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AÇÃO DO MPE

Haras nega maus-tratos e aponta prejuízo de R$ 400 mil com veto a provas de laço

Vinícius Lemos

Rodinei Crescêncio

 Haras twin brothers

No haras localizado no bairro Santa Rosa, em Cuiabá, cavalo e cavaleiro são treinados para a prática de diversas atividades, como a do tambor

O empresário Cae Póvoas, proprietário do haras Twin Brothers, afirma ter sofrido prejuízo de R$ 400 mil no último fim de semana, após a Justiça impedir a realização de provas de laço na Sétima Semana do Cavalo, em Cuiabá. Cae nega que os animais que participariam da disputa sejam alvos de maus-tratos.

O evento agropecuário, realizado na região do bairro Santa Rosa, começou no dia 25 de maio e terminou no último sábado (1°). Segundo a organização, mais de 40 mil pessoas passaram pelo local ao longo da semana. Além das disputas de laço, a programação contava com prova de Três Tambores – realizada normalmente – e apresentações de músicos. Havia ainda praça de alimentação e atrações para as crianças.

A decisão para suspender as provas de laço em dupla e técnico foi proferida pelo juiz Rodrigo Roberto Curvo, na sexta (31) passada. O magistrado acolheu pedido do Ministério Público Estadual (MPE), que alegou que a competição, que envolve cavaleiros laçando touros, é uma forma de maus-tratos aos animais.

Na denúncia, o MPE argumentou que as provas afetam os animais em razão das dores e sofrimentos aos quais eles são submetidos. “Há, inclusive, decisões reiteradamente proferidas pelos tribunais de todo país que assim as reconhece”, diz o Ministério Público na ação civil pública. Segundo a instituição, o impedimento das provas seria necessário para evitar o “sofrimento físico e psíquico a equinos, bovinos e caprinos”.  Caso a medida não fosse cumprida, seria aplicada multa diária de R$ 5 mil.

Para Cae, o pedido do Ministério Público Estadual foi equivocado. Ele criticou o fato de ter sido notificado sobre a liminar para suspender a competição somente na noite de sexta, horas antes do início da disputa. “Há sete anos realizamos o evento e nunca tivemos relatos de maus-tratos. A gente trabalha com padrão de evento onde a gente mantém e preserva sempre o bem-estar animal. Planejamos isso durante um ano”.

Ele comentou que há meses vem divulgando a Sétima Semana do Cavalo, porém sequer chegou a ser notificado antes da decisão que suspendeu as provas de laço. “Fiquei extremamente estarrecido com essa decisão, pois não tivemos tempo hábil para recorrer. Nunca houve nada que tivesse acontecido e pudéssemos achar que a prova poderia ser considerada ilegal”.

Rodinei Crescêncio

Cae P�voas

O empresário Cae Póvoas em entrevista ao Rdnews, nesta quinta, quando falou de prejuízos e negou maus-tratos

“Ao menos, deveríamos ser informados com antecedência, para que pudéssemos recorrer em instâncias superiores ou para que informássemos os competidores sobre a situação. Embargar um evento horas antes de acontecer é uma coisa extremamente sem fundamento”, acrescentou.

O empresário e o irmão, que são sócios, dizem ter levado prejuízo de R$ 400 mil com a decisão da Justiça. Isso porque afirmam que as provas de laço eram as principais atrações da semana. A disputa mais aguardada, segundo Cae, aconteceria no sábado e reuniria mais de 550 competidores.

“Sem essas provas, contando com o prejuízo dos valores das inscrições, dá cerca de R$ 300 mil. Além disso tem os valores que deixamos de arrecadar no bar e em outras áreas, porque muita gente foi embora, então acredito que o prejuízo chega a R$ 400 mil”, afirmou.

Ele relatou que diversos competidores vieram de fora do Estado e logo retornaram às suas regiões de origem, junto com os cavalos, quando souberam do impedimento das provas. “Teve gente que veio de Umuarama, no Paraná, e foi embora assim que chegou”.

Durante os dias de competição, ao longo da semana, as premiações totalizavam R$ 350 mil. A maior parte do valor seria distribuído no sábado, quando os prêmios aos vencedores das provas de laço chegariam a R$ 105 mil. “O maior prejuízo é a consequência que isso deve trazer. Como vou trazer pessoas para competir por aqui novamente? Como embarcar novamente para Cuiabá, sabendo que quando chegar aqui não sabem se vai haver a prova?”.

