Beto Barata (PR)
Delação premiada de Silval Barbosa aponta ministro Blairo Maggi em esquema corrupto
O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) teria revelado que o ex-chefe do Executivo Blairo Maggi (PP), hoje ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), ajudou a arquitetar um esquema para liberar dinheiro de precatórios (dívidas recorrentes de ações judiciais) em troca de apoio parlamentar.
A informação foi divulgada na madrugada desta sexta (4), pelo jornal Folha de São Paulo, que teve acesso à delação de Silval, assinada há cerca de dois meses.
A colaboração premiada, contudo, ainda deverá ser homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, que chegou a dizer que a delação do ex-governador é "monstruosa" e será a maior do país depois da Operação Lava Jato.
Além de Blairo, as informações comprometeriam os senadores Wellington Fagundes, Cidinho Santos (ambos PR) e deputados federais - leia reportagem. Ambos teriam se beneficiado com recursos ilícitos. Silval teria entregado pelo menos mais três deputados federais com mandatos em curso, no entanto, os nomes não foram identificados pela Folha. Repasses a conselheiros do Tribunal de Contas Estadual também comporiam a delação de Silval.
Ainda de acordo com o jornal, o peemedebista também revelou um esquema de pagamento de “mensalinho” para deputados estaduais que atuaram em sua gestão para lhe garantir apoio. Para comprovar as revelações, Silval teria apresentado vídeos dos deputados estaduais recebendo dinheiro em espécie. Os valores pagos giravam em torno de R$ 80 mil, disseram envolvidos no acordo à Folha.
“Silval Barbosa revelou esquema de pagamento de “mensalinho” para deputados estaduais que atuaram em sua gestão”
O ex-deputado estadual José Riva já havia comentado, em março deste ano, sobre esquema semelhante que, segundo ele, começou a existir, de forma mais generalizada, em 2003.
Conforme a reportagem, o acordo de Silval prevê o pagamento de multa de R$ 80 milhões. Antes, contudo, o valor solicitado pela Procuradoria Geral da República foi de R$ 150 milhões. Com essa colaboração, Silval passa a ser o primeiro ex-governador do país a se tornar delator.
O advogado do peemedebista, Délio Lins, que negociou o acordo, é o mesmo que conduz a delação do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso no Paraná. À Folha, Délio não quis se manifestar sobre a colaboração de Silval.
O ex-governador comandou o Estado de 2010 a 2014. Ele foi preso em 17 de setembro de 2015, por força da Operação Sodoma 1, que trouxe à tona a existência de uma organização criminosa liderada pelo peemedebista que fraudava a concessão de incentivos fiscais. Ele foi solto em junho, após 1 ano e 9 meses enclausurado no Centro de Custódia de Cuiabá.
Outro lado
À Folha, Blairo afirma, por meio de assessoria, que nunca usou “de meios ilícitos” na relação com deputados estaduais. Garante que quando tiver acesso à delação de Silval, usará de “todos os meios legais necessários para se defender”. “Causa estranheza e indignação que possíveis acordos, muitos ainda não homologados, coloquem em dúvida a credibilidade de figuras públicas que tenham exercido com retidão cargos na administração pública”.
Cidinho Santos e Wellington Fagundes disseram que não conhecem a delação e, portanto, não podem comentar o assunto.
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Ouvinte 04/08/2017
Retidao?! Palavra que nao combina com o novo/velho acusado. Quem sabe, conhece. Quem conhece, sabe.
WL 04/08/2017
O Primo Taques, Ex Casa Civil também negava tudo até agora a pouco.
alexandre 04/08/2017
caiu a casa..
MARCOS ROBERTO 04/08/2017
Tem que trocar esses políticos , renovação 100% com urgência, se não nunca vai acabar essa vergonha . 2018 tá chegando fica a dica .
Edval da Silva Campos 04/08/2017
"Isto é uma vergonha"
5 comentários