Defesa de coronel alega inocência e chama Zampieri de “Vorcaro de Cuiabá”
Advogados afirmam que coronel foi incluído injustamente como financiador do crime; Zampieri foi morto a tiros em dezembro de 2023
A defesa do coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de financiar o assassinato do advogado Roberto Zampieri, voltou a sustentar a inocência do militar nesta terça-feira (29) e fez duras críticas à condução do caso. Antes da retomada do Tribunal do Júri, os advogados Eduardo Polidorio, Jayme Rodrigues Carvalho Junior e Sarah Quinetti Pironi afirmaram que esperam demonstrar que Caçadini não participou do homicídio e questionaram a possibilidade de um novo adiamento após um ataque hacker afetar o sistema do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Sarah também relacionou o caso às investigações sobre suposta venda de decisões judiciais e comparou Zampieri ao banqueiro Daniel Vorcaro. “A gente tem falado que é um ‘Vorcaro de Cuiabá’, o doutor Zampieri”, declarou. Segundo ela, haveria conversas relacionadas ao caso que não teriam sido apresentadas à sociedade.
Conforme publicado pelo #rdnews, Caçadini é apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como financiador do assassinato de Zampieri, morto a tiros em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá. Também são réus Antônio Gomes da Silva, apontado como executor, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de contratar o atirador e fornecer a arma. Segundo a denúncia, Caçadini teria repassado R$ 40 mil para a execução.
Para os advogados, no entanto, o coronel não teve participação no crime. Sarah afirmou que a intenção da defesa é afastar a tese de que ele financiou o assassinato.
“Colocam o coronel Caçadini na cena de um crime, como financiador de um crime que ele nunca foi”, disse. A advogada acrescentou que o militar está preso há quase três anos, colaborou com a Justiça e, segundo a defesa, não possui histórico que o desabone.
Eduardo Polidorio afirmou que a estratégia permanece a mesma adotada na primeira tentativa de julgamento: buscar a absolvição de Caçadini. Ele também acusou a existência de irregularidades no Judiciário e disse que a defesa acompanha com preocupação novos elementos relacionados ao processo.
João Aguiar/Rdnews
O advogados de defesa: Eduardo Polidorio, Sarah Quinetti Pironi e Jayme Rodrigues Carvalho Junior
Polidorio afirmou ainda perceber resistência à realização do julgamento, mas ressaltou que um eventual novo adiamento não seria provocado pela defesa.
“Hoje, se esse júri sair, porque a gente vê muita força contrária aí, muita força para que esse júri não aconteça, e isso não vem da defesa. A defesa quer que esse caso termine o quanto antes”, afirmou. Eduardo Polidorio
Já Jayme Rodrigues Carvalho Junior criticou a investigação que resultou na acusação contra o coronel. Para ele, o trabalho investigativo teria sido realizado de forma precipitada.
“Foi uma investigação sem eira nem beira. Foi uma investigação feita a toque de caixa”, afirmou. O advogado disse acreditar que o Tribunal do Júri poderá, na avaliação da defesa, “restabelecer a verdade” sobre o caso. Jayme Rodrigues Carvalho Junior
Ataque hacker
Outro ponto levantado pela defesa foi o ataque hacker que afetou os sistemas do TJMT às vésperas do julgamento. Sarah classificou a situação como “estranha” diante do histórico de intercorrências no processo e contestou a hipótese de a indisponibilidade tecnológica impedir a sessão.
Segundo ela, o processo teria sido previamente baixado pelos envolvidos no julgamento. “Nós temos cópia, os juízes têm cópia, os promotores têm cópia, mas se ele não acontecer, não será pela defesa”, afirmou.
A advogada reconheceu, na sequência, que há necessidade do sistema para atos processuais, mas disse que o Tribunal já havia feito o download dos autos. Ela mencionou ainda que atos processuais teriam sido suspensos na véspera, mas reforçou o interesse da defesa na realização do júri.
Josi Dias/TJMT
Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas
Primeiro adiamento
Esta é a segunda tentativa de realização do julgamento dos três réus. O primeiro júri começou em 28 de julho, mas o Conselho de Sentença foi dissolvido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada em Justiça Militar, após um dos jurados passar mal de um dia para o outro. Com a dissolução, a sessão precisou ser remarcada.
Naquela ocasião, chegaram a prestar depoimento o delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelas investigações, e José Marcos Marini, amigo de Zampieri que relatou ter ouvido os disparos contra o advogado.
Zampieri foi morto em dezembro de 2023, dentro de um Fiat Strada, quando deixava o escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde. Segundo a investigação, o autor dos disparos se aproximou do veículo e efetuou dez tiros em direção à vítima. O assassinato posteriormente levou a outras investigações envolvendo suspeitas de negociação de decisões judiciais, embora essas apurações sejam distintas da ação penal que julga os acusados pela morte do advogado.