O efeito da seca tem se alastrado pela região do Pantanal mato-grossense. Apesar dos incêndios não estarem na mesma dimensão do ano passado, dois grandes focos de fogo estão destruindo pontos distintos na região da estrada Parque Transpantaneira, em Poconé (a 102 km de Cuiabá), há cinco dias. Comunidades rurais e de povos quilombolas também denunciam que estão sem água nos poços.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, os dois incêndios florestais já levaram a destruição de 13.400 hectares, sendo 7.600 hectares no Km 75 e 5.800 hectares no KM 100 da Transpantaneira. A destruição equivale a pouco mais de 13 campos de futebol. Aviões e caminhões são usadas para combater o fogo - saiba mais da estrutura abaixo.
De acordo com responsável pela Operação Guardiões do Pantanal, tenente coronel bombeiro João Paulo Nunes de Queiroz, esses incêndios tem origem criminosa. “Temos informações que são incêndios criminosos. E isso dificulta todo nosso esforço de combate às chamas”, lamentou.
O combate aos incêndios nesta região tem sido visto como extremamente difícil. Tem poucos acessos pela estrada, além do enorme volume de vegetação seca em uma área com muitos brejos. Por isso, um quadriciclo é usado para levar os militares aos pontos mais isolados. O vento forte também dificulta o trabalho.
Nesta quinta (2), uma comitiva formada por autoridades, pesquisadores, representantes de parlamentares e entidades da sociedade civil percorreu 100 km da estrada para acompanhar o trabalho de combate às chamas. Entre os políticos, estavam a deputada federal Rosa Neide (PT) e o deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), que é presidente Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa.
O grupo se deparou com lagoas e corixo svazios, solo rachado, animais mortos, focos de incêndio e comunidades sem água.
"Não é por acaso que estamos com uma redução de 92% nos focos de incêndio. É porque houve uma união das entidades que estão aqui hoje. Falta muita coisa. Ainda temos muito que avançar, mas a mobilização foi muito importante", diz Avallone.
Contudo, pesquisadores que participaram da comitiva não viram com os mesmo olhos positivos. Eles apontam que 2021 pode repetir 2020, que chegou a destruir a 40% do pantanal brasileiro. A pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), doutora Carolina Joana da Silva, reforçou que o bioma está mais seco em 2021 do que em 2020, o que contribui para os incêndios.
Falta água
Acompanhando a visita, a representante da comunidade rural quilombola de Poconé, Terra Viva, professora Maria Rosa destacou que além dos cuidadoscom as grandes propriedades e pousadas, o esforço que está sendo feitopor parte do governo do Estado precisa incluir as pequenas comunidades.
“Poconé possui 72 comunidades rurais, sendo 29 quilombolas. Essa seca tem dificultado as condições de sobrevivência dessas comunidades.Nessa visita vimos dois poços artesianos. Um em uma propriedade privada e outro na estrada, mas não há poços nas comunidades. O governo também precisa atender as comunidades. Estamos padecendo por falta d’água”, afirmou Maria Rosa. O deputado Avalone e Alex Marega anotaram a demanda e se comprometeram em encaminhá-la.
KM 100 maior foco ativo
O maior foco de incêndio ativo na região está no km 100 da Transpantaneira, sentido Porto Jofre. A comitiva adentrou a uma propriedade privada e, logo nos primeiros metros, já foi possível avistar áreas consumidas pelas chamas.
Cerca de 40 km à frente a comitiva se deparou com uma das principais frentes de incêndio. Enquanto os aviões sobrevoavam para despejar água, bombeiros, agentes do ICMbio, voluntários e funcionários da fazenda faziam aceiros e tentavam isolar o fogo para impedir que ele avançasse para outras áreas.
“Nossa principal tarefa na região do km 100 é impedir que o fogo adentre ao Parque Estadual Encontro das Águas”, disse o tenente coronel Queiroz. O Parque localizado no Porto Jofre, a poucos quilômetros da frente de fogo, é considerado o santuário das onças pintadas. O local devastado em 2020 se vê novamente ameaçado pelas chamas em 2021.
Estrutura
Fazem parte da estrutura empregada no combate ao fogo quatro aeronaves, destas, duas novas do modelo Air Tractor são do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) que também atua junto com o CBMMT no combate. Outras duas aeronaves foram contratadas com recursos do Governo de Mato Grosso e estão em operação desde o dia 27 de agosto.
No local, o CBM conta com 68 bombeiros militares e civis trabalhando 24 horas por dia para apagar as chamas. Há 11 maquinários empregados nos aceiros enviados. No Pantanal, o CBM conta com apoio Sema-MT, de brigadistas do SOS Pantanal e caminhão-pipa enviados pela empresa Águas Cuiabá, além dos pantaneiros que somam esforços para apagar o fogo.
Questionado se a estrutura era suficiente, Queiroz respondeu que não. Ele disse ainda que neste momento a operação precisa de mais dois caminhões pipa, para auxiliar os brigadistas no combate por terra.
O uso do fogo em áreas rurais está proibido para qualquer finalidade em todo o território de Mato Grosso até 30 de outubro de 2021, conforme o decreto estadual nº 938/2021. O uso do fogo em áreas urbanas é proibido o ano todo. (Com informações do Governo, Corpo de Bombeiros e assessoria)
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Felipe Matos 04/09/2021
Muito triste a situação do Pantanal. Sintomas do aquecimento global, do desmatamento e das queimadas na Amazônia e do desmatamento e queimadas das nascentes dos rios no Planalto de MT.
Katrina Pires 03/09/2021
E o garimpo que trabalha de noite e de dia gastando a agua da cidade de Poconé!? Agua tem, mas a prioridade não é consumo humano.
2 comentários