Cuiabá, 03/11/2026

Réu foragido é condenado a 30 anos por assassinato de comerciante no Shopping Popular

Denúncia do MPMT apontou execução ordenada por facção devido a regras sobre cigarros contrabandeados

O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou Welinton Gabriel da Silva Lacerda a 30 anos e quatro meses de prisão em regime fechado, nesta terça-feira (3), pelo assassinato do comerciante Josionaldo Ferreira de Araújo. Os jurados acolheram as qualificadoras do homicídio e também a acusação de integrar organização criminosa. O crime foi cometido em setembro de 2022, no Shopping Popular da capital. O réu está foragido desde 2023.

Segundo a denúncia do Ministério Público (MPMT), o crime foi planejado por membros de uma organização criminosa porque o comerciante teria descumprido regras da facção sobre a venda de cigarros contrabandeados. Embora não tenha puxado o gatilho, Welinton participou do planejamento e da articulação do homicídio, tese que foi acolhida pelos jurados.

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O Conselho de Sentença também reconheceu as qualificadoras de motivo torpe e de recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena foi fixada em 25 anos e oito meses de prisão pelo homicídio qualificado e em mais quatro anos e oito meses por integrar organização criminosa, além do pagamento de 15 dias-multa.

Na sentença, o juiz Humberto Resende Costa, que atua como magistrado cooperador do Programa Mais Júri da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, manteve a prisão preventiva e determinou a execução imediata da pena, com a expedição de um novo mandado de prisão. Conforme a decisão, o condenado está foragido desde novembro de 2023, quando fugiu de uma unidade prisional.

Relembre o caso

Josionaldo Ferreira de Araújo foi morto no dia 19 de dezembro de 2022, dentro do Shopping Popular, no bairro Dom Aquino, em Cuiabá. Na ocasião, ele foi abordado na frente de uma das lojas que tinha no local por dois suspeitos identificados como Wenderson Santos Souza, de 24 anos, que morreu em confronto com a Polícia, e Bruno Fernandes de Souza Costa, de 22, que foi preso.

A Polícia Civil apurou, por meio de câmeras de segurança, que a dupla chegou ao local sem saber quem era a vítima. A análise das gravações revelou que os executores falavam ao celular com uma terceira pessoa a todo instante para obter a identificação do comerciante. Em determinado momento, Wenderson se aproximou do comparsa e apontou em direção a Josionaldo, indicando quem era o alvo.

Josionaldo foi abordado pelos criminosos, que fingiram ser clientes para disfarçar a ação. Em seguida, os dois se posicionaram de modo a cercar o comerciante. B.F.S. chamou a atenção dele e, no momento em que a vítima virou o rosto, Wenderson sacou a arma e atirou contra a sua cabeça. Josionaldo caiu na hora e ainda foi atingido por mais cinco disparos.

Na fuga, Wenderson entrou em confronto com policiais militares e morreu nas imediações do centro de compras. B.F.S. foi preso em flagrante e, em depoimento, alegou que foi até o local apenas para cobrar uma dívida a pedido do comparsa, afirmando que não sabia da intenção de matar o comerciante.

Em novembro de 2024, Bruno foi condenado a 24 anos e quatro meses de reclusão pelo crime, mas fugiu da penitenciária Complexo Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, em agosto de 2025.