O delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, revelou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está investigando a possível proximidade entre o advogado Roberto Zampieri, com um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Esse vínculo teria sido a motivação para a execução do jurista, que aconteceu em dezembro do ano passado, na Capital.
Como já informado pelo
, as investigações da DHPP apontam que a disputa de uma terra avaliada em R$ 100 milhões foi o “estopim” para a execução de Zampieri. Aníbal Manoel Laurindo, 74 anos, teria ficado com medo de perder a terra e teria mandado matar o advogado por conta de um suposto vínculo de Zampieri com o desembargador, que não teve o nome revelado.
Na época da ação, Aníbal chegou a entrar com um pedido de suspeição, falando da proximidade do advogado com o desembargador. O magistrado teria negado o vínculo. “Agora cabe ao CNJ, que já pediu análises dos celulares para fazer a investigação devida”, revelou Nilson.
Inquérito concluído e fazendeiro indiciado
O empresário e fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, foi indiciado por ser o mandante da execução do advogado Roberto Zampieri. Ele deve responder pelos crimes de homicídio duplamente qualificado pela emboscada e promessa de recompensa.
O fazendeiro chegou a ser preso temporariamente em março deste ano, mas foi solto durante audiência de custódia. A esposa dele Elenice Ballarotti, 68 anos, também teve a ordem de prisão revogada na época e não foi indiciada pela Polícia Civil, pois foi concluído que não há provas da participação da mulher.
Durante o inquérito policial, ficou comprovada a ligação entre Aníbal e o intermediário Coronel Caçadini, e o vínculo deste com os executores. Segundo o delegado Nilson Farias, a motivação confirmada foi uma disputa de terras em Paranatinga. A terra foi avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
"São várias fazendas contíguas nessa propriedade. O irmão de Aníbal havia perdido a primeira ação que buscava reivindicar a terra e na hora de a Justiça executar a sentença, a fazenda de Aníbal entrou no processo. Para não perder essa terra, Aníbal mandou matar Zampieri, que defendia o outro uma terceira pessoa, do outro lado", explica Nilson.
Além disso, o mandante acreditava que existia uma proximidade entre o advogado Zampieri e um desembargador, o que poderia impactar em uma segunda perda judicial para a outra parte. Segundo o delegado, as provas encontradas nos celulares e imagens de câmeras de segurança foram essenciais para identificar a motivação do crime.
"Nesse processo, as datas sao muito coincidentes. No celular do Coronel Caçadini encontramos imagens dessa disputa, dessa ação civil, o que contradiz a fala do coronel de que não conhecia ninguém de Cuiabá na época. Além disso, assim Zampieri entrou na ação cível com pedido de produção de provas, no mesmo dia foi tirada uma foto do escritório do do advogado, além das ligações nas mesmas datas", declarou.
Outros envolvidos
A Polícia Civil já indiciou por homicídio qualificado três suspeitos de participação no crime: Etevaldo Luiz Caçadini, Antônio Gomes e Hedilerson Barbosa.
Para a Polícia, não há dúvidas da participação do trio no crime. Caçadini é o financiador, Antônio Gomes da Silva é apontado como executor e Hedilerson Barbosa seria o suposto intermediário. Todos seguem presos.
O caso
No dia 5 de dezembro do ano passado, o advogado Roberto Zampieri deixou o escritório em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado.
Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de segurança de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.
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