Cuiabá, 21/09/2026

Justiça torna réu autor de chacina que deixou 7 mortos no Nortão de MT

Segundo denúncia, homem matou 7 pessoas após perder R$ 4 mil em jogos de sinuca

A juíza da Primeira Vara Criminal de Sinop (a 500 km de Cuiabá), Rosângela Zacarkim dos Santos, aceitou a denúncia contra Edgar Ricardo Oliveira, por sete homicídios qualificados pela chacina no Brunos Snoker Bar. A magistrada acolheu pedido do Ministério Público e converteu a prisão temporária do réu em preventiva. A decisão é desta quinta-feira (23).

“Diante de todo exposto, tenho que as medidas cautelares diversas da prisão, previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal, revelam-se insuficientes e inadequadas ao presente caso, dada a gravidade dos fatos praticados, a qual evidencia a periculosidade do denunciado, de modo que, a decretação de sua contrição cautelar é medida de rigor”, disse. Ele já encontra-se preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) e o MP requereu a conversão da prisão temporária dele em preventiva.

 Ezequias Souza Ribeiro, comparsa de Edgar, morreu em confronto com policiais militares. Edgar havia sido denunciado ontem (23) por sete homicídios qualificados (motivo torpe, emprego de meio cruel, por meio que resultou perigo comum e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima), furto qualificado e roubo majorado. Ele responderá ainda por mais uma qualificadora por ter matado vítima menor de 14 anos. 

Reprodução

De acordo com a denúncia do MPE, na manhã de 21 de fevereiro, Edgar, acompanhado de Ezequias, apostou dinheiro em jogos de sinuca em um bar da cidade, perdendo R$ 4 mil para Getúlio Rodrigues. No período da tarde, Edgar retornou ao estabelecimento acompanhado de Ezequias e “chamou a vítima Getúlio para novas partidas de sinuca, também com aposta em dinheiro, ocasião em que perdeu novamente e, de inopino, jogou o taco sobre a mesa, verbalizou com seu comparsa Ezequias que, de imediato, sacou uma arma de fogo e rendeu as vítimas, encurralando-as na parede do bar, enquanto Edgar se dirigiu à caminhonete e se apossou de uma espingarda”. 

Ainda de acordo com o MPE, Edgar seguiu em direção às vítimas e efetuou o primeiro disparo contra Maciel Bruno, tendo, na sequência, realizado o segundo tiro em desfavor de Orisberto, enquanto o comparsa Ezequias disparou contra Elizeu. Edgar efetuou mais dois disparos, acertando Getúlio e Josue. Adriano e a adolescente Larissa tentara correr e também foram atingidos por ele. As vítimas Maciel Bruno e Getúlio também foram alvejadas por Ezequias quando já estavam caídas no chão. 

Para a promotora de Justiça Carina Sfredo Dalmolin, os crimes foram cometidos por motivo torpe, “impulsionado pelo sentimento de vingança em razão de perder aposta em jogo de bilhar”, e praticados por meio cruel, “tendo em vista que foram efetuados disparos de espingarda calibre 12, arma de elevado potencial lesivo e causadora de múltiplas lesões simultâneas, e também pistola calibre .380, sendo as vítimas atingidas uma a uma, a maioria a curta distância, o que revela uma brutalidade fora do comum e a ausência de elementar sentimento de piedade”.

As vítimas da chacina foram Maciel Bruno de Andrade Costa, Orisberto Pereira Sousa, Elizeu Santos da Silva, Getúlio Rodrigues Frazão Júnior, Josue Ramos Tenorio, Adriano Balbinote e Larissa de Almeida Frazão (12 anos).