Defesa alega “falta de tempo” e tenta adiar júri de Carlinhos novamente; juíza nega
Desta vez, os advogados alegam cerceamento de defesa pela falta de tempo hábil para analisar um volume de 109 gigabytes de provas digitais
Às vésperas do julgamento, a defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, entrou com mais um recurso para tentar adiar o julgamento pelo Tribunal do Júri do empresário, que está marcado para esta terça-feira (21), às 9h, no Fórum de Cuiabá. Desta vez, os advogados alegam cerceamento de defesa por supostas falhas na comunicação de processos vinculados ao acusado e pela falta de tempo hábil para analisar um volume de 109 gigabytes de provas digitais. O pedido foi negado pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira.
Reprodução
Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos é réu confesso e está preso. Ele foi pronunciado pelo feminicídio de sua ex-companheira, Thays Machado, e pelo homicídio qualificado do namorado dela, William César Moreno. O crime aconteceu em janeiro de 2023.
Esse é o terceiro recurso que a defesa protocola para tentar travar novamente o processo. Na semana passada, a defesa entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça, pedindo a transferência do julgamento para outra comarca ou estado sob alegação de parcialidade dos jurados em razão do clamor público, mas o pedido foi negado.
Em outra tentativa, os advogados pediram a suspensão da ação penal para instauração de incidente de insanidade mental de Carlinhos. O pedido foi negado pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.
No recurso mais recente, protocolado neste domingo (19), a defesa argumenta que não teve tempo de analisar os 109gb de arquivos que contém nos autos. Os arquivos foram liberados no dia 7 de julho, quando a magistrada levantou o sigilo do processo. Os advogados pediram
O pedido, no entanto, foi novamente negado pela magistrada. Ela argumentou que os advogados tiveram 14 dias para analisar o material digital – mídias das câmeras de segurança e extrações dos aparelhos celulares apreendidos, prazo manifestamente superior ao mínimo de três dias úteis exigido pelo art. 479 do CPP e compatível com o volume do material entregue.
“Não se cuida, na espécie, de prazo exíguo ou insuficiente, mas de intervalo mais do que razoável para o exame técnico do conteúdo pela equipe de defesa, habilitada e assistida por profissionais capacitados para tanto”, pontua a magistrada.
Por conta disso, negou o recurso e manteve o julgamento para esta terça. “Por fim, mantenho a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri designada para o dia 21/07/2026, às 09h”, diz trecho.
Reprodução
Relembre o crime
A ex-namorada de Carlinhos, Thays Machado, e o namorado dela, William César Moreno foram mortos a tiros na tarde do dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora, e William a acompanhava.
Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.