Uma idosa de 62 anos, diagnosticada com uma condição grave de coração, aguarda há 21 dias o cumprimento de uma decisão judicial que determinou a realização de uma cirurgia cardíaca urgente pela operadora de saúde Hapvida, da qual é beneficiária. O juiz Alexandre Elias Filho, da 8ª Vara Cível de Cuiabá, determinou que a empresa financiasse de forma integral o procedimento, no prazo de até 48 horas, sob pena de multa diária. A decisão foi assinada em 31 de agosto e, segundo a família, segue descumprida.
A paciente recebeu o diagnóstico de cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva grave, uma condição genética em que o músculo do coração fica muito espessado e bloqueia a passagem do sangue. A doença vinha provocando episódios severos de desmaios, alterações no ritmo cardíaco e risco iminente de morte súbita.
Diante da gravidade do quadro clínico, o médico assistente indicou a realização imediata de uma embolização septal coronariana, acompanhada de todos os materiais cirúrgicos essenciais. Contudo, a operadora recusou a cobertura do tratamento, alegando que o procedimento não constava do rol de coberturas obrigatórias da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O magistrado, no entanto, reconheceu a consistência dos relatórios médicos e destacou o perigo evidente que a demora no atendimento representa para a vida da paciente. Com base nisso, deferiu a liminar para que o procedimento seja realizado em um hospital privado da Capital, com todas as despesas hospitalares, honorários da equipe médica e materiais necessários cobertos pela Hapvida.
A empresa foi intimada a cumprir a ordem de imediato; no entanto, segundo a família da beneficiária, o procedimento de urgência ainda não foi autorizado. Os familiares, então, iniciaram uma campanha de arrecadação nas redes sociais para conseguir arcar com o custo da cirurgia, estimado em R$ 80 mil.
“Tenho vivido dias muito difíceis. Há momentos em que mal consigo me levantar da cama. Minha pressão arterial tem oscilado bastante e, durante um exame de MAPA/Holter, foram registradas pausas cardíacas com mais de 3 segundos, inclusive algumas durante o período em que eu estava acordada. Viver com a sensação de que o coração pode parar é algo que não desejo para ninguém”, escreveu a idosa na publicação.
Outro lado
A reportagem do
não encontrou meios de contato com a prestadora de saúde Hapvida em Mato Grosso. O espaço segue aberto para manifestação.
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