jogando toda hora no campinho perto de casa e pensam “eu não vou pagar 20 contos pra ver esse cara, que vejo jogando toda hora”. Jogadores tinham que se resguardar mais sim.

Gilberto Leite

Elias Corinthians Dom Bosco

Elias Rosa concede entrevista, enquanto auxilia jogadores do Dom Bosco no treino, nesta quarta, e pontua que antes os atletas eram muito mais aplicados

Há o risco das lesões, não?

Sim. E se lesiona, aonde eles vão tratar? Nos clubes.

Aparecia muito mais jogadores de nível técnico elevado naqueles tempos em comparação com hoje?

Muito mais. Caiu muito a qualidade, porque os jogadores de antigamente eram muito mais aplicados do que os de hoje.

O senhor acha que a carreira do futebol era mais dura antigamente do que agora?

Não dá nem pra comparar. Vou te dar um exemplo: jogadores das antigas tinham sempre muito problema no joelho, porque nosso aquecimento era feito correndo 10, 12 quilômetros. Tinha outro treinamento feito subindo e descendo escadas. Hoje, os jogadores mal dão três, quatro voltas no campo correndo, o resto é academia e bater-bola com triângulo e baliza.

Mas o futebol não é mais dinâmico hoje?

É muito mais dinâmico, exige muito mais força, mas a técnica da preparação física evoluiu bastante, não esgarça mais os jogadores como antigamente. Correr no chão duro, no asfalto. Em Ribeirão Preto, quando saímos daqui, subíamos e descíamos escada, isso acabava com os joelhos. Hoje é muito mais tranquilo com borrachinha, academia.

A Seleção Brasileira tem chance de ser campeã na Rússia?

Acredito que sim, o Tite é um cara muito inteligente e ele tem o grupo na mão, o comando. Com as rédeas das coisas na mão, mais o menino lá do Barcelona (Felipe Coutinho), Neymar, Gabriel Jesus. É o tipo de jogador que quando você chega, já é outra coisa, porque já impõe respeito.

Como se sentiu no dia do fiasco e humilhação da Copa de 2014?

Rapaz, eu nem queria sair de casa. Como brasileiro, me senti envergonhado, mas parecia que os jogadores não estavam nem aí. Saiu dali, ganhou, perdeu, acabou. Terminou o amor pelos clubes, pelo futebol, os jogadores não estão mais nem aí.

Havia muito assédio sexual aos meninos nos 80?

Tinha e muito. Aqui em Cuiabá, fora daqui, em todo lugar tem. Com jogador ganhando um salário mínimo... O jantar é normalmente às 6h (da noite) e carros chegam trazendo pizzas, chamando pra sair.

Isso não acabou com o maior número de denúncias?

Acabou nada, sempre vai ter e agora está é mais descarado. Aonde tem jogador, tem isso. Ainda mais hoje, onde tudo é mais escancarado, seja homem com homem, mulher com mulher. Não é ser careta, é só um fato.

Como os pais podem fazer para resguardar os filhos disso?

Ensinamento em casa, orientação. Tenho 50 anos e ensinamentos que tive em casa eu lembro até hoje. Isso é uma coisa que ninguém esquece.

O atual sucesso do técnico do Corinthians pode mudar as coisas no circuito de treinadores brasileiros? É o fim dos medalhões de R$ 700 mil, R$ 1 milhão mensais?

Acho que sim, e está abrindo espaço para os mais novos. Indício de uma renovação, e isso tem de acontecer em todas as áreas. Não só jogadores, treinadores também. É bom pro futebol brasileiro. E esses treinadores mais novos são muito bons, estudam muito o futebol. Aquele rapaz lá do Botafogo foi pro Santos e fez um limpa. Tem que mudar, renovar.

Neto (ex-meia, hoje apresentador) sempre foi encrenqueiro como aparece na televisão ou é só um personagem?

Não é personagem não. Ele sempre foi encrenqueiro, sempre. E mandava no Corinthians na época (risos). Pra você ter uma ideia, morávamos em Campinas, eu e ele. Todos os dias, íamos cedinho pra São Paulo e à noitinha voltávamos pra cidade. Quando ele estava a fim de treinar, ficava só ele e a barreira lá, batendo falta. Ele fazia regime, mas chegava quarta-feira, quando chegávamos na pracinha, era dois pasteis de queijo e um caldo de cana. E ele falava pra mim: “se você contar pros caras lá, você tá f...”. Muito gente boa, mandava no Corinthians porque todo mundo gostava demais dele.

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Joao 11/01/2018

Corrigindo o título da matéria: Lateral do 1º título CAMPEONATO BRASILEIRO do Corinthians, Elias diz apoiar renovação e aposta no Mundial. Só pra lembrar primeiro título do Corinthians foi em 1914.

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Victor Hugo 11/01/2018

Ta inteiro ele, já que o primeiro título do Corinthians foi em 1914.

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2 comentários

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