Cuiabá, 01/11/2026

Aplicação do Fethab na saúde expõe divergência entre Taques e Fávaro

Gilberto Leite/Rdnews

Governador Pedro Taques e o vice Carlos Fávaro trocam ideias durante evento realizado em Cuiabá

Divergências entre o  governador Pedro Taques (PSDB) e o vice Carlos Fávaro (PSD) já estão ficando evidentes quando o assunto é origem dos recursos que serão utilizados para regularizar os repasses da saúde no Estado. A dívida reconhecida pelo governo chega a R$ 162 milhões. 

Na reunião de emergência realizada ontem (24), com a participação de Taques, Fávaro e 17 dos 19 deputados estaduais que integram a base governista na Assembleia, foi cogitada a possibilidade  de direcionar recursos do Fethab para a saúde. O objetivo é pagar a dívida de R$ 162 milhões com os hospitais regionais, municipais e filantrópicos ainda em junho, evitando colapso nos atendimentos.

Nos bastidores, o comentário é que Taques tem simpatia pela ideia de destinar recursos do Fethab à saúde. Mas para evitar embates, só vai se posicionar publicamente quando a questão estiver definida. 

No entanto, Fávaro que é considerado porta-voz do agronegócio dentro do governo se posicionou contra a destinação do Fethab cobrado sobre as commodities, que arrecada cerca de R$ 400 milhões por ano, para financiar a saúde. O vice-governador sustenta que o setor aceitou que a taxa fosse dobrada em 2016 para investimentos em estadas. 

“O  setor produtivo tem convicção e não vai admitir mudança para outra finalidade. É legítimo. Pagou com a finalidade específica de construir estradas. E as estradas não são somente para transportar soja, milho, algodão. Levam segurança, educação, saúde e desenvolvimento para o Estado de Mato Grosso”, declarou Fávaro após a abertura do Seminário A Força do Campo, na manhã desta sexta (25).   

Apesar do posicionamento, Fávaro reconhece que a saúde deve ser priorizada e que a crise será superada com gestão e recursos novos. Por isso, admite que verbas do chamado Fethab 2, cobrado sobre o óleo diesel, com arrecadação estimada  em R$ 100 milhões, sendo que 50% são destinados aos municípios, possam ser usadas para pagar a dívida. 

“Todos os esforços, qualquer que seja a fonte, estão sendo feitos para garantir mais recursos para a saúde. Como o Fethab resulta de  lei específica, qualquer mudança precisa de alteração aprovada pela Assembleia”, explicou o vice-governador. 

Direto de opinar 

Questionado sobre o posicionamento de Fávaro, o governador disse não acreditar que o vice tenha dito que não concorda com a destinação de recursos do Fethab  para a saúde. Ainda assim, defendeu seu direito de opinar. “Todo mundo tem o direito de se manifestar da forma que entender correta. Eu não acredito que o vice-governador disse isso porque ele participou da reunião conosco. Estamos discutindo isso”, declarou Taques que esteve no mesmo evento hoje pela manhã. 

Poderes

Além de destinar recursos do Fethab para a saúde, outra saída cogitada para resolver a crise no setor, é a contribuição dos Poderes. Na prática, parte dos duodécimos da Assembleia e até mesmo do Judiciário podem ser retidos pelo Executivo para quitar a dívida de R$ 162 milhões, dependendo de acordo prévio. 

Governador reúne base e reconhece dívida de R$ 162 mi com hospitais