As escutas telefônicas feitas no período em que a ex-primeira-dama Roseli Barbosa esteve presa podem comprometer a situação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), pois aponta para tráfico de influência, na qual ele teria recorrido ao vice-presidente da República Michel Temer (PMDB). Além disso, várias autoridades políticas fizeram contato com o peemedebista, se colocando à disposição para ajudar.
A quebra de sigilo telefônico foi feita para obtenção de prova, durante a investigação de desvio de dinheiro na secretaria estadual de Trabalho e Assistência Social (Setas), na época em que foi comandada por Roseli. Ela e outros indiciados já haviam sido alvo da Operação Arqueiro e foram presos, em 20 de agosto, na deflagração da Operação Ouro de Tolo.
As escutas têm início um dia antes da prisão de Roseli e vai até 3 de setembro. A ex-primeira-dama ficou sob a custódia até 26 de agosto, quando conseguiu habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante todo este período, Silval estava sendo monitorado pela polícia.
O ex-governador recebeu ligações do deputado Gilmar Fabris (PSD), senador Wellington Fagundes (PR), do suplente de senador Aparecido Alves, Cidinho (PR), e ainda do ex-senador Jayme Campos e do ex-deputado federal Júlio Campos (ambos do DEM). Todos demonstraram certa indignação com o delator do esquema, o empresário Paulo Lemes, dono do instituto que teria sido beneficiado com o esquema, que pode ter desviado cerca de R$ 8 milhões da Setas.
Todos se solidarizaram com Silval, que se demonstrou inconformado com a delação e disse, por inúmeras vezes, que o empresário foi pressionado pelo Ministério Público para prestar o depoimento comprometedor. O peemedebista reforça que Paulo Lemes chegou a ser ameaçado a ter bens bloqueados, que a loteria da qual é sócio seria retirada, e por ter um filho com câncer acabou cedendo.
Em outro depoimento, o empresário já havia afirmado que não teve contato com Roseli, no entanto, voltou atrás na delação. Após o HC de Roseli ser negado no Tribunal de Justiça, Silval segue para Brasília e faz inúmeros contatos com o gabinete do vice-presidente, falando diretamente com a chefe de gabinete de Temer, identificada como Nara de Deus Vieira.
O fato chamou a atenção da polícia. Ela fez contato com o ex-governador durante o dia e solicita que ele compareça ao gabinete de Michel, para falar pessoalmente com o vice-presidente. Nas conversas, Silval diz estar preso no trânsito e Nara pergunta se a conversa pode ser feita por telefone. O ex-governador diz que ligará de um aparelho fixo.
Estes contatos foram feitos um dia antes de Roseli conseguir o habeas corpus no STJ. Neste dia, Nara ainda entra em contato com Silval, quase 22h, e solicita o nome completo de Roseli. Em 26 de agosto, o ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca concede a soltura da ex-primeira-dama.
O fato de o ex-governador ter demorado a se entregar, levando dois dias para se apresentar à polícia, e estas ligações, podem acabar por comprometê-lo, pois dentre os argumentos para a permanência da prisão está o risco de fuga e influência política, cujos argumentos podem ficar prejudicados pela defesa.
Defesa
O ex-governador teve o mandado de prisão decretado na Operação Sodoma, que apura crimes de lavagem de dinheiro num esquema que envolve a concessão de incentivos fiscais, e se apresentou na quinta (17).
O pedido de HC no Judiciário estadual foi negado e a defesa deve ingressar com novo recurso no STJ, conforme adiantou o advogado Francisco Faiad. A banca optou por analisar a sentença dada pelo relator Alberto Ferreira, antes de ingressar com novo pedido.
Entre na comunidade do Rdnews no WhatsApp e acompanhe as notícias em tempo real; Acesse








DORFEN 21/09/2015
Este "abençoa" a candidatura à reeleição do prefeito de Barra do Garças...
eduardo dias 20/09/2015
e isso ai..os Politicos se ajudando nessa hora ...por que sera ate ( vice ) ta no meio..
2 comentários