Defesa de Ledur recorre de sentença que a condenou por maus-tratos a aluno
Conselho Especial de Justiça Militar sentenciou tenente a 1 ano de prisão em regime aberto pela morte de Rodrigo Claro
Rodinei Crescêncio
Responsável pela defesa da tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur, o advogado Huendel Rolim entrou com recurso nesta terça (28) contra decisão que a condenou por maus-tratos no caso do estudante Rodrigo Claro, de 21 anos. Jovem morreu em novembro de 2016, após participar de treinamento aquático na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.
Decisão do Conselho Especial de Justiça Militar condenou a tenente a 1 ano de prisão a ser cumprida em regime aberto. No entendimento do Ministério Público do Estado (MPE), Ledur deveria ser condenada por tortura e morte de Rodrigo.
Juiz Marcos Faleiros, contudo, “abrandou” a pena sugerida e demais membros do conselho seguiram o relator. Ainda assim, advogados da tenente buscam que a decisão seja revista. Rolim confirmou a informação ao #rdnews, mas não tivemos acesso ao documento até a publicação desta matéria.
Conforme decisão da última quinta (23), Faleiros entendeu que Rodrigo foi submetido a excessos de caldos e outras agressões por não conseguir nadas corretamente e cumprir a travessia no lago. Por isso, dentro de critérios educacionais que considerou “equivocado”, de acordo com ele, tenente teria o intuito de instruir o aluno, e não de fazê-lo sofrer.
“Admite-se excessos de caldos e agressões praticadas pela ré Ledur como maus-tratos, mas não como crime de tortura, em virtude do elemento subjetivo de conduta. O pano de fundo da ré Ledur era a instrução, e não o sofrimento atroz e profundo por si só, até porque a tortura é normalmente um ato clandestino”.
Caso Rodrigo
Rodrigo morreu em novembro de 2016, durante treinamento de atividades aquáticas, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Após sair do treinamento, ele buscou atendimento médico e foi internado em um hospital, onde não resistiu e morreu.
Consta na denúncia do MPE que os problemas de Rodrigo durante as atividades aquáticas chamavam a atenção de todos, mas os responsáveis pelo treinamento teriam utilizado de métodos considerados reprováveis para castigar aos alunos do curso. Rodrigo teria sido submetido a intenso sofrimento físico e mental com uso de violência.