Após audiência, ex-secretário diz que inocência já está sendo comprovada
Davi Valle/Rdnews
Eder Moraes, após ter oitiva cancelada pelo magistrado, conversa com imprensa sobre depoimento
Eder Moraes (PMDB) e o ex-secretário adjunto do Tesouro do Estado Vivaldo Lopes participaram de audiência na 5ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, na tarde desta sexta (10), sobre a ação penal por lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro originada pela Operação Ararath, referente à transação entre a Brisa Assessoria e o Mixo Esporte Clube. O processo é presidido pelo juiz Jeferson Schneider.
A Brisa Assessoria pertence a Vivaldo. Documentos apreendidos pela Polícia Federal, em fevereiro deste ano, interligam movimentação financeira com o time de futebol que era presidido por Eder, o Mixto Esporte Clube. O valor chega a R$ 520 mil e foi repassado por Júnior Mendonça, delator premiado do esquema desbaratado pela Ararath.
Vivaldo não quis prestar declarações à imprensa após o depoimento. Entretanto, o advogado Ulisses Rabaneda, responsável por sua defesa, afirmou que tudo indica que o ex-secretário será inocentado. Segundo o jurista, a perícia na documentação já demonstrou que não existiu nenhum ilícito. “O dinheiro tem origem e destino, o que afasta a caracterização de lavagem de dinheiro”.
O depoimento de Eder, que deveria acontecer em seguida, foi cancelado pelo magistrado. A alegação é que réus presos em outras ações judiciais aguardavam audiência e têm prioridade no Judiciário, por determinação legal. Com isso, a oitiva foi remarcada para a próxima terça (14).
Ao deixar o prédio da Justiça Federal, Eder afirmou que as audiências estão comprovando que todos os procedimentos que adotou no mercado financeiro e na contabilidade são absolutamente regulares e legais. “Não há nenhum tipo de irregularidade e tampouco ilegalidade em nenhum dos procedimentos. Isso que é importante dizer”, assegura.
De acordo com Eder, a maior dificuldade para comprovar a inocência é debater com pessoas que desconhecem a matéria ou são especialistas jurídicos sem conhecimentos contábeis e do mercado financeiro. “Então, às vezes nós temos dificuldade para demonstrar com clareza, mas dentro daquilo que a gente vem trabalhando, vem mostrando com muita consistência. Com parcimônia, nós vamos chegar a bom termo em tudo isso”.
Em documento, Eder diz que mentiu em depoimentos e culpa promotores
Além disso, Eder evitou comentar o depoimento prestado ao Ministério Público Estadual entre fevereiro e março deste ano e desmentido em Termo de Retratação Pública divulgado pelo Rdnews. O ex-secretário explicou que as razões do recuo constam no depoimento. “O restante será dito somente em juízo”.
O advogado Ronan Oliveira, que patrocina a defesa de Eder, lembrou que o processo envolvendo os ex-secretários ainda está na fase de instrução, mas pondera que a sentença deve ser proferida em breve. Sobre a solicitação para que o cliente seja reinterrogado pela Justiça Federal, afirmou apenas que é um direito do réu. “São questões que precisam ser melhores esclarecidas”, disse.
O processo que tem Eder e Vivaldo como réus foi desmembrado da ação original, que ainda envolve a esposa do peemedebista, Laura Teresa Dias da Costa e o superintendente regional do Bic Banco Luiz Carlos Cuzziol. Nesta quinta (9), o advogado Kleber Tocantins e o arquiteto Abel de Oliveira prestaram depoimento sobre este caso.
Em depoimento, testemunhas da Ararath contestam conteúdo da delação premiada