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EVENTOS EM CUIABÁ

Suspeitos tinham funções específicas em esquema de lavagem do CV - entenda

Dezenas de mandados de prisão, busca e apreensão e sequestro de bens foram expedidos pela Justiça

João Aguiar

Organograma realizado pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (Ficco) revelou a função de cada uma das pessoas investigadas na Operação Ragnatela por suspeita de lavar dinheiro do Comando Vermelho, que vinha do tráfico de drogas, com eventos em casas noturnas de Cuiabá. A ação contra o grupo foi deflagrada na última quarta-feira (05).

Empresários, influenciadora digital, ex-jogador de futebol, servidores e o vereador por Cuiabá, Paulo Henrique (MDB), foram alguns dos alvos da ação. Dezenas de mandados de prisão, busca e apreensão e sequestro de bens foram expedidos pela Justiça.

PJC

Opera��o Ragnatela esquema cv

Joadir Alves Gonçalves, conhecido como “Jogador”, foi um dos alvos de mandado de prisão. Ele é apontado como uma das lideranças do esquema e responsável por recolher os recursos obtidos com a venda de drogas e “investir” na compra de casas noturnas e realização de shows e eventos.

Segundo a investigação, Jogador receberia o dinheiro de integrantes operacionais, identificados como Joanilson de Lima Oliveira, conhecido como “Japão”, e João Lennon Arruda de Souza.

Grande parte do dinheiro, em espécie, seria repassado para o empresário Willian Aparecido da Costa Pereira, conhecido como “Willian Gordão”, que é dono da casa de show Dallas Bar, onde aconteciam alguns dos eventos da quadrilha.

Willian Gordão, conforme a Ficco, repassaria os valores para operadores e promotores de eventos Rodrigo de Souza Leal e Elzyo Jardel Xavier Pires, com objetivo de custearem parte dos shows no Dallas Bar e em outras casas noturnas identificadas pelas investigações. A investigação também apontou que Rodrigo e Jardel contariam com o investimento de um grupo de promoters denominado G12 Eventos.

Reprodução

Organograma Opera��o Ragnatela

Contabilidade

Conforme a investigação, após a realização dos eventos, a contabilidade seria efetivada e os lucros proporcionalmente repartidos por Rodrigo e Kamilla Beretta Bertoni aos investidores e idealizadores: "os membros do G12 e integrantes do Comando Vermelho".

Segundo apuração da Ficco, a repartição ocorreria por meio de depósitos fracionados. "Utilização de depósitos fracionados para evitar as identificações dos depositantes e origem ilícita dos valores distribuídos; e a utilização de empresas de fachada para ocultar as transações, como é o caso aparentemente das pessoas jurídicas Dom Carmindo Lava Jato e Conveniência, W A Da Costa Pereira (Expresso Lava Car E/Ou Complexo Beira Rio), Restaurante e Peixaria Mangueira Ltda, Dallas Bar Eireli e Strick Pub Bistro e Restaurante Ltda", diz trecho do documento.

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Organograma Opera��o Ragnatela

Agentes públicos

O documento da Ficco também revelou o suposto envolvimento de agentes públicos na organização criminosa. Alguns dos citados são o vereador Paulo Henrique de Figueiredo, o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Ordem Pública e Defesa Civil de Cuiabá, Benedito Alfredo Granja Fontes (já falecido) e do agente de Regulação e Fiscalização, Rodrigo Anderson de Arruda Rosa.

O vereador, segundo a apuração, atuaria em benefício do grupo na interlocução com os agentes públicos para facilitação da realização dos eventos, recebendo, em contrapartida, benefícios financeiros.

“O grupo criminoso conta com o auxílio dos agentes supracitados, os quais flexibilizam a concessão de licenças e alvarás durante a realização dos eventos, recebendo, em contrapartida, benefícios financeiros de forma direta e indireta do grupo responsável pela promoção dos shows, ou seja, G12 EVENTOS e integrantes do Comando Vermelho”.

Reprodução

Organograma Opera��o Ragnatela

Grupo G12

Conforme as investigações, a “G12 Eventos” é apontada como um grupo que supostamente integraria o esquema de lavagem de dinheiro da facção. Várias pessoas, incluindo diversos promotores de eventos, foram alvos de mandados da operação - veja nomes abaixo.

  • Joadir Alves Goncalves, vulgo Jogador ou Veio ou Joga;
    Willian Aparecido da Costa Pereira, vulgo Willian Gordão;
    Rodrigo de Souza Leal, vulgo Leal;
    Elizyo Jardel Xavier Pires, vulgo Jardel;
    Wilson Carlos da Costa, vulgo Vampiro;
    Renan Diego dos Santos Josetti, vulgo RD;
    Rafael Piaia Pael;
    Danilo Lima de Oliveira;
    Vinicius Pereira da Silva, vulgo Jabá;
    Antidia Tatiane Moura Ribeiro, vulgo Taty;
    Ana Cristina Brauna Freitas, vulgo Anna;
    Stheffany Xavier de Melo Silva, vulgo Xavier;
    Matheus Araujo Barbosa, vulgo Araújo;
    Everton Marcelino Muniz, vulgo Detona;
    Vinicius Barboza da Silva, vulgo Melão;
    Mestre: Não qualificado.

 

"Ainda quanto ao modus operandi maquinado pelo grupo criminoso e compondo a prova da existência do crime, cabe ressaltar que a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados indicaram movimentações financeiras vultosas, a demonstrar como o dinheiro proveniente do tráfico de entorpecentes da facção criminosa CV é lavado por meio de estabelecimentos comerciais e transações bancárias entre faccionados", aponta o relatório da Ficco.

Sócios

A investigação também apontou a existência de supostos sócios do grupo criminosos nas casas noturnas em que os eventos são realizados, isto no intuito principal de dissimular a propriedade e verdadeira atividade das empresas de eventos. Seriam eles: Clawilson Almeida Lacava, conhecido como “Gauchinho”, e Lauriano Silva Gomes da Cruz.

"Em paralelo, identificou-se outro indivíduo de nome Agner Luiz Pereira de Oliveira Soares, responsável pela rentabilidade dos lucros obtidos com os shows e venda de entorpecentes, através de empréstimo a juros abusivos, bem como no fornecimento de veículos para o grupo", diz trecho do documento.

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Bispo 11/06/2024

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