Presidente do TJ pede voto de confiança e diz que ameaça de greve não funciona
Presidente se manifestou após servidores anunciarem greve por tempo indeterminado a partir do dia 21 de janeiro
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), José Zuquim Nogueira, pediu um voto de confiança aos servidores do órgão após a categoria anunciar que entrará em greve por tempo indeterminado a partir do dia 21 de janeiro, motivada por uma insatifação salarial. Em manifestação nesta sexta-feira (09), o magistrado alega que entende a ampla necessidade de valorização salarial dos servidores, contudo, acaba esbarrando no veto do governador Mauro Mendes (União BrasiL) ao reajuste de 6,8%, medida essa que foge da autonomia do Judiciário.
Alair Ribeiro/TJMT
Deste modo, reforçou que tem buscado soluções e que será iniciado um grupo de trabalho para um levantamento técnico e criterioso da situação remuneratória dos servidores do tribunal. Segundo ele, a intenção é acionar representantes sindicais posteriormente para um diálogo franco e produtivo, sem comprometer a responsabilidade fiscal e a sustentabilidade do tribunal.
"O diálogo pressupõe boa-fé de ambas as partes. Negociar sob ameaça ou pressão não contribui para um ambiente construtivo. Por isso, manifestamos que as conversas serão mais produtivas em um clima de confiança mútua, sem a sombra de paralisações que prejudicariam, em última análise, a população que depende dos serviços judiciários", manifestou Zuquim no comunicado.
Uma das reclamações do sindicato dos servidores do Judiciário mato-grossense foi que houve falta de mobilização do próprio Tribunal ao aceitar as tentativas de impedimento de votação na Assembleia Legislativa (ALMT), o veto do governador e a manutenção do veto, mesmo sendo um direito do órgão em promover a valorização com base na sua receita anual. A justificativa do Governo para o veto é de que isso iria abrir precedente para outras categorias do serviço público. Zuquim reconheceu as preocupações dos servidores quanto à questão salarial e reiterou que seguirá buscando uma alternativa.
"O TJMT continuará atuando para que nossos servidores tenham condições dignas de trabalho e remuneração compatível com a importância da função que exercem. Estendo minha mão ao diálogo. Convido todos os servidores a acreditarem neste processo e a caminharem conosco na construção de soluções responsáveis e duradouras. Juntos, podemos avançar", completou ele.