Vendedores da praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca (PE), publicaram um vídeo nas redes sociais, na manhã desta segunda-feira (29), se pronunciando sobre o caso de agressão contra Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, moradores de Tangará da Serra (a 242 km de Cuiabá), que ocorreu neste final de semana. Os comerciantes negam homofobia, alegam que o casal estava embriagado e se negou a pagar R$ 80 por supostos serviços prestados.
No vídeo, publicado no perfil de um dos barraqueiros, um dos vendedores - que não se identificou - afirma que as pessoas estão tentando atrelar homofobia à história e, segundo ele, não é o caso e sim que Johnny e Cleiton teriam iniciado uma discussão com outra vendedora, de nome Vera, pois não queriam que uma família fosse alocada em outro guarda-sol, bem na frente do casal.
Na sequência, o primeiro vendedor retoma a fala e afirma que a praia é pública, mas o espaço não é e que, segundo ele, há uma concessão para que os barraqueiros possam trabalhar no local e cobrar pelos serviços. Ele aponta ainda que um rapaz que também trabalha no local, conhecido como Dinho, teria mostrado o cardápio ao casal, falado sobre o valor de R$ 80, afirmando que o valor estava condicionado ao consumo de comidas e bebidas dos barraqueiros.
“[...] Infelizmente tem pessoas que saem com o intuito de, tipo, tirar uma onda. Chega assim: ‘Não, aqui é um espaço público, eu vou sentar e não vou pagar aí’. Gente, infelizmente não é um espaço público. A praia sim é pública, mas existe uma concessão para a gente trabalhar. Pô, se tu chegar aqui na cadeira e sentar, ninguém vai te proibir de sentar na areia. Mas se tu sentar e usar o guarda-sol, velho, tu vai ter que pagar o serviço do guarda-sol. Porque ninguém aqui está trabalhando de graça, todo mundo aqui é trabalhador”, afirmou.
Internautas não compraram justificativa
Na publicação há diversos comentários criticando a atitude dos barraqueiros. Uma internauta aponta: “Conhecer o outro lado da moeda é indispensável, porém, ao meu ver, absolutamente nada justifica a agressão daquele nível”.
Outro comentarista afirma que a praia é um espaço público sim e que ninguém é obrigado a pagar simplesmente por sentar no loal. “Sobre o cardápio, outro ponto grave: condicionar o uso da mesa ao consumo é venda casada, o que é proibido por lei. Isso não é opinião, é legislação. E, por fim, não tentem mudar a narrativa. Não foram ‘4 ou 5 pessoas’ envolvidas. Foram dezenas, mais de 30 pessoas indo para cima de um turista. Isso é covardia. Defender esse tipo de atitude é defender o indefensável”, destacou.
Uma moradora da região também chegou a afirmar: “Para de show que vocês não respeitam nem a gente que é daqui”. Seguido de outro que comentou o seguinte: "Cara, se a gente for com a nossa cadeira e o nosso guarda-sol, vocês se juntam e irão tirar onda com a gente, já passei por isso com você mesmo. Agora me falem se foi mentira!".
Agressores identificados
Conforme publicado pelo
, até o momento, 14 vendedores que participaram das agressões foram identificados pelo Governo de Pernambuco.
O casal publicou um vídeo nas redes sociais, após receberem alta do hospital, afirmando que pretende processar o Município de Ipojuca e o Estado de Pernambuco, pois, além das agressões, relataram que o hospital da cidade não possui raio-x e que precisaram pagar com o próprio dinheiro para serem transferidos a outra unidade médica, pois também não havia uma ambulância.
“Eu queria, prefeito, que você passasse por uma situação dessa lá na praia. Eu estou intimando você a arcar com os nossos prejuízos. A gente não vai deixar isso barato. Já entramos em contato com todos os nossos advogados. Nós vamos processar a Prefeitura, o Estado de Pernambuco e eu espero nunca mais na minha vida pisar nesse lugar”, diz trecho do vídeo.
Outro lado
Por meio de nota, a Prefeitura de Ipojuca repudiou o ocorrido e declarou que o fato é “incompatível com os valores de respeito, acolhimento e hospitalidade” do município.
Já a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), afirmou que o caso é "absolutamente inadmissível" e que não será tratado como um incidente e sim como um crime grave. Além disso, prometeu reforço na segurança aos turistas.
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João 3 perna 30/12/2025
Nada justifica a surra, mas para chegar a irritar tanta gente e da forma como estavam, algo grave deve ter sido dito a eles. Foi bom publicarem a versão do outro lado. Infelizmente o quadro de violência no Brasil está aí, escancarado. Evitem confusão.
Cotonete desafiado 30/12/2025
Ninguem trabalha de graça? concordo! mas ninguem é trouxa de pagar o preço que cobram, é um abuso isso que fazem em todo o litoral brasileiro, desde o suco de laranja a 18 reais o copo a cadeiras por +100 reais Tem gente que trabalha o dia inteiro no sol para ganhar 100 reais, os caras querem ganhar isso por 2 cadeiras em poucas horas
Letelie 29/12/2025
Infelizmente tem gente que não sabe resolver no diálogo, ela põe na cabeça que ela está certa e não respeita lei e ninguém, nenhum desses arroaceiros parou pra pensar em lei e sim só ver o ponto de vista deles, espera-se que o governo tome providências.
3 comentários