Empresário nega maus-tratos

As alegações sobre possíveis maus-tratos, segundo Cae, foram inesperadas e não procedem. “O que me preocupa é que as pessoas que alegam esses maus-tratos nunca montaram em um cavalo ou vivenciaram isso na vida. É muito complexo julgar uma coisa que não tem conhecimento in loco”.

Ele afirmou que contratou uma equipe de 48 profissionais, entre médicos veterinários e estagiários, para fazer plantões para cuidar dos animais que participariam da disputa. “Essa disputa [de laço] é uma tradição nas fazendas. Não é nenhum tipo de maus-tratos, muito pelo contrário. Hoje são usadas cordas flexíveis, com elasticidade. Atualmente, o cavalo emprega mais de 600 mil pessoas no Brasil. Gira mais de R$ 16 bilhões e é a sexta economia mais importante do agronegócio do Brasil”.

Ele pretende solicitar aos deputados estaduais que façam uma Lei para regularizar o esporte equestre no Estado, incluindo as provas de laço. “Muitos parlamentares já demonstraram interesse em me ajudar nessa iniciativa”.

Rodinei Crescêncio

Haras Twin Brothers

Haras desenvolve atividades como equoterapia. melhoramento genético por inseminação e hotel para cavalos; local também é usado para eventos

No próximo dia 18, Cae e outros cavaleiros do Estado planejam protestar em frente à Assembleia contra o impedimento da prova. “Queremos que os deputados entendam como isso é importante para o Estado. Em Mato Grosso, estima-se que cerca de 10 mil pessoas participam da prova de laço como esportistas”, asseverou.

Em razão do evento realizado anualmente pelo Twin Brothers, a Câmara de Cuiabá aprovou, em 2014, um projeto que instituiu a Semana do Cavalo na Capital. Para Cae, a data é uma prova da importância do evento para a região.

O haras

Com quase 10 anos de funcionamento, além do treinamento de animais para participação de torneios em todo o Brasil, o haras oferece ainda um trabalho na área de pesquisa, desenvolvimento e melhoramento genético de cavalos profissionais através de inseminação artificial e transferência de embriões e também participa de leilões tradicionais pelo Brasil afora. Ainda desenvolve eventos hípicos, nas atividades de Laço, Baliza e Tambor. Desde 2010, o haras ampliou suas atividades oferecendo atendimento de equoterapia.

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Álbum de fotos

Rodinei Crescêncio

Um dos sócios do haras, Cae Póvoas nega que animais sejam maus-tratos durante a prática das atividades de Laço, Baliza e Tambor

Rodinei Crescêncio

Haras em Cuiabá, além de treinamentos de cavaleiros e animais, também desenvolve trabalho de melhoramento genético e abriga eventos da área

Rodinei Crescêncio

O haras oferece ainda um trabalho na área de pesquisa, desenvolvimento e melhoramento genético de cavalos profissionais

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JUCA DA CATIMBA 10/06/2019

MARIA VC SÓ ESCREVEU MER@ SABE TANTO DE MAUS TRATIOS A ANIMAIS COMO LULA SABE SER HONESTO. VC DEVE SER PTISTA

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Maria 09/06/2019

Deus! Como podem acreditar q não há maltrato? Não há razão nenhuma pra continuarem c essas provas pra fazer sofrer os animais. São seres vivos, gente! Vamos por esses caras proprietários q só querem lucro, LUCRO!, no lugar dos animais. Vão ser laçados no sol pra ver se é bom! Pra saber se não há maltrato, coloque-se no lugar dos animais!

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Luciano 07/06/2019

Também acho um absurdo, melhor os bois irem para churrasqueira...

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Amarildo 07/06/2019

esse promotor e esse juiz não come carne de especie nem uma...se eles proibiu esse evento por maltratar os animais...como vão comer carne sem maltratar e ainda matar a criação...

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Paulo 07/06/2019

Conheço muito bem este esporte. Já fui em inúmeras provas de laço. Em relação aos cavalos posso dizer que são extremamente bem cuidados. Tem tratamento fino, até porque valem uma fortuna. Seus donos os querem bonito e bem treinado porque vai valer mais dinheiro. Quanto aos bois que são laçados já não posso dizer a mesma coisa. É extremamente exaustivo, a ponto de animais desmaiar e cair na pista por exaustão e fraqueza muscular, daí sao arrastados e colocados ali num cantinho pra recuperar. Em baixo de sol quente indo e voltando numa pista de aproximadamente 100 metros dia e noite até acabar a prova.

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5 comentários

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