Cuiabá, 19/09/2026

Atirador afirma que se reuniu com viúva para receber no dia em que matou vítima

Réu revelou também em julgamento que pegou serviço por estar sob efeito de drogas e ter dívidas

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Ana Cláudia Flor está sendo julgada acusada de ser a mandante da morte do seu marido

O réu Igor Spinoza afirma que, no mesmo dia em que efetuou os disparos contra o empresário Toni Flor, se encontrou com a esposa Ana Cláudia de Souza Oliveira Flor na noite do mesmo dia para receber o suposto pagamento do serviço. A mulher, atualmente viúva, é denunciada pelo Ministério Público de ser a mandate do marido. “Ele morreu n'outro dia. Na mesma noite, na praça perto da casa dela, encontrei pessoalmente [com Ana]", disse em audiência de instrução na tarde desta quinta (24).

O atirador revelou os detalhes, durante audiência de instrução, conduzido pelo juiz Flávio Miraglia da 12º Vara Criminal. Nessa semana, estão sendo ouvidos testemunhas de defesa e acusação na denúncia penal contra Igor e Ana. Além dos dois, são réus Wellington Honorio Albino, Dieliton Mota da Silva e a manicure Ediane Aparecida da Cruz Silva, que são denunciados por serem os executores do crime.

Igor disse Ana lhe pagou R$ 20 mil, dos R$ 60 mil combinados para o crime, em espécie. Com o dinheiro, Igor gastou tudo vivendo cinco meses no Rio de Janeiro. Na audiência, ele disse que, da encomenda do crime até o disparo, foram menos de três dias e que aceitou o serviço por que estava sob efeito de drogas, não concordar com violência contra mulher e ter uma dívida. No momento dos disparos, ele também afirmou ter usado entorpecentes.

Narrou que foi procurado por Wellington, que, por sua vez, tinha sido acionado pela manicure Ediane a pedido da amiga, que era Ana. Wellington disse que tinha um serviço para ele e já citou que envolvia a morte de uma pessoa, mas não entrou em detalhes de quem seria. O homem então pediu autorização para passar seu número celular para a manicure.

Ediane passou o número para Ana, que ligou para Igor por meio do aplicativo WhatsApp. Ela disse que queria matar o marido e alegou que sofria ameaças dele, era vítima de agressões e que estava tentando largar dele, mas ele não aceitaria a separação e até disse que iria matá-lo em uma possível tentativa. Combinou pagar a ele R$ 60 mil.

Fiquei com medo. Ela mandou matar o marido, por que não ia mandar me matar?

Disse o atirador Igor em julgamento

Ana chegou a apresentar fotos de olho roxo e hematomas das agressões. Ela pediu para fazer o serviço o mais rápido possível, mas alegou que não tinha como dar um adiantamento para Igor por ter sofrido prejuízo. Sem muitos detalhes, o acusado explicou que a viúva tinha levado um “banho” ao tentar contratar outros atiradores.

Após encomendar o serviço, Igor disse que Ana lhe informou que Toni iria à academia na manhã do dia seguinte. Mandou fotos com o rosto do empresário e a localização do estabelecimento. A mulher disse que, quando o marido saísse de casa, iria avisá-lo para ficar na ativa.

Após o empresário Toni estacionar o carro, o atirador se aproximou, falou “perdeu, perdeu” e fez os disparos. “Ele caiu gritando, montei na moto e corri”, disse. Um ponto importante é que Igor negou que tenha falado o nome de policial, como era a suspeita no início do crime em que Toni poderia ter sido confundido com outro policial, ou qualquer outra pessoa.

Igor disse que também tinha medo de ser morto a mando de Ana. “Fiquei com medo. Ela mandou matar o marido, por que não ia mandar me matar?”, questiona. Disse que, logo depois de ser preso e levado para a Penitenciária Central do Estado, quase foi vítima de um homicídio dentro da igreja do presídio e acredita que tenha sido dela.

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Caso

Conforme já noticiou o #rdnews, Toni Flor foi morto no dia 1º de agosto de 2020, por volta das 7h, em frente a uma academia. A investigação da Polícia Civil levou que o empresário foi atingido por tiros efetuados por Igor, a mando de sua então esposa.

Eles estavam casados há 15 anos e tinham 3 filhas. Apesar disso, casamento estava passando por problemas em decorrência de casos extraconjugais.

“Ana Claudia começou a engendrar um plano para extinguir a vida de Toni e, para tanto, pediu auxílio à sua manicure e amiga Ediane na procura por um “matador”, oportunidade em que esta acendeu à macabra solicitação e contactou Wellington que, por sua vez, com o auxílio de seu amigo Dieliton, “terceirizou” o serviço homicida, propondo que a execução do crime fosse perpetrada por Igor Espinosa, que aceitou a tarefa”, diz a denúncia do MPE.

Durante a investigação da Polícia Civil, foi constatado que o crime foi encomendado mediante oferta de pagamento no valor de R$ 60 mil. Contudo, Ana Claúdia teria repassado apenas R$ 20 mil. Consta nos autos que os detalhes do crime foram discutidos em reunião virtual via WhatsApp.