Cuiabá, 01/11/2026

Empresário colabora com investigação dos grampos e tem prisão revogada

O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, revogou a prisão preventiva do empresário José Marilson da Silva, preso na Operação Esdras, por suposto envolvimento com a organização criminosa que teria engendrado esquema de interceptações telefônicas ilegais no Executivo e na Polícia Militar.

A decisão foi proferida nesta quarta (3), após o empresário prestar depoimento aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringuetta – que conduzem o inquérito – e colaborar com as investigações.

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Desembargador Orlando Perri diz que José Marilson da Silva colaborou com investigação

De acordo com Perri, José é ex-sócio-proprietário da Empresa Simples IP, sendo o responsável pelo desenvolvimento do Sistema Sentinela, ao que tudo indica, adquirido pelo coronel Evandro Lesco, e utilizado pelo postiço Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, para prática de interceptações telefônicas clandestinas.

Além disso, de acordo com o desembargador, há documento que comprova que o rack do Sistema Sentinela, “cujo paradeiro, até o presente momento, é desconhecido”, foi retirado da empresa Titânia justamente por José Marilson, havendo fortes indícios de que a “parafernália” estivesse sob sua responsabilidade.

Perri, ao decretar a prisão do empresário, ainda declara que José Marilson teve comportamento “insólito” durante as investigações policiais, quando afirma que subscreveu documento que comprovava a retirada do equipamento Sentinela, mas que não estava no local.

Dúvidas sanadas

Na decisão, Perri afirma que em depoimento, José Marilson esclareceu as dúvidas quanto a retirada do rack do Sistema Sentinela da empresa Titânia Telecom. Conforme o magistrado, o depoimento afastou os motivos que autorizaram a decretação da prisão preventiva, pois não há mais indícios suficientes da participação do empresário.

“Por óbvio que tal conclusão poderá ser novamente modificada, caso advenham aos autos novos elementos a evidenciar que o suspeito José Marilson da Silva esteja faltando com a verdade, ou omitindo informações relevantes para o deslinde das investigações”, diz Perri.

O empresário terá que cumprir algumas medidas cautelares, como a proibição de acessar ou frequentar órgãos públicos que atuam na área de inteligência da Polícia Militar. Além disso, não poderá manter contato com os investigados da operação ou com membros do governo. O empresário ainda será obrigado a entregar o passaporte, para evitar risco de fuga do país.

Operação Esdras

A Polícia Judiciária Civil deflagrou na manhã de 27 de setembro a Operação Esdras, que culminou na prisão de oito pessoas, por suposta participação na organização criminosa que teria realizado esquema de interceptações ilegais.

São eles: o delegado Rogers Jarbas, secretário estadual de Segurança Pública afastado; o coronel Airton Siqueira, secretário de Justiça e Direitos Humanos; o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar e sua esposa Helen Christy; além do advogado Paulo Taques, ex-chefe da Casa Civil; o sargento João Ricardo Soler; o empresário José Marilson; e o major Michel Ferronato, do setor de Inteligência da Sesp.

Além das prisões, com a autorização de Perri, os policiais também cumpriram um mandado de fixação de medidas restritivas, um de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão.