Cuiabá, 20/09/2026

ABIN monitora ameaças de facções e interferência externa nas eleições de MT

Superintendente da Abin em MT cita risco de bloqueios, ataques cibernéticos, avanço de facções e interferência externa durante as eleições de 2026

Reprodução

 Superintendente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em Mato Grosso, Luiz Felipe Midon de Melo

O superintendente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em Mato Grosso, Luiz Felipe Midon de Melo, garantiu nesta terça-feira (26), durante a instalação do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) para as eleições de 2026, que o órgão monitora ameaças relacionadas a manifestações sociais, avanço de facções criminosas e possível interferência externa durante o pleito.

As ações de segurança, logística e integração institucional que integram a força-tarefa são lideradas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), sob Serly Marcondes.

Em entrevista à imprensa, Midon destacou que a Abin atua no assessoramento federal e na integração entre os órgãos de inteligência dos estados. Ao comentar os principais riscos monitorados para as eleições, ele citou inicialmente possíveis manifestações que possam comprometer o processo eleitoral. “A primeira é a questão de manifestações sociais, que geram uma ameaça ao pleito. A gente sabe que bloqueios de rodovia e ataques cibernéticos organizados contra infraestruturas críticas, como rede de energia e rede de água, são ações que podem inviabilizar o pleito”, afirmou.

Segundo ele, outra preocupação central envolve a atuação do crime organizado no cenário político. “A segunda é a criminalidade organizada. É um tema que todas as inteligências acompanham. Nós sabemos que, em alguns locais, as facções criminosas chegam a ocupar territórios, influenciar e até indicar candidatos. É uma preocupação”, frisa.

O superintendente ressaltou, no entanto, que Mato Grosso possui um diferencial positivo na integração entre as forças de segurança e inteligência, o que tem permitido identificar e afastar possíveis candidatos ligados ao crime organizado. "A notícia boa é que essa ameaça está sendo muito bem acompanhada, monitorada, e há uma produção de relatórios diárias sobre ela. Então, temos ameaça, mas estamos lidando com ela", garante.

A terceira ameaça apontada por Midon envolve eventuais interferências externas, dentro de um monitoramento nacional implementado desde 2016.

“Nós chamamos, no âmbito da inteligência, de interferência externa. É algo que toda democracia sofre, não somente nós, e que estamos acompanhando junto com os demais parceiros. Qualquer ação que possa gerar preocupação ou ameaça entra no sistema”, explica.

Segundo ele, o tema já integra a Política Nacional de Inteligência desde 2016 e mobiliza esforços conjuntos das estruturas federais e estaduais em anos eleitorais. “Todo esforço federal e estadual vai proteger o país”, completou.

GGI

O GGI 2026 reúne representantes da Justiça Eleitoral, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército Brasileiro, Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros Militar, concessionárias de serviços públicos e outros órgãos parceiros.

Nas eleições de 2026 estarão em disputa os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República.

Estado continental 

Mato Grosso é o terceiro estado brasileiro em extensão territorial, com 903.367 km², o equivalente à soma dos 11 menores estados da federação e do Distrito Federal. O Estado corresponde a 10,61% do território nacional e abriga três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Muitas localidades são de difícil acesso, com longas distâncias e isolamento que impactam diretamente na logística de segurança. O GGI encontra um cenário em Mato Grosso de 2,61 milhões de pessoas aptas a votar e 1.529 locais de votação, destes, 110 são de difícil acesso e 61 locais indígenas, nos 142 municípios de Mato Grosso. 

A força de trabalho é formada por um contingente de 51.679 pessoas envolvidas diretamente, sendo 39.429 mesários e funções especiais, 173 membros de juntas, 3.574 auxiliares de transporte, 1.453 administradores de prédio e 741 técnicos de urna/satélite. Os agentes de segurança totalizam 5.398 indivíduos, sendo 130 juízes e promotores, 288 servidores da Justiça Eleitoral, 248 servidores requisitados, 173 terceirizados e 72 estagiários. 

A mobilização de segurança envolve um efetivo de 5.398 agentes, tendo como base a eleição de 2024. Enquanto a segurança dos locais de votação em áreas urbanas e rurais será realizada pelas Polícias Militar e Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso, a segurança dos locais de votação instalados em terras indígenas será de responsabilidade da Polícia Federal, do Exército e da Marinha. 

As forças de segurança são distribuídas da seguinte forma: 2.375 policiais militares, sendo a maior parte do contingente dessa área; 1.184 policiais civis; 752 militares do Exército; 402 bombeiros militares, que vão atuar na prevenção e no atendimento a emergências durante o período eleitoral; 220 agentes da Polícia Rodoviária Federal; 183 policiais federais, cuja atuação será focada em crimes eleitorais e segurança de âmbito federal. Fechando o efetivo da segurança, ainda estão 121 integrantes da Marinha, 64 da Guarda Municipal e 52 representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).