Guitarrista cuiabano entra na banda Antidemon e sai em turnê europeia
A banda paulistana Antidemon comemora 23 anos de estrada neste 2017. Defensores do grindcore e death metal, já tocaram em pelo menos 34 países nesse tempo. Em agosto do ano passado, a Antidemon escolheu um guitarrista nascido em Cuiabá, morador de Várzea Grande, Marcelo Alves, 34 anos, para se juntar ao power trio.
Marcelo ficou bastante feliz, pois de cara já participou da turnê latino-americana dos caras. Em apenas seis meses, saiu do bairro Cristo Rei, onde mora, para voar pela primeira vez e, de quebra, conhecer 14 países. Praticamente todos da América do Sul, toda a América Central (menos Belise, por causa da obrigatoriedade do visto norte-americano), mais o México.
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A banda Antidemon acabou de retornar de uma turnê pela América Latina. Aqui, em Bayamo, Cuba
“De repente, eu, todo cuiabanão, estava conhecendo várias culturas, conhecendo diversos lugares e sendo bem recebido em todos eles. Fomos até mesmo a Acapulco, a praia do Chaves”, conta, entre risos, ao #rdnews.
Ele conta do fascínio que a música extrema brasileira causa em nossos hermanos, mas considera a admiração do público como mais especial na Argentina e no México. “A maneira como argentinos e mexicanos amam e admiram os brasileiros é algo realmente notável”.
Complementada pelo casal Antonio Carlos Batista (baixo e voz) e Juliana (bateria), a banda formada em 12 de janeiro de 1994 já gravou quatro discos de estúdio – Demonocídio (1999), Annillo de Fuego (2002), Satanichaos (2009) e Apocalypse Now (2012) –, um DVD (The Mission, 2012), além de ter participado de diversas coletâneas de bandas extremas em países da América Latina e uma dos Estados Unidos.
Desde o último disco, são contratados da gravadora australiana Rowe Productions, do vocalista e fundador do Mortification, Steve Rowe. E aí começa a dissensão deles com o restante do movimento underground brasileiro, que não vê com bons olhos o fato dos músicos serem de orientação cristã e professarem essa fé na grande maioria de suas letras. O guitarrista Marcelo Alves afirma que isso só acontece no Brasil, pois fora daqui o profissionalismo e o respeito imperam. “Tocamos livremente com bandas de black metal, de horror metal, tudo normalmente lá na gringa. O pessoal devia se lembrar que acima de tudo somos uma banda underground, independente, de som extremo”.
E defendendo essas bandeiras eles fizeram 50 shows em seis meses, já com a adição de Marcelo na guitarra. Lembra especialmente da visita a Cuba e a maneira como foi surpreendido ao chegar lá. Primeiro pela existência de um sólido público de música pesada, depois pelo sistema de saúde público de qualidade e, enfim, a liberdade religiosa encontrada na ilha caribenha. Na bagagem, além das vivências, trouxeram também um DVD finalizado e mixado em alta qualidade durante as apresentações no Chile. Veja uma música desse trabalho aqui.
Dado curioso advém do fato de a nova formação do Antidemon nunca ter ensaiado nem tocado no Brasil até hoje. O guitarrista segue morando no Cristo Rei, o resto da banda, em São Paulo. Viajam, se encontram e tocam no exterior. É o plano para acontecer de novo em junho, quando iniciam a turnê pela Holanda, com os norte-americanos do Deliverance, banda de metal fundada nos anos 1980, conhecida no underground e cuja peculiaridade é não ter feito uma turnê mundial até agora. “Eles vão sair pela primeira vez dos Estados Unidos pra tocar em outro lugar”.
"De repente, estava conhecendo várias culturas. Fomos até mesmo a Acapulco, a praia do Chaves", brinca o guitarrista
Além da Holanda, a turnê (cuja duração prevista é de três meses mas pode aumentar conforme outros países forem convidando) chegará à Itália, República Tcheca, Portugal, Espanha, Alemanha, Áustria e França, entre outros países do velho continente.
Nos intervalos, o guitarrista trabalha no seu disco solo instrumental (Marcelo é formado em música pela Universidade Federal de Mato Grosso) que ele pretende lançar também com um songbook e videoaulas em DVD. O guitarrista vai utilizar sua experiência como professor de música, além, claro, do palco.
Com a banda Antidemon, após uma pausa de um mês, retorna já em 2018 à estrada, desta vez, para uma turnê pelo restante da América do Norte, essencialmente Estados Unidos, mas também com algumas datas no Canadá e, de novo, se forem convidados novamente, México. Nada mal para quem a grande viagem de alguns anos atrás era atravessar a ponte de Várzea Grande para Cuiabá para ver shows das bandas undergrounds locais.