Cuiabá, 25/10/2026

Rota tenta acabar com conflitos envolvendo a fazenda Suiá Missu


Ao lado do deputados José Riva e Baiano Filho, governador Silval Barbosa faz discurso, numa das reuniões da Rota da Integração
Foto: Marcos Negrini 

     A chegada da comitiva do governador Silval Barbosa (PMDB) ao distrito Estrela do Araguaia, em Alto da Boa Vista, foi o ponto alto da terceira viagem da Rota da Integração, que percorre a BR-158. Uma multidão aguardava a caravana ainda na rodovia. A reivindicação é a disputa entre índios e produtores pelas terras que compõem a fazenda Suiá Missu.

     Silval e os deputados chegaram a dispensar os carros oficiais e seguiram a pé até a igreja, onde se reuniram com as lideranças locais. Os "holofotes" do encontro se concentraram no presidente da Assembleia, deputado José Riva (PSD). Diante das cobranças da associação dos produtores da área, o social-democrata fez um discurso inflamado e foi aplaudido diversas vezes. Na platéia, pessoas comentavam: "ele será o próximo governador".

    Riva lembrou da proposta do Governo e da AL para que outra região seja cedida para a criação da reserva indígena que deve atender a etnia Xavante. Ele classificou como injustiça a ação da Funai em requerer as terras. Conforme Riva, cerca de 700 famílias vivem na localidade há mais de 20 anos. "O governo federal está fazendo uma burrada em tomar essa atitude sem fazer uma visita in loco antes", ponderou.

    A área que o Estado propôs permutar está localizada entre a região do Araguaia e o Rio das Mortes, a cerca de 150 km da fazenda Suiá Missu. Segundo Riva, enquanto a área alvo de litígio possui cerca de 160 mil hectares, a cedida pelo Governo se estende por mais de 250 mil hectares. "Precisamos colocar os índios no seu habitat natural. Lá é um espaço 100% preservado", garante.

     O governador, por sua vez, preferiu manter um discurso mais moderado. Preocupado com a possibilidade de conflitos entre os índios e os produtores, Silval comprou briga para o poder público. "Não caiam na provocação. A briga é conosco, os políticos. Não queremos uma guerra", apaziguou. O peemedebista lembrou que além da nova região para a implantação da reserva, o Estado também se comprometeu a disponibilizar toda a infraestrutura necessária às aldeias que possivelmente serão transferidas para lá. "Se mantenham unidos, que nós vamos ganhar isso na Justiça", garantiu.

     Além do conflito com as mais de 700 famílias que vivem na Suiá Missu, o impasse entre Estado e Funai também é responsável pela alteração do traçado original da BR-158. A rodovia, prevista para passar dentro da área que pode se tornar uma reserva indígena, agora será reformulada para contornar o possível parque. As mudanças aumentarão a distância em cerca de 60 km, mas proporcionará que a BR beneficie municípios que não estavam incluídos em sua rota.

Indefinição sobre a fazenda Suiá Missu pode mudar rota da BR-158


Casa de uma das 700 famílias que vivem na fazenda Suiá Missu, na região do Araguaia, por onde passou a Rota da Integração
Foto: Laura Nabuco