A ex-primeira dama Roseli Barbosa nega que tenha tratado pessoalmente com o empresário e delator da Operação Ouro de Tolo Paulo Lemes, sobre o pagamento de propina para a contratação do Instituto de Desenvolvimento Humano (IDH) e do Instituto Concluir pela secretaria estadual de Trabalho e Assistência Social (Setas), entre 2012 e 2013.
A negativa foi feita no acordo de colaboração premiada (delação) com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado no último dia 9 pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com ela, quem tratava do pagamento de propina era o então assessor especial da Setas, Rodrigo de Marchi. Roseli diz que em certo dia, Marchi disse que foi procurado por Lemes, no qual teria oferecido vantagens em troca da contratação dos institutos. Em um primeiro momento, Roseli relata que negou o recebimento do dinheiro ilícito.
Conforme a delação, Marchi voltou a procurar Roseli, dizendo que as demandas extras do gabinete da Setas não estavam sendo atendidas e que a solução seria atender a proposta de repasse de percentual apresentado por Lemes. “Rodrigo de Marchi informou a Roseli que Paulo Lemes oferecera de 4% a 5% do valor dos contratos”, diz trecho da delação.
Roseli diz que autorizou Marchi a receber os valores para atender as demandas do gabinete e outras despesas. Ela nega ter conhecimento dos detalhes das tratativas e valores com o delator, uma vez que tais assuntos eram tratadas pelo assessor especial.
A ex-primeira dama revela ainda que Marchi lhe disse que nem todos os contratos da Setas por meio dos institutos de Lemes tinham repasse de dinheiro.
Dinheiro a ex-chefe de gabinete
O ex-chefe de gabinete de Silval Silvio Corrêa também apontou o envolvimento de Paulo Lemes em outros esquemas. Na delação, ele afirma que a pedido do ex-secretário Eder Moraes, procurou o empresário, que ajudaria na campanha do ex-vereador Lúdio Cabral (PT) à Prefeitura de Cuiabá, em 2012.
Silvio relata que foi até o Instituto Concluir e recebeu das mãos de Lemes um envelope com R$ 40 mil, que foi repassado, imediatamente, a Eder, responsável financeiro pela campanha do petista.
Após a campanha, em que Lúdio foi derrotado, Silvio diz ter sido procurado por Lemes, que pediu ajuda para o recebimento de dívidas de algumas secretarias com ele. Silvio não se recorda de todas as pastas, mas afirma que o empresário citou a Setas e a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia (Secitec).
“Tais créditos eram em nome do Instituto Concluir e outras duas empresas de propriedade de Paulo Lemes, não sabendo se ele chegou a receber ou não tais valores”, diz Silvio.
Conforme o ex-chefe de gabinete, Lemes voltou a procurá-lo e, de forma constante, tentou intermediar contratações dentro do governo para outras empresas que não as suas. Nas reuniões, o empresário oferecia participações a Silvio, caso as contratações vingassem.
De acordo com a delação, algumas contratações deram certo e, por isso, acabou recebendo de Lemes o montante de R$ 100 mil, pagos em dinheiro no gabinete no Palácio Paiaguás. Silvio se recorda que algumas contratações se tratavam de empresas que atuaram nas áreas de segurança e manutenção de ar-condicionado.







