Cuiabá, 15/10/2026

Ex-moradores da Suiá Missu cobram a ajuda dos governos Dilma e Silval

Davi Valle

Nelson do Abacaxi reclama da falta de apoio dos governos estadual e federal

Os ex-moradores da Gleba Suiá Missu se mostram revoltados com o que classificam como descaso por parte dos governos federal e estadual que, segundo eles, os deixaram à míngua desde que ocorreu a desintrusão, há 1 ano e três meses. Reclamam, por exemplo, que o governador Silval Barbosa (PMDB) declara à imprensa que está preocupado com eles, no entanto, tem ignorado a situação.

Lembram que, recentemente, o peemedebista visitou várias cidades no Araguaia, mas que “pulou” Alto Boa Vista. De todo modo, em janeiro, o governador fez um tour pelo Araguaia, conhecido como o Vale dos Esquecidos. Passou pelas cidades de São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Vila Rica, Confresa, Santa Terezinha, Porto Alegre do Norte e Canabrava do Norte. “Silval nunca veio aqui. Já mandou algumas cestas básicas, porém, nunca passou por aqui”, reclama Nelson do Abacaxi, ex-morador.

Davi Valle

Prefeito Leuzipi Domingues relata que cidade recebeu 700 cestas do Estado

Desde que ocorreu a desintrusão, conforme o prefeito de Alto Boa Vista  Leuzipi Domingues Gonçalves (PMDB), o Governo enviou apenas 700 cestas básicas para auxiliar as pessoas que foram expulsas da terra. O Rdnews entrou em contato com a Secom, mas, até a publicação desta reportagem, não recebeu retorno com as informações sobre ajuda destinada às famílias.

Florêncio Paulo Borges, presidente em exercício da Aprosul, afirma que era eleitor da presidente Dilma Roussef (PT), mas que, agora, está revoltado. “Se tivesse responsabilidade, ela (Dilma) nos chamava para, pelo menos, fazer um acerto. Comprei, sem nunca ter ouvido falar de índios, paguei os impostos, tenho os registros”. Hoje o ex-produtor pondera que vive de favor na casa de amigos.

O deputado estadual José Riva (PSD), um dos principais defensores dos produtores, cobra uma ação social conjunta dos governos estadual e federal para auxiliar a população. "Aquilo foi um erro dos Governos. Tinham que ter pensado nisso".

Respaldo

Os ex-moradores reclamam ainda da falta de respeito ao direito dos idosos e humanos. Citam, como exemplo, o fato da Polícia Federal, na última expulsão, ter jogado três bombas de efeito moral na residência em que estavam o casal Lorival Peres de Souza e Divina Oliveira de Souza, 77 anos e 66 anos, respectivamente. Eles foram os últimos a terem a casa destruída pelas forças federais. Protestam que estavam com uma criança pequena, no local, passaram mal e foram retirados de ambulância.

Diante da situação, conforme Calixto Guimarães, autor do livro "Desordem e Retrocesso", na guerra do indigenato, a comunidade está juntando documentos para oferecer denúncia junto a OEA (Organização dos Estados Americanos), onde há a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) . “Aqui houve a montagem de uma farsa contra a ciência e Justiça”, reclama o jornalista. Acontece que, segundo ele, o laudo antropológico, feito por Iara Ferraz, não condiz com a realidade, tendo em vista que os índios teriam morado em outras áreas, às margens do rio das Mortes e nas encostas da Serra do Roncador, mas não no local onde veio a ser o Posto da Mata. Ressalta que os Xavantes são tipicamente do Cerrado e não da mata, e que há documentos para comprovar isso.