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DESTROÇOS DE SUIÁ MISSU Sexta-feira, 18 de Abril de 2014, 07:12 - A | A

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014, 07h:12 - A | A

Polêmica em torno de área começa na década de 60; dados controversos

Patrícia Sanches
Enviada Especial a Alto Boa Vista e São Félix do A

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cronologia

 Questionamentos em torno da terra começam na década de 70, veja, acima, os principais pontos da história do conflito entre índios e não índios da Suiá Missu

O conflito entre não índios e índios, que culminou na polêmica desintrusão, realizada pelo governo federal em dezembro de 2012, começa em 1993, quando a área é decretada de ocupação indígena, após realização de estudo antropológico. Os primeiros capítulos desta história, no entanto, tiveram início 27 anos antes, durante a ditadura militar. Conforme moradores e o livro “Desordem e Retrocesso”, os índios Xavantes foram retirados da região pela própria União. Garantem, entretanto, que os indígenas nunca moraram na fazenda Suiá Missú, mas nas redondezas. 

À época, as terras, que se transformaram no Posto da Mata, eram de propriedade de Aristoldo da Riva, que se “propôs a titularizar e legalizar os poucos posseiros que havia na região”, diz o livro. O autor, Calixto Guimarães, assegura ainda que, antes disso, os índios perambulavam ao longo do rio das Mortes, situando-se de “Ribeirão Cascalheira à foz do rio Tapirapé com o rio Araguaia”. Assim, segundo ele, viviam no Cerrado e nunca na mata.

Davi Valle

Calixto Guimarães

Calixto Guimarães garante que não haviam índios nas terras

Cita também a existência de intensos conflitos entre os pioneiros do Araguaia e os índios. Diante da situação, os Xavantes buscariam ajuda na fazenda Suiá Missu. “Acuados como bichos do mato, os indígenas buscavam comida e segurança junto à fazenda, na figura de Dário Carneiro, contador da fazenda, que se entendia bem com eles, dando-lhes guarida, roupas, comida e remédios, até que as negociações entre a Missão Salesiana, Funai e o governo permitiram que fossem transferidos, em agosto de 1966, nos aviões da FAB”. Segundo Calixto, cerca de 200 pessoas foram levadas para a missão de São Marcos.

Posteriormente, a área passou a ser da empresa italiana AgipPetroli que, após ser notificada sobre a possibilidade das terras terem sido povoadas por índios, autorizou realização de um estudo antropológico. Em 1992, durante a Eco 92 , o presidente da AgipPetroli, Pasquale De Vitta (já falecido), se comprometeu a devolver as áreas. No mesmo período, a fazenda Suiá Missu é ocupada e começa a ser loteada e vendida.

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Há versões confusas sobre o que ocorreu neste momento. Ex-moradores garantem que a área começou a ser vendida. O Ministério Público Federal, por sua vez, sustenta que eles, sabendo que a área seria devolvida aos índios, invadiram as terras. Questionamentos a parte, o fato é que muitos produtores têm certidões vintenárias e registros Torrens dos imóveis adquiridos. 

O fato é que no ano seguinte uma portaria declara a área indígena e, posteriormente, em 1998, o então presidente da República Fernando Henrique Cardoso homologa a reserva Maraiwãtsédé. A partir daí o que se viu foi uma longa briga jurídica, que culminou na retirada dos moradores do local, em dezembro de 2012. À época, prédios comerciais e residenciais, além de escolas e um posto de saúde foram demolidos. De acordo com a Funai, todos os 619 pontos residenciais e comerciais na área rural e no distrito de Posto da Mata verificados foram desocupados. 

Em 2011, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) chegou a suspender a desintrusão, diante da aprovação de projeto de lei da Assembleia, que propôs a permuta de Marãiwatsédé por uma área dentro do Parque Nacional do Araguaia. Apesar da iniciativa, lideranças indígenas se manifestaram contrárias à permuta. Assim, o desfecho aconteceu só em 2012, ou seja, 17 anos depois do MPF propor a ação contra os produtores, em 1995.

Sete anos antes da expulsão dos produtores, em 2005, os índios haviam sido levados para uma área próxima da cidade que, segundo a Funai, representa apenas 10% da área que os Xavantes tinham direito. No início deste ano, houve nova invasão por parte dos antigos moradores, expulsos no começo deste mês.

Álbum de fotos

Documentos comprovam compra de terras

Documentos comprovam compra de terras

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