Cuiabá, 31/10/2026

Na briga por cadeiras da Arena, Desk responde ações por fraudes

Impasse começou depois que Secopa cancelou licitação

  A Desk Móveis Escolares e Produtos Plásticos, com sede no Rio, mesmo condenada por fraude num processo licitatório para fornecer cadeiras e mesas escolares em Aguaí, no interior de São Paulo, e acusada de superfaturamento no Paraíba, entrou de novo em ação.

   Está convicta de que será a vencedora da nova licitação lançada pelo governo mato-grossense para aquisição das quase 50 mil cadeiras para a Arena Pantanal, nem que entre por meio de consórcio ou com uma empresa co-irmã no Estado.

   O RDNews apurou que seus representantes estão se movimentando desde antes do governador Silval Barbosa mandar anular o contrato com a Kango Brasil, assim que recebeu notificação do Ministério Público sobre valor elevado dos assentos por causa da escolha do material de melhor qualidade, mesmo sob observação de que não houve superfaturamento. A Secopa corre contra o tempo. Anunciou que vai exigir da vencedora do certame que os assentos sejam instalados até 20 de dezembro. A abertura do pregão presencial está programada para o próximo dia 22. As obras do estádio estão com 85% concluídas. Há temor de que o novo certame atrase a conclusão do projeto da Arena Pantanal, que sediará 4 jogos do Mundial de futebol do próximo ano.

   A empresa fluminense possui um porta-voz em Mato Grosso. Chama-se Jandir Milan, presidente da Federação das Indústrias (Fiemt) e membro da Associação Brasileira das Indústrias Moveleira. Ele é bastante influente no meio político e junto ao Palácio Paiaguás. Como a empresa está condenada pela Justiça, fica impedida de participar de processo licitatório. Mas, nos bastidores, o comentário é que deve entrar na disputa com alguma empresa co-irmã da região, "de olho" num negócio superior a R$ 15 milhões.

   Foi a Desk a fornecedora dos assentos da Arena Mané Garrincha, em Brasília. Na época, enfrentou polêmicas e suspeição de superfaturamento. Segundo informações, a manobra foi feita da seguinte forma. Ela participou de uma nova concorrência (pregão presencial 002/2013). Objeto: fornecimento e instalação de guarda-corpos e corrimão, sendo 19.806,15 metros, ao preço unitário de R$ 350,2 reais por metro em tubo de aço galvanizado ASTM A36 zincado a fogo, tubo de 1.1/2 e parede de 2,5 mm. Exigiu-se também que a fixação fosse de parafusos de bucha metálica, tipo parabolt. Como a Desk vendeu a R$ 175 reais cada cadeira, bem abaixo do valor de mercado, a estratégia para não ficar no prejuízo foi elevar o valor do contrato dos corrimões, dando equilíbrio ao preço das cadeiras. O valor de mercado de corrimão com essa especificação é avaliado em R$ 40 reais o metro, com fornecimento e instalação.

   O preço real de mercado chegaria a R$ 792,2 mil e não o preço de R$ 6,7 milhões. Nesse caso, o sobrepreço chegaria a R$ 6 milhões. E, se somados o preço da concorrência e mais os aditivos das cadeiras, perfaz um montante de R$ 18,7 milhões, sem inclusão de impostos, o que se torna mais caro se comparado ao preço que o Estado iria pagar à Kango Brasil pelos mais de 47 mil assentos que seriam colocados, inclusive com melhor qualidade, mas que acabou interrompido, já que o contrato foi anulado pelo governo mato-grossense.