Cuiabá, 20/09/2026

Roseli nega saber sobre “tráfico de influência” de Silval para libertá-la vídeo

A ex-primeira-dama do Estado Roseli Barbosa nega ter conhecimento de que o marido, ex-governador Silval Barbosa (PMDB), tenha praticado tráfico de influência para conseguir sua soltura quando foi presa em agosto de 2015, na Operação Ouro de Tolo.

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Ex-primeira-dama do Estado Roseli Barbosa defende esposo Silval no depoimento à PGR

Em depoimento à procuradora da República, Vanessa Cristhina Scarmagnani, em 22 de maio deste ano, Roseli diz não ter tido conhecimento de que Silval tenha praticado qualquer ato para que ela pudesse ser favorecida. Ressalta que o marido atuou com advogados no intuito de soltá-la.

“Mas não sabe dizer que Silval Barbosa tenha praticado eventual ato ou pleiteado algum favorecimento especial para que a declarante fosse solta”, diz trecho do depoimento que compõe o acordo de colaboração (delação) com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Gravações de interceptações telefônicas realizadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), no período em que a ex-primeira-dama ficou presa, apontaram para tráfico de influência por parte do peemedebista, na qual ele teria recorrido ao então vice-presidente da República Michel Temer (PMDB). Além disso, várias autoridades políticas fizeram contato com Silval, se colocando à disposição para ajudar.

A quebra de sigilo telefônico foi feita para obtenção de prova, durante a investigação de desvio de dinheiro na secretaria estadual de Trabalho e Assistência Social (Setas), na época em que foi comandada por Roseli.

As escutas têm início um dia antes da prisão dela e vai até 3 de setembro. A ex-primeira-dama ficou sob a custódia até 26 de agosto, quando conseguiu habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante todo este período, Silval estava sendo monitorado pela polícia.

O ex-governador recebeu ligações do deputado Gilmar Fabris (PSD), senador Wellington Fagundes (PR), do senador Cidinho Santos (PR), que à época era suplente, e ainda do ex-senador Jayme Campos e do ex-deputado federal Júlio Campos (ambos do DEM). Todos demonstraram certa indignação com o delator do esquema, o empresário Paulo Lemes, dono do instituto que teria sido beneficiado, que pode ter desviado cerca de R$ 8 milhões da Setas.

Propina

Ainda no depoimento, Roseli diz ter utilizado dinheiro de propina paga pelo empresário, dos institutos de Desenvolvimento Humano (IDH) e Concluir, para pagar dívidas pessoais, como faturas de cartão de crédito, na época em que foi secretária estadual da Setas, entre 2012 e 2013. O caso é investigado na Operação Ouro de Tolo, em que Lemes é delator.

A ex-primeira-dama confirma o recebimento de propina do empresário, por meio do assessor especial Rodrigo de Marchi, que além de receber os valores em espécie, controlava os valores recebidos ao seu lado.

Roseli relembra que o dinheiro era guardado no gabinete na Setas e era usado para, além de quitar as dívidas pessoais, arcar com serviços de assistencialismo, como a aquisição de caixões, uma vez que a pasta recebia alta demanda e não tinha orçamento para isso.