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Polícia Quarta-feira, 10 de Setembro de 2025, 17:55 - A | A

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FEMINICÍDIO EM ITIQUIRA

Filha de cozinheira morta tinha medida protetiva contra padrasto e convivia com ele na mesma casa

A vítima morava junto com o padrasto, mesmo com medida protetiva contra ele

Maryelle Campos e Patrícia Sanches

A filha da cozinheira Fabiana Sanches Cardoso, de 42 anos, vítima de feminicídio na zona rural de Itiquira (362 km de Cuiabá), na última segunda-feira (8), convivia na mesma casa que o padrasto, Edinei Serafim de Souza, de 32 anos, acusado de abusar sexualmente da enteada e apontado como suspeito de assassinato da esposa.

Reprodução

 Edinei Serafim de Souza e Fabiana Sanches Cardoso itiquira ouro branco

Como revelou a promotora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Claire Vogel Dutra, apesar de possuir medida protetiva contra o padrasto por violência doméstica, também condenado, em primeira instância, por abuso sexual contra a enteada, à epoca com 13 anos, a menina convivia na mesma residência que o agressor. “Eles estavam todos juntos na mesma casa. A vítima com o agressor”, afirmou em tom de revolta, durante visita à sede do , onde concedeu entrevista ao Rdtv Cast, que irá ao ar nos próximos dias. 

O processo de abuso, porém, corre em segredo de Justiça e só veio a público porque foi relembrado na argumentação do juiz Daniel de Souza Campos durante audiência de custódia de Edinei, que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. 

No dia da morte da mãe, a menina também teria recebido um áudio do padrasto, minutos após os disparos. Fabiana foi assassinada com três tiros. Na mensagem, ele teria avisado que matou a mãe da enteada, além de ter pedido que cuidasse do irmão mais novo, filho do casal.  

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Jornalista Greyce Lima entrevista promotora  Claire Vogel Dutra durante Rdtv Cast

Jornalista Greyce Lima entrevista promotora Claire Vogel Dutra durante Rdtv Cast. Programa irá ao ar nos próximos dias

Casos parecidos

A promotora chamou atenção para casos semelhantes a esse em que a mãe sabe que a filha passa por abuso, mas acoberta o companheiro.

“É muito comum acontecer isso. A mãe ter ciência de que o seu marido abusa sexualmente de sua filha, seja enteada ou filha biológica do agressor, e mantém esse relacionamento, acoberta esse crime e mantém aquela criança ali. Essa criança deveria ter sido tirada da mãe e encaminhada para um outro familiar ou abrigo para que seja resguardada a integridade física e psicológica também. Mas é uma situação muito grave que só revela a necessidade de que todos precisam efetivamente tomar providências”, enfatizou. 

Dutra ainda destacou que o combate e ação pode partir de todos, não apenas de órgãos públicos, como da própria família e pessoas presentes no dia a dia das crianças.

“A escola sabendo de uma situação dessa tem que denunciar. O conselho tutelar sabendo de uma situação dessa tem que tomar providência. O Ministério Público, o Poder Judiciário…Todo mundo! Cadê a avó, o avô, o tio, a tia, alguém da família que estava sabendo disso e que não tomou providências? Cadê o dono da fazenda, o patrão? Eles moravam dentro de uma fazenda, eram funcionários. Acho que cada um tem que assumir a sua responsabilidade. Porque apontar o dedo e falar ‘é culpa do Estado que não está tomando providência’. Cada um tem a sua parcela de responsabilidade. O Estado tem e não pode se eximir dessa responsabilidade, mas ele também não está sozinho nessa situação”, declarou. 

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