O desembargador José Zuquim Nogueira, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para investigar possíveis crimes cibernéticos relacionados ao ataque que atingiu os sistemas do Judiciário mato-grossense, que estão fora do ar desde segunda-feira (21).
Conforme apurado pelo
, com fontes no órgão, a Polícia Federal foi acionada, pois um dos sistemas afetados é integrado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a Polícia Civil estará à frente das investigações do ataque e da tentativa de acesso a dados. A medida tomada por Zuquim visa resguardar a segurança dos dados dos servidores, magistrados e magistradas
O incidente de segurança, segundo o próprio TJ, foi identificado na segunda-feira. A equipe técnica detectou que foram acessadas credenciais de usuários da rede, mas os logins e senhas são criptografados.
Em nota, publicada nessa quarta (23), o órgão ressaltou que até o momento, não há evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores e magistrados, nem de decisões judiciais ou aos backups. Diante da situação, todo o sistema passa por varredura e todas as senhas estão sendo redefinidas.
A suspeita é de que a situação tenha ocorrido por meio de um malote judiciário digital de um órgão oficial, enviado ao TJ.
O PJe e os demais sistemas foram desligados preventivamente e devem permanecer fora do ar até sexta-feira. Apesar disso, eles já estão em fase de testes para garantir a retomada com segurança.
Em nota, o Tribunal de Justiça garante que as análises e apurações seguem em andamento, com atuação de equipes especializadas do Tribunal e apoio de parceiros técnicos.
“Até o momento, não foram identificados indícios de uso indevido de dados decorrentes do incidente investigado, nem indícios de comprometimento dos mecanismos de backup do Tribunal”, diz trecho.
Suspensão de prazos
O TJ-MT estendeu até sexta-feira (25) a suspensão dos prazos processuais. Na manhã desta quarta-feira (23), o site do Poder Judiciário e demais serviços permanecem fora do ar, e as sessões foram canceladas ou adiadas.
Conforme portaria assinada por Zuquim, a suspensão dos prazos processuais vale para processos físicos e eletrônicos, de primeiro e segundo graus. Peticionamento eletrônico, consulta processual e demais serviços externos continuam indisponíveis nesse período.
Além disso, o Judiciário não terá atendimento ao público externo durante o período. Serão mantidos os serviços essenciais, as atividades urgentes e o plantão judiciário.
“A suspensão do expediente e dos prazos processuais prevista nesta Portaria não se aplica às unidades judiciais com competência em execução penal nem aos processos dessa competência, que tramitarão normalmente no Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), a fim de evitar prejuízos às pessoas privadas de liberdade”, diz trecho da portaria.
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