Cuiabá, 23/10/2026

Acusado de matar namorada, médico vira réu por ameaçar promotora do caso; relembre

Médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello deve responder por ameaça contra promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo

O médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello virou réu por ameaçar a promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, responsável pela acusação no processo em que ele responde pelo feminicídio da namorada, Kethlyn Vitoria de Souza, de 15 anos. Segundo o Ministério Público, ele teria oferecido dinheiro para financiar um atentado contra a promotora. A adolescente morreu após ser baleada na cabeça em maio de 2025, em Guarantã do Norte (a 709 km de Cuiabá).

Reprodução

 Bruno teria oferecido dinheiro de futura herança para financiar atentado contra promotora, segundo o MP

Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a ameaça teria acontecido no dia 30 de junho deste ano, enquanto Bruno estava detido preventivamente no Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo. No CDP, Bruno passou a demonstrar inconformismo com a atuação da promotora Rebeca Santana Rêgo.

Conforme o documento, durante banho de sol, ele perguntou para outro detendo sobre alguém que pudesse praticar um atentado contra a promotora. Ele estaria preocupado com a atuação da representante do MP na sessão plenária do Tribunal do Júri, pois ela “iria f* com a vida dele”.

“Na oportunidade, [Bruno] declarou que estaria disposto a pagar elevada quantia em dinheiro para a execução do atentado, utilizando recursos provenientes de futura herança”, diz trecho da denúncia.

Para o MP, as declarações do médico evidenciam tentativa de intimidar a promotora e "impedir ou dificultar o regular exercício de suas atribuições ministeriais”, acrescenta.

O documento foi protocolado pelo MPMT na última quinta-feira (15). A denúncia foi aceita nessa segunda (19) pelo juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara de Peixoto de Azevedo. 

Desde julho deste ano Bruno está na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

Feminicídio

Na madrugada do dia 03 de maio de 2025, a adolescente Ketlhyn Vitória de Souza foi baleada na cabeça e levada, por Bruno, ao Hospital Nossa Senhora do Rosário. Na unidade médica, a equipe tentou reanimá-la por aproximadamente 40 minutos, mas Ketlhyn não resistiu e morreu. 

Ainda no hospital, Bruno teria danificado uma janela e uma porta do local, em meio a um abalo emocional, e posteriormente fugiu do local.

No dia 05 de maio, dois dias após o crime, o médico se entregou à Polícia Civil, acompanhado de seu advogado, alegando que o tiro teria sido acidental. 

Diante da repercussão do caso, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância para apurar a conduta ética do médico. A medida foi confirmada em 14 de maio pelo próprio Conselho, que afirmou acompanhar de perto o andamento da investigação criminal.