O vereador Bruno Rios (PL) voltou a criticar o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), por causa da disputa pela Mesa Diretora e afirmou que o impasse tem prejudicado os trabalhos do Legislativo. Segundo ele, um oficial de Justiça conseguiu localizar o presidente, e a defesa aguarda o cumprimento dos prazos processuais para pedir uma decisão judicial que determine a convocação de uma nova eleição em até 24 horas.
No início do mês, o juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Várzea Grande, solicitou informações antes de decidir sobre um recurso que busca obrigar o presidente a convocar imediatamente um novo pleito.
A primeira votação, realizada em maio, reconduziu Wanderley à presidência da Câmara para o biênio 2027/2028, mas foi anulada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) por desrespeito ao marco temporal necessário para esse tipo de escolha. A medida abriu caminho para uma nova eleição da Mesa Diretora. Segundo Bruno Rios, porém, Wanderley tem sustentado que o pleito está apenas suspenso, em razão de um recurso apresentado ao Supremo. O impasse mantém a disputa pelo comando do Legislativo municipal e a cobrança de vereadores pela convocação de uma nova votação.
De acordo com Bruno, o prazo para Wanderley se manifestar é de 10 dias. Após esse período, ele espera que o juiz decida sobre o pedido, inclusive em caráter liminar, para obrigar o presidente a convocar a eleição. O vereador afirma reunir o apoio de 19 parlamentares à candidatura de Lucas Chapéu do Sol (PL) para comandar o Legislativo e diz que ainda busca a unanimidade.
“A ideia é que a gente tente conversar, inclusive ainda com o presidente Wanderley, para que ele caia em si, veja tudo o que está ocorrendo, para que a gente entre em um consenso, assim como aconteceu em Cuiabá, pelo nome de um só”, frisa.
O liberal afirma que Wanderley foi alertado de que não poderia realizar a eleição em maio, diante de precedentes judiciais que levaram ao cancelamento de pleitos semelhantes em outras cidades do país. Segundo o vereador, o grupo recorreu à Justiça e conseguiu a anulação da votação, mas o presidente continua tratando o caso como uma suspensão.
“Infelizmente, a gente buscou a Justiça, e a Justiça declarou que a eleição está anulada, não está suspensa. Ele continua dizendo aos pares, aos colegas vereadores, à própria imprensa e à população que a eleição está suspensa, por meio de um recurso de agravo interno no STF, e não é a verdade”, afirmou.
O vereador argumenta que Wanderley deve convocar uma nova eleição com base nos artigos 14 e 15 do Regimento Interno da Câmara. Os efeitos da decisão judicial e do recurso mencionado, no entanto, dependem do teor das decisões e da tramitação do processo.
CPI parada
Além da disputa pela Mesa Diretora, Bruno criticou a condução dos trabalhos legislativos e acusou Wanderley de dificultar o andamento de pautas de interesse do município. Entre os exemplos citados está a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público, que, segundo ele, permanece parada na Câmara.
“É o típico da velha política. Eu acredito que hoje o Wanderley atrapalha Várzea Grande, atrapalha a gestão e os andamentos da Casa, além dos demais vereadores que querem prestar um bom serviço à cidade”, dispara.
O parlamentar também classificou como autoritária a condução da Câmara e defendeu mudanças para superar o impasse. Na avaliação dele, um acordo em torno de um único nome para a Mesa Diretora permitiria aos vereadores retomar a atenção a outras pautas do município.
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