Sem ter estrutura e com as estradas esburacadas, Poconé recebe turistas
Rodinei Crescêncio/Rdnews
A MT-060, que leva a Poconé, apresenta diversos trechos de buracos, o que provoca transtornos aos motoristas, decepção e frustração também aos visitantes
Logística é o principal gargalo do pantanal mato-grossense. A região é detentora de uma beleza exuberante, mas que carece de vias de acesso, sinalização e transporte adequado. Os turistas brasileiros e/ou estrangeiros que chegam ao Estado, a grande maioria no aeroporto internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, geralmente alugam carros e são recepcionados pela precariedade da MT-060, que interliga Cuiabá a Poconé.
São 75 km de asfalto desgastado e esburacado. Acostamento praticamente não existe, assim como a sinalização que deveria orientar motoristas a chegar a Poconé. A entrada da cidade, pela avenida Anibal de Toledo, está deteriorada, com verdadeiras crateras. Dentro da cidade a sinalização é um pouco melhor do que na rodovia, mas ainda não é a mais adequada. “Da rodovia à Transpantaneira é um buraco só. Não está com cara de receber turistas. Se receber, ele não volta mais”, reclama o professor aposentado Neumésio Alves Rondon.
Fotos: Rodinei Crescêncio/Rdnews
Em Poconé, o turista entra e sai por estradas esburacadas; terminal rodoviário tem estrutura precária e apenas a Tut Transporte explora a linha intermunicipal
A prefeitura, por sua vez, garante que até a Copa, em junho, a situação estará resolvida, apostando na recuperação da MT-060, com 75 km e com previsão de R$ 17 milhões de investimentos. Neste caso, conforme a secretaria estadual de Pavimentação Urbana, responsável pela obra, a ordem de serviço foi emitida, mas a empreiteira EBC ainda não deu início por causa das chuvas. Em princípio, a recuperação deve ficar pronta até abril, mas o prazo é curto e dificilmente será cumprido. “A empresa se comprometeu em fazer um esforço”, pondera o secretário estadual de Desenvolvimento do Turismo Jairo Pradela.
Outra promessa da gestão municipal e do governo Silval Barbosa (PMDB) é quanto à recuperação da avenida Anibal de Toledo. Nesse caso, ainda está em fase de licitação. Segundo o diretor municipal de Turismo, Vanderlei Pimenta, está prevista implementação da sinalização turística. A informação foi reforçada por Pradela. Ele explica que a colocação das placas ocorrerá simultaneamente à recuperação da rodovia.
Se a situação é ruim para quem usa carro próprio, é ainda pior para os que se aventuram a viajar de ônibus. Acontece que turistas têm como opção apenas a Tut Transportes, com veículos velhos, que atrasam e não têm nenhum conforto para os passageiros. A recepção na rodoviária também não é nada animadora. O prédio é pequeno e desorganizado. Também está prevista a sua revitalização, mas ainda não há previsão para o início das obras. Conforme Pradela, a AMM está elaborando o projeto e, se ficar pronto até março, será licitado. Acontece que, depois, por causa do período eleitoral, a realização de certames fica vetada.
O presidente da Ager, Carlos Carlão, por sua vez, pondera que a agência tem multado a Tut – que está em recuperação judicial –, mas reconhece o problema. Ele pondera que a Ager finaliza a licitação do mercado 1, que abrange a Baixada Cuiabana, por isso, a situação deve melhorar em breve. Assumirá a concessão das cidades dessa região, inclusive Poconé, um consórcio que é liderado pela União. As três obras foram lançadas no último dia 21 pelo governador e pela prefeita Meire Adalto (PT), por ocasião do aniversário de 233 anos de Poconé.
Para contrapor esse cenário de caos logístico só mesmo o carisma dos poconeanos, sempre dispostos a dar informações. Tanta receptividade não é o suficiente para apagar a imagem de desorganização e da falta de infraestrutura também na rede de restaurantes. “Não está preparado para a Copa, primeiramente tem que preparar a cidade, que está cheia de buracos. Faltam hotéis e as pontes estão quebradas. E olha que o nome é Copa do Pantanal”, reclama o morador Catarino Alves Arruda. Assim, o que se vê é um turista que apenas passa por Poconé e, muitas vezes, nem toma nota sobre a cultura poconeana, que tem como expoentes a dança dos mascarados, a cavalhada, o siriri e cururu e a gastronomia, com pratos feitos a base de peixe, além da tradicional Maria Izabel. Apesar das reclamações, o secretário estadual avalia que o governo está fazendo a sua parte e que é necessária a união e empenho do setor privado e da própria população. “A comunidade tem que estar integrada e saber que tem que receber bem”, frisa.
Os que decidem dar uma segunda “olhada”, no entanto, não se arrependem. Além da hospitalidade, encontram apoio em dois locais: Centro de Atendimento ao Turista, mantido pela prefeitura, e o espaço do turista – da rede privada. Neste dois locais há informações sobre a cidade, passeios, pousadas e restaurantes. São disponibilizados mapas, cartilhas e panfletos sobre as belezas pantaneiras e os pontos turísticos da cidade, como a Igreja Menino Jesus, Matriz e a Casa da Cultura. Neste caso, o problema é encontrar guias. Há apenas 2 na cidade, assim, se o turista já não chegar acompanhado, terá dificuldades em conhecer a rica fauna e flora da região.
Logo após deixar a cidade, o turista tem duas opções: seguir pela estrada Parque de Porto Cercado – totalmente asfaltada – sentido Sesc Pantanal e/ou percorrer a Transpantaneira, onde se concentram as principais belezas da região pantaneira. O problema da segunda opção é que ela se torna uma verdadeira aventura por causa de problemas na estra, com risco de pontes desabar. O visual, por outro lado, é de tirar o fôlego.