Cuiabá, 15/10/2026

Motoristas reclamam das condições dos pátios e banheiros de terminais

Davi Valle/Rdnews

900 caminhões descarregam produção no terminal ferroviário de Rondonópolis 

Entre oito e dez vezes por mês, caminhoneiros se aventuram nas estradas de Mato Grosso para levar soja do Norte do Estado para os terminais ferroviários de Rondonópolis, Itiquira, Alto Taquari e Alto Araguaia. Em março, abril e maio, época da safra, isso se intensifica ainda mais. Além de sofrer com a condição extremamente precária das rodovias federais e estaduais, eles reclamam da lentidão do sistema da empresa que faz a gestão dos terminais, a América Latina Logística (ALL), e falta de um local adequado para aguardarem a sua vez de descarregar a produção.

Conversando com quatro caminhoneiros que estavam na fila do terminal de Rondonópolis há cinco horas, o Rdnews descobriu que a questão da espera é o de menos. “Mesmo que o sistema da ALL seja por agendamento no dia, ficamos esperando por 14, 15 horas. Mas não tem problema, é assim mesmo. Em algumas ocasiões passamos até mais tempo aqui do que na estrada”, explica Cassiano Ussani. O real problema é a infraestrutura extremamente precária que a empresa oferece a eles. “Não só aqui em Rondonópolis, mas em todos os terminais de Mato Grosso”, acrescenta.

Davi Valle/Rdnews

Caminhoneiro Cristiano Zanotelli reclama da falta de estrutura de terminal

Cristiano Zanotelli, que ainda tinha que esperar 400 caminhões até chegar a sua vez, fala que o ponto mais ineficaz da ALL é o pátio. Ele reclama que o terreno grande não é pavimentado, por isso, quando chove muito vira um terreno cheio de lama e buracos. "Os caminhões podem atolar. E quando está seco e venta muito, é poeira para todos os lados”, afirma. Caue Martins, coordenador de gente e gestão da ALL, por sua vez, explica que o local ainda está nessas condições porque não está pronto, já que foi inaugurado em outubro do ano passado e ainda não deu tempo de finalizar essa parte da obra.

Para Marildo Strapazzon, os banheiros são a pior parte. Sujos, sem manutenção e sem produtos de limpeza, os caminhoneiros passam o dia no local reféns das instalações. João Carlos Soares diz que só é preciso só ter um banheiro bom. "Cama, cozinha, ar condicionado, tudo isso temos dentro do próprio caminhão. Não estamos pedindo nada extraordinário, como uma sala luxuosa com tecnologia. Queríamos pelo menos um banheiro decente e um pátio concretado”. 

Os quatro caminhoneiros são unânimes quando o assunto é a lentidão do sistema da ALL. Segundo eles, são apenas sete tombadores (equipamento que retira a soja do caminhão) e cada um demora sete minutos para fazer o descarregamento. Em média há 800 a 900 caminhões por dia para fazer o processo.