Cuiabá, 25/10/2026

Basta Rondonópolis dizer não à divisão e perdemos, diz prefeito

     Embora boa parte dos prefeitos da região do Araguaia defenda a separação do chamado "Vale dos Esquecidos" do restante do Estado, a maioria acredita que a proposta não deve ser aprovada num possível plebiscito. "Em todas essas cidades temos 130 mil votos. Basta a população de Rondonópolis dizer não e nós já perdemos", avalia o prefeito de Vila Rica, Naftaly Calisto da Silva (PMDB).

     Ainda assim, ele acredita que a separação é a melhor saída. "Vamos ter uma bancada federal em Brasília olhando especificamente para nós". Segundo ele, o maior problema é a distância da Capital. Enquanto Cuiabá fica a 1,3 mil km, a divida com o Pará está a quase 30 km.

     Para o prefeito de Santa Terezinha, Domingos da Silva Neto (PSD), o principal entrave para a criação de um novo Estado é o status de maior produtor de grãos que Mato Grosso detém. "Se nos separarmos, vamos perder isso. É claro que o pessoal do Sul vai votar pelo não", prevê.

     Até mesmo o presidente da Assembleia, José Riva (PSD), conhecido por defender os interesses municipalistas, acredita que a ideia é inviável. "Para se criar um Estado, você precisa investir R$ 1 bilhão. Com isso, dá pra fazer a BR-158, construir hospital. É claro que é possível que o governo esteja presente", sustenta.

     Entre os que acreditam nas promessas de mais investimento na região está o prefeito de Porto Alegre do Norte, Edi Escorsim, o Tarzan. "Hoje não somos mais o Vale dos Esquecidos, mas sim o da prosperidade", afirma. Ainda assim, ele diz lutar pela separação há 20 anos.

     Tarzan pondera que o processo precisa ser feito com mais tranquilidade e transparência. Ele defende, por exemplo, que os envolvidos na separação dos Estados de Tocantins e Goiás sejam convidados a falar em audiências. "Temos que mostrar o bônus e o ônus. Fazer o pessoal de Cuiabá e Rondonópolis entender que isso pode ser bom para eles, tanto quanto para nós", defende.