Advogado diz que travessia irregular das vítimas foi decisiva em acidente
A defesa da ré trabalha com a hipótese de que, caso os jovens tivessem utilizado a faixa de pedestres, o atropelamento não teria acontecido
Rodrigo Gracelle, advogado de defesa da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, pontuou que os estudantes Ramon Alcides Viveiros, Mylena de Lacerda Inocêncio e Hya Girotto, ao atravessarem em local irregular e ainda "brincarem" no meio da pista, realizaram uma "ação decisiva" para que o atropelamento, que vitimou dois deles, acontecesse. A declaração foi feita em entrevista durante a pausa do primeiro dia de julgamento de Rafaela, pelo Tribunal do Júri, que acontece nesta terça-feira (23).
"A defesa trabalha com provas. Me parece que a perícia oficial é incontestável nesse sentido, que a ação humana das vítimas foi decisiva para que o resultado ocorresse. Nós temos vítimas que estavam numa travessia irregular. Nós tínhamos, a cerca de 30 metros, uma travessia de pedestres que deveria ser readequada. Essas vítimas estavam em cima da via, inclusive uma delas, Hya, que foi a sobrevivente, para, dança, rebola, fazendo com que as demais vítimas permaneçam na via. A contribuição dessa menina é decisiva", pontua o advogado.
Veja, abaixo, a fala do advogado de defesa Rodrigo Gracelle:
Conforme publicado pelo #rdnews, o perito criminal Henrique Praeiro de Carvalho, quarta testemunha no julgamento da bióloga, o laudo pericial aponta que se os jovens tivessem utilizado a faixa de pedestres, teriam chegado ao fim da via e, provavelmente, não teriam sido atropeladas.
Entretanto, o perito apontou também que Rafaela seguia na via acima do limite permitido no local. Segundo o profissional, após os estudos de visibilidade realizados na Avenida Isaac Póvoas, foi comprovado que o local não possuía nenhum tipo de obstáculo ou obstrução da via.
Josi Dias/TJMT
A bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro
Henrique destacou ainda que a bióloga seguia a 54 km/h - com uma margem de erro de 4 km/h para mais ou para menos - em uma avenida cujo limite é 50 km/h. De acordo com o perito, em uma condição normal, o tempo de reação de um motorista é, em média, de um segundo e meio apenas. Rafaela precisaria então de cerca de 33 metros para frear e evitar o atropelamento. No entanto, o laudo final constatou que ela teve 120 metros.
O caso
O acidente aconteceu em 23 de dezembro de 2018, quando Myllena Inocêncio, 22 anos, Ramon Alcides, 25 anos, e Hya Girotto, 25 anos, saíam da boate Valley, na Avenida Isaac Póvoas, e foram atropelados por Rafaela, que estava embriagada. Myllena morreu a caminho do hospital, enquanto Ramon faleceu horas após ser internado. Hya foi a única sobrevivente, porém teve ferimentos graves que a deixaram com sequelas permanentes.
Em dezembro de 2022, o juiz Wladimir Perri absolveu a bióloga, destacando que Myllena, Ramon e Hya assumiram o risco ao usarem a via pública, “violando completamente o princípio da confiança que deve ser observado entre os seus usuários”.
Segundo o magistrado, a bióloga errou ao ingerir bebida alcoólica e dirigir, mas não foi o fator "determinante" para o acidente, e sim, a "imprudência" das vítimas por atravessarem fora da faixa e durante tráfego "intenso". Em abril de 2023, ela recuperou o direito de voltar a dirigir.