Cuiabá, 24/10/2026

MPF apura invasão de deputados a Terra Indígena Kapôt Nhinôre em Mato Grosso

A discussão ocorre em meio ao debate sobre o marco temporal, rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal, por 9 votos a 2, nesta quinta-feira

Reprodução

Deputados josé Medeiros, Coronel Fernanda e Silvia Waiapi em  reunião na terra indígena 

O Ministério Público Federal (MPF) está apurando denúncia feira por indígenas Kapôt Nhinôre contra  deputados federais de Mato Grosso por  suposta “invasão” à comunidade do povo Juruana, localizada entre Santo Cruz do Xingu e Vila Rica. Os parlamentares estavam acompanhados da prefeita de Santa Cruz do Xingu, Joraildes Soares de Souza (PSD).

O presidente da Associação do Povo Kanela do Araguaia Aldeia Pukanu (APKAAP), Cláudio   Brito Kanela, afirma que moradores da região foram surpreendidos pelos deputados federais José Medeiros, Coronel Fernanda e Silvia Waiapi, todos do PL.  

"Na tentativa de instaurar a paz e o bem viver como também proteger seu território,  o povo Juruna vem utilizando a esfera judicial e a mídia para denunciar os ataques que vem sofrendo, foi encaminhado também alerta às organizações públicas como a Funai, o Ministério Público Federal, a Justiça Federal, MPI e mesmo com todas essas medidas vem o povo Juruna vem sofrendo usurpação de seu território pelo poder político que busca tornar para si a Terra Indígena Kapôt Nhinôre", diz  nota da APKAAP.

Considerada “invasão” pelos indígenas,  o que aconteceu foi  vistoria da comissão   constituída pela Câmara dos Deputados para apurar e acompanhar as iniciativas da Funai em relação ao processo de demarcação da Terra Indígena Kapot Nhinore.  Na semana passada, os parlamentares promoveram duas audiências públicas na região para discutir o assunto com integrantes dos povos indígenas  e produtores rurais que  possuem interesses nas áreas citadas nos estudos para delimitação do território.

A possibilidade de demarcação da Terra Indígena Kapôt Nhinore, localizada nos municípios de Vila Rica, Santa Cruz do Xingu, em Mato Grosso, e São Félix do Xingu, no Pará, já enfrenta forte resistência dos deputados federais e senadores mato-grossenses. A área delimitada  com 362.243 hectares abriga a aldeia onde o Cacique Raoni nasceu e é classificada pelo órgão como uma área sagrada para o povo kayapó. A demarcação coloca em risco o desaparecimento de 201 fazendas na região, maioria no Estado.

A discussão ocorre em meio ao debate sobre o marco temporal, rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por 9 votos a 2, nesta quinta-feira (21). No entanto, ainda será discutido pelo Congresso Nacional.

 A decisão foi comemorada por lideranças indígenas, incluindo o Cacique Raoni, que divulgou vídeo pedido a “união” dos povos originários para assegurar direitos.

“É notório que essas proposições se constituem claramente em tentativas de supressão de direitos assegurados aos povos indígenas, direitos esses estabelecimentos constitucionalmente. Eles rejeitam a maneira como a segurança jurídica é interpretada no país, prejudicando os direitos territoriais dos povos indígenas, que são injustamente responsabilizados pelos problemas fundiários constantes nos territórios",  completa a nota.

A deputada Coronel Fernanda foi única parlamentar que se manifestou sobre a suposta “invasão”
  “O assunto é bastante complexo e toda a apuração efetuada subsidiará o trabalho de acompanhamento feito pela comissão. Temos que levar em consideração os produtores que estão na área há décadas desenvolvendo atividades produtivas, pagando impostos, gerando emprego e renda e cumprindo sua função social, em conformidade com a lei. Mas, é preciso ouvir os povos indígenas e demais envolvidos no processo para construir, em conjunto, uma solução pacífica e responsável que oportunize a todos”, pontuou a congressista”, disse. (Com informações do Repórter do Araguaia)