Cuiabá, 01/11/2026

Presidente rechaça mais imposto e vê agro como único que alegra o país

Gilberto Leite

Presidente do Sindicato Rural Jorge Pires em entrevista à imprensa

O presidente do Sindicato Rural de Cuiabá, Jorge Pires, afirma que o agronegócio é responsável por aproximadamente 50% da receita do governo estadual e que, por isso, ele é contrário à criação de novos impostos para o setor. “Hoje agronegócio é o único segmento que dá alegria ao Brasil”, argumenta em entrevista ao #rdnews.

A posição de Jorge responde à sugestão do deputado licenciado e secretário estadual de Cidades (Secid), Wilson Santos (PSDB). O secretário afirmou que o agronegócio não paga impostos e que, se fosse governador, pensaria em aumentar a cobrança das alíquotas sobre o óleo diesel, soja e milho.

Jorge Pires diz que discorda do tucano e que estudos apontam que os cofres do Estado são dependentes da arrecadação da lavoura e pecuária, que são superavitários. Ele ainda aponta que o fato de Mato Grosso ser líder na produção de grãos e deter o maior rebanho bovino do país é relevante para demonstrar a importância da renda gerada no campo.

“O Estado precisa fazer o seu dever de casa. Olhar onde se pode cortar despesas, onde ele pode diminuir a máquina pública e melhorar a qualidade de atendimento do serviço público e também nas questões prioritárias de orçamento”, defende.

 Fethab

O presidente do Sindicato Rural também pontua que é contra a utilização do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) em outros setores, que não pavimentação e habitação. O posicionamento de Jorge surge em meio a um debate sobre a possibilidade de usar parte dos recursos do Fethab para acabar com o caos na saúde. 

As lideranças do agronegócio já se posicionaram de maneira contrária à medida. Em compensação, a principal liderança no setor, ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, se diz favorável, mas por tempo determinado. 

Jorge afirma que a condição das estradas do Estado complica e onera a produção mato-grossense. Além disso, ele pontua que anteriormente os produtores entenderam a importância da criação de um fundo que cuidasse das vias de escoamento e que essa ideia inicial não pode ser deturpada.

“A logística de Mato Grosso, como todo mundo sabe, é muito ruim. Nós estamos muito longe dos grandes centros consumidores e também dos portos de exportação. Isso faz com que o nosso produto não tenha competitividade no preço como em estados concorrentes como Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul”, explica.

Por fim, ele disse que ninguém nega a extrema importância que o Estado tem em cuidar de áreas essenciais como educação e segurança. Porém, nesse caso específico do Fethab ele diz que existem outros meios. 

“Nós não somos contra a saúde, até porque é uma questão de primeira necessidade, a gente mexe com vidas humanas. Mas isso é uma questão que o governo precisa resolver dentro do seu próprio orçamento. O governo e os Poderes”, finaliza.