O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) divulgou, em 9 de outubro, um comunicado oficial sobre os desafios do setor de apostas no país. A manifestação veio após a análise da Medida Provisória 1.303 na Câmara dos Deputados, em 8 de outubro, que acabou não sendo apreciada pelo plenário. A MP previa novas regras tributárias, incluindo a taxação de títulos de investimentos e cobranças retroativas de operadoras de apostas. A decisão dos parlamentares — 251 votos a 193 — resultou na caducidade da proposta.
A entidade, que representa as principais empresas de apostas que atuam no Brasil e no exterior, reforçou que o combate ao mercado ilegal é a forma mais eficaz de ampliar a arrecadação e garantir segurança aos apostadores. Dados de um levantamento das consultorias LCA e Locomotiva, citados pelo Instituto, apontam que o mercado clandestino de cassinos já representa 51% do total de apostas no país, movimentando cerca de R$40 bilhões por ano. Esse volume, segundo o estudo, gera uma perda de R$10,8 bilhões em impostos que deixam de ser recolhidos aos cofres públicos.
O estudo também estima que cada avanço de 5 pontos percentuais na formalização do mercado pode resultar em R$1 bilhão adicional em arrecadação. Para o IBJR, a formalização e o fortalecimento da regulamentação são caminhos que favorecem tanto o Estado quanto os consumidores, permitindo um ambiente mais transparente e seguro.
Para conter a expansão do mercado irregular de cassinos, o Instituto apresentou três medidas prioritárias. Essas propostas incluem obrigar plataformas digitais a removerem conteúdos de operadores sem licença em até 48 horas; proibir que fornecedores de tecnologia ofereçam suporte técnico a sites irregulares; e intensificar a cooperação com empresas de meios de pagamento, a fim de identificar e bloquear transações suspeitas ligadas a apostas não regulamentadas.
Essas ações, de acordo com o Instituto, seriam decisivas para enfraquecer a rede financeira das plataformas clandestinas, muitas vezes envolvidas em operações ilícitas. Investigações recentes apontam que facções criminosas utilizam bets irregulares para lavar dinheiro, como revelou reportagem do portal RD News, que destacou o uso de apostas esportivas para movimentações financeiras suspeitas e tentativas de influência social.
Jogo responsável e perfil dos apostadores
O IBJR reforçou que o fortalecimento de políticas de jogo responsável deve ser prioridade na regulamentação do setor de apostas e jogos de cassino. Segundo o Instituto, promover práticas seguras é essencial para proteger os consumidores e impedir que o ambiente de apostas seja explorado por atividades ilícitas.
A preocupação é reforçada por investigações recentes que mostram como o uso indevido de plataformas de apostas e cassino online pode ser manipulado por organizações criminosas. Em notícia recente, uma facção teria utilizado o futebol amador para lavagem de dinheiro e tentativa de influência social em comunidades, com o apoio de sites de apostas clandestinos. O caso, investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso, acendeu um alerta sobre a importância de uma regulamentação eficaz e de mecanismos de rastreamento financeiro que impeçam o uso das bets para fins ilegais.
Para o IBJR, esse tipo de situação mostra por que o combate ao mercado irregular deve caminhar lado a lado com o incentivo à educação e à conscientização dos jogadores. A entidade defende a criação de ferramentas de autolimite, bloqueio voluntário e campanhas educativas permanentes, além de cooperação entre governo, operadoras e instituições financeiras para reduzir riscos de vício e vulnerabilidade.
De acordo com o levantamento de um cassino sobre o Perfil do Apostador Brasileiro no iGaming 2025, 59% dos apostadores são homens e 41% mulheres, com destaque para a faixa etária de 25 a 40 anos (42,1%), seguida por 41 a 56 anos (24,6%). A maioria pertence às classes C1 e B1, que juntas somam 47% dos jogadores online — o que demonstra que o público brasileiro de apostas é, em sua maioria, formado por pessoas da classe média e média alta, com acesso constante à internet e meios de pagamento digitais.
O levantamento reforça que o comportamento predominante é o de jogadores ocasionais, motivados pelo entretenimento de jogos populares como Aviator, e não pela busca de ganhos financeiros. Ainda assim, o IBJR ressalta que o crescimento desse público exige estratégias de prevenção e responsabilidade social, para garantir que o lazer não se transforme em risco econômico ou em porta de entrada para práticas ilegais.
“A promoção do jogo responsável é tão importante quanto o combate à ilegalidade. Apostar deve ser uma escolha consciente, dentro de limites e em ambientes regulamentados”, afirma o comunicado do Instituto.
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