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Judiciário Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2022, 17:50 - A | A

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CASO TONI FLOR

Atirador afirma que se reuniu com viúva para receber no dia em que matou vítima

Réu revelou também em julgamento que pegou serviço por estar sob efeito de drogas e ter dívidas

Allan Pereira

Reprodução

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Ana Cláudia Flor está sendo julgada acusada de ser a mandante da morte do seu marido

O réu Igor Spinoza afirma que, no mesmo dia em que efetuou os disparos contra o empresário Toni Flor, se encontrou com a esposa Ana Cláudia de Souza Oliveira Flor na noite do mesmo dia para receber o suposto pagamento do serviço. A mulher, atualmente viúva, é denunciada pelo Ministério Público de ser a mandate do marido. “Ele morreu n'outro dia. Na mesma noite, na praça perto da casa dela, encontrei pessoalmente [com Ana]", disse em audiência de instrução na tarde desta quinta (24).

O atirador revelou os detalhes, durante audiência de instrução, conduzido pelo juiz Flávio Miraglia da 12º Vara Criminal. Nessa semana, estão sendo ouvidos testemunhas de defesa e acusação na denúncia penal contra Igor e Ana. Além dos dois, são réus Wellington Honorio Albino, Dieliton Mota da Silva e a manicure Ediane Aparecida da Cruz Silva, que são denunciados por serem os executores do crime.

Igor disse Ana lhe pagou R$ 20 mil, dos R$ 60 mil combinados para o crime, em espécie. Com o dinheiro, Igor gastou tudo vivendo cinco meses no Rio de Janeiro. Na audiência, ele disse que, da encomenda do crime até o disparo, foram menos de três dias e que aceitou o serviço por que estava sob efeito de drogas, não concordar com violência contra mulher e ter uma dívida. No momento dos disparos, ele também afirmou ter usado entorpecentes.

Narrou que foi procurado por Wellington, que, por sua vez, tinha sido acionado pela manicure Ediane a pedido da amiga, que era Ana. Wellington disse que tinha um serviço para ele e já citou que envolvia a morte de uma pessoa, mas não entrou em detalhes de quem seria. O homem então pediu autorização para passar seu número celular para a manicure.

Ediane passou o número para Ana, que ligou para Igor por meio do aplicativo WhatsApp. Ela disse que queria matar o marido e alegou que sofria ameaças dele, era vítima de agressões e que estava tentando largar dele, mas ele não aceitaria a separação e até disse que iria matá-lo em uma possível tentativa. Combinou pagar a ele R$ 60 mil.

Fiquei com medo. Ela mandou matar o marido, por que não ia mandar me matar?

Disse o atirador Igor em julgamento

Ana chegou a apresentar fotos de olho roxo e hematomas das agressões. Ela pediu para fazer o serviço o mais rápido possível, mas alegou que não tinha como dar um adiantamento para Igor por ter sofrido prejuízo. Sem muitos detalhes, o acusado explicou que a viúva tinha levado um “banho” ao tentar contratar outros atiradores.

Após encomendar o serviço, Igor disse que Ana lhe informou que Toni iria à academia na manhã do dia seguinte. Mandou fotos com o rosto do empresário e a localização do estabelecimento. A mulher disse que, quando o marido saísse de casa, iria avisá-lo para ficar na ativa.

Após o empresário Toni estacionar o carro, o atirador se aproximou, falou “perdeu, perdeu” e fez os disparos. “Ele caiu gritando, montei na moto e corri”, disse. Um ponto importante é que Igor negou que tenha falado o nome de policial, como era a suspeita no início do crime em que Toni poderia ter sido confundido com outro policial, ou qualquer outra pessoa.

Igor disse que também tinha medo de ser morto a mando de Ana. “Fiquei com medo. Ela mandou matar o marido, por que não ia mandar me matar?”, questiona. Disse que, logo depois de ser preso e levado para a Penitenciária Central do Estado, quase foi vítima de um homicídio dentro da igreja do presídio e acredita que tenha sido dela.

Reprodução

Toni da Silva Flor, de 38 anos, morto por engano

Caso

Conforme já noticiou o , Toni Flor foi morto no dia 1º de agosto de 2020, por volta das 7h, em frente a uma academia. A investigação da Polícia Civil levou que o empresário foi atingido por tiros efetuados por Igor, a mando de sua então esposa.

Eles estavam casados há 15 anos e tinham 3 filhas. Apesar disso, casamento estava passando por problemas em decorrência de casos extraconjugais.

“Ana Claudia começou a engendrar um plano para extinguir a vida de Toni e, para tanto, pediu auxílio à sua manicure e amiga Ediane na procura por um “matador”, oportunidade em que esta acendeu à macabra solicitação e contactou Wellington que, por sua vez, com o auxílio de seu amigo Dieliton, “terceirizou” o serviço homicida, propondo que a execução do crime fosse perpetrada por Igor Espinosa, que aceitou a tarefa”, diz a denúncia do MPE.

Durante a investigação da Polícia Civil, foi constatado que o crime foi encomendado mediante oferta de pagamento no valor de R$ 60 mil. Contudo, Ana Claúdia teria repassado apenas R$ 20 mil. Consta nos autos que os detalhes do crime foram discutidos em reunião virtual via WhatsApp.

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