O empresário Josino Guimarães foi absolvido pelo Tribunal do Júri, no julgamento finalizado na noite desta quarta (23), na sede da Justiça Federal, em Cuiabá. Ele era acusado de ser o mandante do assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, ocorrido em 1999. À época o magistrado denunciou Josino de intermediar um esquema de venda de sentenças na Justiça Estadual.
O julgamento de Josino teve início na segunda (21) e durou três dias. Ao final, a Justiça acatou a tese da defesa da falta de provas ligando o empresário ao homicídio.
O Ministério Público Federal, responsável pela acusação do réu, já anunciou que não vai mais recorrer do caso.
Essa foi a segunda vez que o empresário sentou no banco dos réus para responder sobre a morte do juiz Leopoldino. O primeiro tribunal do júri ocorreu em 2011. Naquele ano, o empresário também acabou sendo absolvido. O júri chegou a reconhecer que Josino foi o mandante do crime, porém decidiu que ele não deveria ser condenado.
O julgamento acabou sendo anulado pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que deu provimento à apelação interposta pelo Ministério Público Federal.
Agora, já em 2022, em seu depoimento, realizado na terça (22), o empresário chegou a chorar e disse que o ex-procurador da República, Pedro Taques, acabou com sua vida o acusando de ser o suposto mandante do assassinato.
O julgamento seguiu nesta quarta. O último dia, do Tribunal do Júri foi reservado para o debate entre acusação, feita pelo procurado da república Fabrício Carrer, do Ministério Público Federal, e defesa, que teve à frente o advogado João Cunha.
A acusação sustentou que Josino tinha interesse na morte do magistrado, pois meses antes havia sido apontado por Leopoldino como corretor de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
"Não tenho dúvida nenhuma que Josino foi o mandante. Todos esses elementos mostram que ele assassinou por meio de um matador o juiz Lepoldino. O preço da cabeça de um magistrado custa caro e só poderia ser pago por alguém com poderio, e Josino tinha plenas condições econômicas para pagar pela morte", disse.
A defesa se apegou à ausência de provas testemunhais que ligassem Josino ao assassinato de Leopoldino. De acordo com o advogado, o caso é “uma grande mentira”.
"É preciso haver testemunhas melhores que esses bandidos. Melhores do que a Beatriz [condenada pelo caso]. É preciso ter mais provas dessa denúncia. Eu já vi denúncia mais eficiente. Isso é uma fofoca, um amontoado de mentiras", completou.
Terminados os debate, o Conselho de Sentença se reuniu e decidiu pela absolvição de Josino Guimarães, mais uma vez.
O crime
Há mais de 22 anos, o corpo do juiz Leopoldino foi encontrado em uma estrada vicinal na fronteira do Brasil com Paraguai. O cadáver do magistrado estava carbonizado e perfurado por balas de arma de fogo. Ele foi jogado em uma vala, ao lado de uma estrada de terra batida.
Apenas a ex-escrevente do Tribunal de Justiça Beatriz Árias foi condenada por coparticipação no crime. Ela acabou sentenciada a 12 anos sob acusação de contratar o tio para executar o magistrado. O tio dela, Marcos Peralta, que seria o autor dos disparos que mataram o juiz, morreu na prisão, em 2005.
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Pericles 24/02/2022
E os 9 desembargadores que o Leopoldino acusou, depois de ser acusado por eles. Que fim levou.
Jota Aguiar 24/02/2022
Foi feito justiça. Josino é inocente. Pedro Taques usou imprensa pra se candidatar ao senado e foi expulso à pontapés pelo povo. Igual Bolsonaro.
deovaldo 23/02/2022
Chega né, somente para desgastar a família e o réu que não é réu,,,está absolvido por duas vezes,,,ninguém consegue este feito se realmente não for inocente, tinha que processar o MPF, por falta de provas contundentes e que apontava como autor in conteste. Mas enfim, ainda bem que a justiça foi feita...Parabéns doutor por defender com maestria um inocente...comprovadamente e reiterado.
3 comentários